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Subconcessões ferroviárias e declaração de incompetência com regozijo

O Conselho de Administração da CP fez sair um comunicado de 23 de janeiro passado, em que dava conta das medidas aprovadas para a CP pelo Conselho de Ministros do dia anterior.

Anunciava a aprovação da aquisição de veículos para a alta velocidade, e mais 36 automotoras para serviços urbanos que se somarão às 117, que há anos aguardam a assinatura do contrato (esta parte foi omitida).

Como nota, é conveniente referir, que desde o encerramento da SOREFAME, a CP nunca mais adquiriu material circulante novo. Quase um quarto de século.

O outro tema de regozijo são as subconcessões ferroviárias: Linhas de Cascais, Sintra / Azambuja, Sado e Porto.

Para que não haja dúvidas, transcreve-se a seguir o texto do comunicado.

“As subconcessões contemplarão apenas de parte dos serviços e, caso sejam aprovadas, os serviços continuarão a ser da CP, operando com a marca CP, sendo realizados através de uma prestação de serviços que poderá abranger a operação, a área comercial, a manutenção do material circulante, entre outros.”

Conclusão, o concessionário recebe os comboios e tudo o que necessita para a sua exploração, faz aquilo que a CP realiza hoje e arrecada um valor ainda desconhecido por essa prestação de serviço.

Assim sendo, pergunta-se: o que acrescenta a subconcessionária na prestação dos serviços?

Obviamente nada. Apenas arrecadará lucros.

Para garantir o êxito público da operação, esta terá lugar apenas após a receção do novo material circulante.

Só uma curiosidade a acrescentar à informação sobre o material circulante: na Linha de Cascais há veículos cuja carcaça, com motores e demais equipamento substituídos, que circulam desde a inauguração em 1926, ou seja, estão a completar o século de serviço.

Ufano com o negócio ruinoso que será mais uma drenagem dos recursos públicos para bolsos privados o Conselho de Administração termina com a seguinte frase:

“Com o empenho, a confiança e a colaboração de todos, continuaremos a construir uma CP mais forte, preparada para os desafios do futuro e unida no propósito comum de servir melhor o país”.

Se por ingenuidade acreditássemos que as subconcessões se destinavam, não a propiciar negócios, mas a melhorar a prestação de serviços ferroviários, teríamos dificuldade em entender como se torna a CP mais forte esvaziando-a e se pede empenho, confiança e colaboração a quem se está a dizer que por sua incapacidade é necessário entregar a outros aquilo que não conseguem fazer bem.

O surrealismo está de volta.

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