A resposta parece passar sempre por passar pela resposta do privado. A tragédia que se abateu sobre as populações do centro do país mostra que o governo não se preocupa com aquilo que realmente afeta os portugueses. A ineficácia das suas medidas e a reação tardia, com medidas avulsas à medida que cresce a pressão sobre Luís Montenegro, numa miserável estratégia de comunicação, expõe a verdadeira natureza dos objetivos deste executivo.
A enorme onda de solidariedade com as populações afetadas, onde se destaca o movimento associativo e as autarquias locais, embora o governo tenha preferido sublinhar o papel das seguradoras, é que tem garantido que as consequências não sejam maiores. A privatização de hospitais e centros de saúde enquanto nascem bebés em ambulâncias, a entrega aos privados de linhas da CP com comboios novos pagos pelos contribuintes, a procura incessante de alimentar ainda mais os fundos das empresas imobiliárias à custa do sofrimento de quem não consegue ter uma casa onde viver e um pacote laboral que promete oferecer trabalhadores sem direitos aos patrões são o espelho de um governo que perdeu toda a vergonha, mesmo não tendo maioria absoluta.
