Vários moradores da zona da Graça, em Lisboa, estão a ser pressionados pelos seus senhorios a retirar das suas janelas ou varandas as bandeiras com a consigna “menos turismo, mais bairro”, denunciou a Assembleia da Graça – Parar o Hotel no Quartel nas suas redes sociais. De acordo com este movimento, receberam várias denúncias e reclamam que se trata de um abuso e de uma infração, uma vez que, de acordo com a Associação de Inquilinos Lisbonenses (AIL), “os inquilinos têm todo o direito de colocar faixas nas suas janelas e varandas salvo se o contrato de arrendamento tiver alguma disposição que o interdite expressamente”.
O movimento que luta contra a construção de um hotel no antigo Quartel da Graça recorda que a iniciativa que está a levar muitos moradores a colocarem estas bandeiras nas janelas “não se trata de publicidade comercial com fins financeiros”. Explica o movimento que se trata é de procurar que o bairro tenha um ambiente de vizinhança e proximidade, “onde as pessoas se conhecem e onde disponham de comércio ajustado às suas necessidades e rendimentos”.
Em curso está também a recolha de um abaixo-assinado quase a atingir as 7500 assinaturas necessárias “para levar a luta contra a turistificação e a gentrificação” à Assembleia da República. O objetivo dos promotores da recolha de assinaturas é o cancelamento imediato do projeto hoteleiro para este local, pôr o antigo Quartel da Graça ao serviço da população e defender o bairro dos impactos do turismo massivo e da especulação imobiliária.
Classificado como Monumento Nacional desde 1910, o Quartel da Graça constava na lista de imóveis históricos a reabilitar dentro do programa Revive, lançado pelo governo de António Costa. Foi esse mesmo executivo que anunciou que a concessão do Quartel da Graça seria entregue ao grupo Sana, por um período de 50 anos, para a instalação de um hotel de cinco estrelas, correspondendo a uma renda anual de 1,79 milhões de euros, com o apoio do atual presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas.
