Foi há 140 anos que um grupo de operários tabaqueiros fundou o
jornal A Voz do Operário. Estava fértil de futuro a semente de papel
e tinta que as mulheres e os homens desse tempo regaram para erguer
aquele que é hoje o mais antigo jornal operário em circulação
no nosso país. Por aqui passaram gerações e gerações que fizeram
avançar a roda da história no sentido do progresso e da justiça social.
Inspirados pela ideia de romper com o silêncio mediático que
a burguesia de então impunha sobre as lutas dos trabalhadores,
os fundadores deste jornal quiseram dar voz a todos os operários.

É quase século e meio de uma trajetória ímpar que não teria sido
possível sem a fidelidade aos princípios e ao trabalho coletivo .
Num tempo em que a verdade tem cada vez menos espaço nas
rádios, televisões e jornais e em que se usa a mentira para reforçar
o poder dos grandes grupos económicos e financeiros, apesar de todos
os sacrifícios e dificuldades, A Voz do Operário reafirma o seu
compromisso com os valores anunciados na sua primeira edição, a
11 de outubro de 1879. Que este jornal prolongue a sua história de
resistência pelos tempos sem nunca deixar de se identificar com os
explorados.

A prova de que a obra destes operários continua bem viva não está
apenas na sobrevivência desta publicação. Os diferentes espaços da
Sociedade de Instrução e Beneficência que foi batizada com o nome
do jornal são reflexo de uma história de resistência ao serviço dos
trabalhadores. Impedir que os filhos dos operários fossem analfabetos
esteve na génese das diferentes escolas que foram criadas. Ainda
hoje, visitar A Voz do Operário é contactar uma instituição que promove
o pensamento crítico e a solidariedade.

No próximo domingo, aqueles que trabalham para fazer avançar o
país vão ter uma oportunidade para dar expressão à luta de todos os
dias através do voto. Acabar com as desigualdades sociais deve ser
a prioridade de qualquer deputado que se considere de esquerda e é
nesse sentido que o futuro se deve encaminhar. Portugal não pode
continuar a ser um poço de diferenças. Não se podem considerar
sérios governos que dizem não haver dinheiro para aumentar significativamente os salários mas que continuam a suportar a dívida
dos bancos.

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