Nascida da luta dos operários contra a exploração, A Voz do Operário apresenta uma vida plena de êxito no cumprimento do desígnio dos seus fundadores, de defesa dos direitos dos trabalhadores, pugnando pela sua dignificação e elevação cultural, com uma história muita rica ao serviço dos sócios e da comunidade.
Num momento particularmente difícil para os trabalhadores e o povo, em que são postas em causa conquistas tão arduamente alcançadas, importa salientar quão atuais são os princípios que nortearam a fundação d’A Voz do Operário, que ao longo da sua história sempre esteve no lado da luta pela emancipação dos povos, pela liberdade, por uma vida melhor, numa sociedade em que todos tenham as mesmas condições.
Integrada na comemoração do aniversário, a nossa Instituição procede anualmente à homenagem a uma personalidade de mérito reconhecido, tendo este ano a Direção decidido distinguir a artista e encenadora Maria João Luís, grande humanista, que associa a sua atividade artística à defesa dos direitos fundamentais e dos valores da liberdade, da democracia e da paz.
Maria João Luís é uma das mais reconhecidas e versáteis artistas portuguesas da sua geração, com uma carreira marcada por uma presença constante nas artes do espetáculo, designadamente no teatro, cinema e televisão.
Nasceu em Lisboa e iniciou a sua carreira artística n’A Barraca. Trabalhou depois no Teatro da Casa, Fundação Calouste Gulbenkian, Teatro da Malaposta e Teatro da Comuna.
No Teatro da Cornucópia, interpretou obras de dramaturgia clássica e moderna, incluindo textos de Gil Vicente, Shakespeare e Brecht.
No cinema, estreia-se em 1991, com o filme “A Idade Maior”. Seguem-se outros filmes, como “O Fim do Mundo”, “Encontros Imperfeitos” e “Aqui na Terra”.
Recebeu em 2003 o Prémio de Melhor Atriz no Festival de Curtas Metragens de Badajoz, com o filme “Crónica Feminina”, de Gonçalo Luz.
Na televisão, a sua estreia ocorreu em 1992 com a novela Cinzas na RTP1, e desde então passou a ser uma presença habitual em séries e telenovelas nos principais canais portugueses. Trabalhou em produções como “Verão Quente”, “Os Lobos”, “Ganância”, “Fúria de Viver”, “Mistura Fina”, “Doce Fugitiva”, “Feitiço de Amor”, “Sedução” e mais recentemente representou personagens de grande impacto em novelas como “Sol de Inverno”, “Poderosas”, “Amor Maior”, “Vidas Opostas” e “Terra Brava”.
Em 2014 recebeu o Globo de Ouro da SIC na categoria de Teatro, enquanto encenadora de “Ninguém se Ouve, Ninguém se Vê”, criado a partir de “A Gaivota”, de Anton Tchekhov. Em 2021, volta a ser premiada no mesmo evento, desta vez na categoria de melhor Globo de Ouro Especial 25 anos de ficção.
Em dezembro 2017, foi escolhida para a capa da Revista Activa. Dois anos depois, em 2019, recebe os Prémios ACTIVA Mulheres Inspiradoras, na categoria Artes.
Em 2024, protagoniza a peça “Mãe Coragem”, com encenação de António Pires, no âmbito do cinquentenário da Revolução de 25 de Abril de 1974, que rodou por palcos importantes como o Centro Cultural de Belém, o Festival de Almada e as Ruínas do Carmo, em Lisboa.
Tem hoje a sua própria companhia, o Teatro da Terra, no Seixal, fundada com Pedro Domingos, onde vem encenando e interpretando diversas peças.
Ao longo de mais de três décadas, Maria João Luís consolidou-se como uma figura incontornável, tanto como intérprete como criadora, no teatro português, no cinema e na televisão. A sua presença constante em produções de grande visibilidade e a sua dedicação a projetos inovadores confirmam o seu lugar de destaque no panorama artístico português.
Por todas estas razões é uma grande honra para a Voz do Operário passar a contar com tão prestigiada Sócia Honorária, estando a cerimónia agendada para o próximo dia 21, com a tradicional sessão solene e jantar, para a qual convidamos os sócios e amigos.
Comemoramos os 143 anos de história d’A Voz do Operário, honrando os desígnios dos seus fundadores e prosseguindo o legado de quem sonhou tão rico projeto.
