Se abril é o mês da nossa revolução, devia ajudar-nos a refletir sobre o futuro que queremos. Num contexto adverso, em que os líderes da União Europeia fazem soar os tambores da guerra, não podemos permitir que a indiferença ou a histeria belicista determinem as nossas vidas. Com uma importante eleição à porta, a 18 de maio, para escolher os deputados que vão compor a próxima legislatura na Assembleia da República, a defesa da paz deve ser uma exigência de todos nós aos partidos políticos. Enquanto a Ucrânia e a Rússia discutem a paz, com a mediação de Washington, Bruxelas e Londres preferem apostar no rearmamento da União Europeia e incendiar o ambiente político na Europa. Ursula Von der Leyen, com um discurso de extrema-direita, pretende reunir 800 mil milhões de euros que não serão, certamente, retirados dos lucros dos grandes grupos económicos e financeiros.

Será com o assalto aos bolsos dos trabalhadores e aos orçamentos dos serviços públicos que os governos alinhados com esta estratégia vão querer fazer disparar o investimento na indústria da morte. Se é contra a Rússia que a União Europeia e Londres querem instrumentalizar o medo dos seus cidadãos então convém recordar que países como a Alemanha, França e Reino Unido, juntos, gastam mais do que a Rússia em despesas militares.

Não podemos permitir que, uma vez mais, a pretexto de crises financeiras, pandemias ou guerras, os trabalhadores paguem a fatura, seja com o seu próprio sangue ou com mais exploração e retirada de direitos.

A revolução de Abril traduziu-se em avanços sociais e em melhorias substanciais das condições de vida dos trabalhadores e das populações. Cabe-nos resistir e lutar para que os nossos governos se sacrifiquem não pelos interesses das elites económicas e financeiras mas pelos interesses de quem cá vive e trabalha. Em vez de promover a exploração e a guerra, precisamos de quem promova os fim das desigualdades e de quem aposte na paz.

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