Editorial

Trabalho

Uma greve de punhos cerrados

Não há um pingo de modernidade na chamada liberalização do mercado de trabalho. A única liberdade que defendem é a liberdade de despedir, de pagar baixos salários, de alargar a precariedade a todos os trabalhadores, a liberdade de encher contas em paraísos fiscais com o nosso suor. Repetindo: o Pacote Laboral é uma declaração de guerra a quem trabalha.

“Uma força a crescer-te nos dedos e uma raiva a nascer-te nos dentes”, cantava Sérgio Godinho sobre os que trabalham dias inteiros a construir cidades para os outros. As alterações à legislação laboral propostas pelo governo com o beneplácito da IL e Chega são uma declaração de guerra à classe trabalhadora. Luís Montenegro comporta-se como um mordomo dos grandes grupos económicos e financeiros e leva na bandeja as cabeças de todos os que vivem do seu trabalho. Em cem propostas do Pacote Laboral não há uma única que favoreça os trabalhadores.

Até a CGTP-IN ter anunciado a greve geral para o próximo dia 11 de dezembro, pouco se falava do Pacote Laboral nos principais meios de comunicação social. Foi esse anúncio que espoletou o debate nas televisões com comentadores favoráveis ao governo a tentarem convencer-nos de que não faz qualquer sentido agora uma greve geral, como se devêssemos esperar pelo momento em que essa forma de protesto já pode não servir de nada.

Não há um pingo de modernidade na chamada liberalização do mercado de trabalho. A única liberdade que defendem é a liberdade de despedir, de pagar baixos salários, de alargar a precariedade a todos os trabalhadores, a liberdade de encher contas em paraísos fiscais com o nosso suor. Repetindo: o Pacote Laboral é uma declaração de guerra a quem trabalha.

Ao longo dos séculos, aprendemos que só unidos conseguimos avançar. O património de direitos que, hoje, urge defender foi conquistado a pulso por muitas gerações de trabalhadores. Cabe-nos ir ao combate com a mesma coragem e dignidade.

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