Eventualmente, os novos leitores que abram este jornal podem estranhar que aqui se fale das festas de Lisboa e, simultaneamente, da luta dos trabalhadores contra o Pacote Laboral proposta pelo governo, dos protestos no bairro da Graça contra a construção de mais um hotel, da violência do colonialismo português em Moçambique e da bárbara agressão de Israel ao Líbano. Em primeiro lugar, este é um jornal fundado por operários e a sua linha tem sido desde sempre denunciar ataques aos direitos dos trabalhadores e falar das suas condições de vida. Em segundo, a festa, a alegria e o convívio, até nos piores momentos, é parte intrínseca de quem trabalha. Por isso, a greve geral foi, uma vez mais, uma histórica luta de que os trabalhadores devem estar orgulhosos. Abdicar de um dia de salário, muitas vezes para quem vive em condições difíceis, e enfrentar uma proposta do governo que não pode ser considerada senão um insulto é um ato de coragem. Apesar dos lucros extraordinários de milhões que vários setores empresariais e financeiros tiveram nos últimos anos, os trabalhadores continuam a ganhar tostões. Somos nós, com o suor do nosso trabalho, que pagamos aos empresários e banqueiros as casas de férias, os iates e as vidas luxuosas que enchem de fotografias as revistas de lifestyle e famosos. Por isso, a greve geral, para além da poderosa mensagem de que não estamos dispostos aceitar perder direitos, é também um ensinamento: juntos somos mais fortes.
Editorial
Voz
Juntos somos mais fortes
