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A 10.ª Gala do Fado da Voz anunciada na Mouraria

A Gala do Fado da Voz do Operário, que a 15 de novembro decorrerá no salão da instituição centenária, foi apresentada no Largo da Severa, na Mouraria. O evento homenageará interpretes da expressão musical, como Aldina Duarte, mas também figuras da literatura e poesia, como João Monge e das Artes e Espetáculo, como Lenita Gentil.

Já não é esta a cidade da Severa, da sua Mouraria resta pouco. Aqui e ali ainda há roupa pendurada na corda, virada para o Largo da Severa. Quem vier do Beco do Jasmim, ou da velha rua do Capelão, já sem juncadas de rosmaninho, como cantava Amália Rodrigues, ainda se cruza com uma palete cultural de gente que se mistura, que se combina, que vive, convive e se respeita, riqueza da Mouraria, de Lisboa e, de resto, origem do próprio fado.

Nesta Mouraria, diferente ainda assim da tantas vezes cantada por Alfredo Marceneiro, felizmente a casa da Severa resistiu, ao contrário da Casa da Mariquinhas, a das janelas com tabuinhas, transformada em alojamento local, como ironiza a Capicua e canta Gisela João.

Ao contrário, na casa da Casa da Mariquinhas, a da Severa resiste, sem tabuinhas, mas com um bonito varandim virado para o Largo, que é hoje restaurante e casa de fado, onde Hélder Moutinho e Camané seguram esta expressão musical como um património vivo, resistindo à fossilização da arte em postais turísticos, em bibelots transacionáveis, para gáudio dos novos donos de Lisboa.

Ora, se é no Largo da Severa que o fado também resiste, nada melhor que o Largo da Severa como cenário da apresentação da 10.ª Gala do Fado da Voz do Operário, uma co-produção Museu do Fado – EGEAC, com o apoio da Antena 1.

Nesta apresentação, que teve Hélder Moutinho como anfitrião, Manuel Figueiredo, presidente de A Voz do Operário lembrou a origem operária do fado, da importância da Instituição que dirige e do papel que desempenhou na defesa desta expressão musical popular nos finais do século XIX, quando era posta em causa por uma elite cultural burguesa, e lembrou também da importância do jornal de A Voz do Operário, na dignificação do Fado com a introdução, publicação e divulgação de algumas letras.

Depois, Rita Morais e Jonas Santos, da Voz do Operário, deram a conhecer os pormenores desta 10.ª Gala, que será apresentada por Inês Carranca e Tiago Góes Ferreira, e que decorrerá no Salão Nobre da Voz do Operário, a partir das 15 horas, do dia 15 de novembro. Contará com as participações do fadista portuense, Bruno Alves, da jovem Catarina Dionísio, vencedora da edição do ano passado do Concurso de Fado de Setúbal, Cristina de Sousa, José Fernandes Castro e de Teresinha Landeiro.

No elenco de músicos constam José Manuel Duarte, na Guitarra, Pedro Soares na Viola de Fado e Nuno Lourenço na Viola Baixo.

São 11 personalidades e uma instituição, todas ligadas ao fado, que serão homenageadas, distinguidas em diversas categorias.

Desde logo o prémio Tributo para Aldina Duarte, fadista, divulgadora do fado em todo o mundo, promotora de novas vozes do fado, mulher do fado, das letras, da cultura portuguesa.

Homenageado será também o prémio Guitarra para o bragançano Luís Ribeiro, guitarrista, mas também construtor de guitarras que acompanhou Amália Rodrigues, para prémio Viola, o portuense André Teixeira. No elenco de fadistas serão homenageadas Tânia Oleiro, Tina Santos, António Passão e Odete Jorge (Prémio Carreira), o Núcleo de Fado da Associação Académica de Coimbra (Prémio Divulgação). João Monge (Prémio Poesia e Literatura), Pedro Ferreira e Valéria (Prémio Revelação) e Lenita Gentil (Prémio Artes e Espetáculo).

Este evento, marcante no calendário do Fado, conta já na sua longa lista de homenageados com figuras ilustres desta expressão musical, como Carlos do Carmo, Cidália Moreira, Ricardo Ribeiro, Luísa Amaro, António Chainho, Ada de Castro, Hélder Moutinho, Simone de Oliveira, José Luís Gordo, Maria Amélia Proença, entre muitos outros.

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