Editorial

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Muralha d’aço

Não haverá memória de tantos feridos provocados por cargas policiais num tão curto período de tempo desde a revolução de Abril. A luta pelo direito à habitação tem levado milhares de pessoas para as ruas num sobressalto que não é alheio ao facto de Portugal ser um dos países onde o direito a viver debaixo de um tecto exige um esforço financeiro incomportávei para a maioria.

Não haverá memória de tantos feridos provocados por cargas policiais num tão curto período de tempo desde a revolução de Abril. A luta pelo direito à habitação tem levado milhares de pessoas para as ruas num sobressalto que não é alheio ao facto de Portugal ser um dos países onde o direito a viver debaixo de um tecto exige um esforço financeiro incomportávei para a maioria. Os sucessivos governos permitiram e estimularam com as suas políticas a escalada de preços na compra e no arrendamento de imóveis para a habitação. Ao mesmo tempo, não combateram as desigualdades sociais, os baixos salários e o elevado custo de vida.

O executivo de Montenegro tem governado de costas voltadas para a maioria dos portugueses, preferindo beneficiar as elites económicas do país. Para virar a opinião pública contra os manifestantes, o governo tem usado todo o tipo de provocações violentas instrumentalizando a polícia para incendiar os protestos e apontar o dedo a quem luta desviando o foco do debate sobre a habitação. Montenegro é cobarde. Prefere a repressão policial ao diálogo.

Por outro lado, José Luís Carneiro decidiu viabilizar o Orçamento do Estado enquanto manifestantes eram agredidos pela polícia. O PS foi a muleta do governo de Passos Coelho e voltou a escolher não estar com os trabalhadores e as populações em luta. A CGTP-IN ao lado das organizações e movimentos sociais pavimenta o caminho da dignidade: lutarmos juntos não só por mais salários, mas também contra o aumento do custo de vida e acesso à habitação. Hoje, a luta é também contra um governo anti-democrático que está disposto a tudo para competir pelo pódio da vergonha com a extrema-direita.

Com coragem e determinação, sejamos a muralha d’aço que o presente exige: escolhamos o caminho da dignidade.

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