O Hezbollah é o primeiro grupo do mundo a erguer-se em apoio a Gaza. A 8 de Outubro de 2023, dá início aos seus ataques contra alvos militares israelitas no norte da Palestina ocupada e, assim, força o regime sionista a mobilizar parte das suas forças para a fronteira com o Líbano – dando à resistência palestiniana em Gaza uma maior chance de resistir ao poderio da máquina de guerra israelita.
A decisão do movimento de Resistência Islâmica libanês é motivada pelo dever moral de apoiar o povo palestiniano e pela compreensão de que, caso israel fosse bem-sucedido no seu plano genocida em Gaza, o Líbano seria o alvo seguinte. E, se isso sempre foi claro para os xiitas, para o resto da população vai-se tornando mais evidente com o tempo.
Como habitual, o regime sionista faz o povo libanês pagar caro a sua solidariedade com a Palestina. Em Set/2024, dá-se o ataque dos pagers – o maior atentado terrorista da história do Líbano. Dias depois, a aviação israelita larga sobre os subúrbios de Beirute 80 toneladas de bombas bunker-busters norte-americanas (transportadas por território europeu) para assassinar o secretário-geral do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah.
Nos dois meses seguintes, os combatentes da resistência repelem uma tentativa de invasão para a qual israel mobilizara centenas de milhares de tropas. Para compensar as derrotas no campo de batalha, os israelitas destroem milhares de casas, arrasam aldeias inteiras e matam milhares de pessoas. Apesar de a população xiita ser a mais massacrada, há vítimas em todos os sectores do povo libanês.
Fogo incessante
A 29/11/2024 tem início um “cessar-fogo” que, durante 15 meses, é pautado por demolições, assassinatos e bombardeamentos de equipamento de reconstrução, que se tornam parte do dia-a-dia no Sul do país, abandonado pelo governo libanês. Entre Nov/2024 e Fev/2026, contam-se mais de 400 mártires e de 15 mil violações israelitas do cessar-fogo.
E, durante 15 meses, o Hezbollah não dispara uma única bala ou rocket, dando oportunidade à diplomacia e às autoridades libanesas, nomeadas pelos seus patronos coloniais, para se provarem inúteis no confronto da agressão israelita. Analistas ocidentais interpretam a ausência de retaliações como um sinal de fraqueza da resistência libanesa.
Antecipando uma nova invasão como parte da guerra israelo-americana contra o Irão e o Eixo da Resistência, o Hezbollah toma a iniciativa a 2 de Março. Após os primeiros rockets retaliatórios disparados desde o Líbano, o regime sionista põe em marcha a sua nova e pré-planeada invasão.
Tal como em 2024, o Hezbollah impõe elevados custos à ocupação, que paga os pequenos avanços simbólicos ao longo da fronteira com centenas de baixas nas suas fileiras, entre mortos e feridos. Entre 02/03 e 16/04, 188 tanques, 16 bulldozers e 21 Humvees são atingidos pela resistência.
Nova campanha genocida
Face à incapacidade de conquistar vitórias decisivas no Sul do Líbano, o regime sionista descarrega a sua frustração nos civis. São emitidas ordens de evacuação, seguidas de bombardeamentos massivos, para o sul do Líbano, o vale de Beqqa e os subúrbios de Beirute, que causam 1,2 milhões de deslocados internos no país. Ataques israelitas destroem todas as pontes que ligam o Sul ao resto do país, numa tentativa de dificultar o abastecimento dos combatentes na linha da frente.
Em mês e meio de guerra, Israel arrasa dezenas de aldeias, bombardeia infra-estruturas civis em todo o país e danifica mais de 40 mil habitações. Dezenas de prédios são reduzidos a escombros, e famílias inteiras são obliteradas – à semelhança do que o mundo normalizou em Gaza.
As atrocidades são demasiadas para serem aqui listadas, mas alguns exemplos de vítimas da barbárie sionista deixam claro que esta não é uma guerra contra “terroristas islâmicos”: inúmeros cristãos, incluindo um padre; um pintor; agricultores nas suas terras; o director de uma faculdade; e soldados do exército libanês – apesar de o exército, às ordens do governo fantoche em Beirute, bater em retirada sempre que o inimigo avança para território libanês.
O mais preocupante é a forma descarada como Israel anuncia que considera as ambulâncias alvos legítimos pois, supostamente, são usadas “para transportar terroristas do Hezbollah”. Nestes dois meses, centenas de ataques atingem ambulâncias, centros de saúde, hospitais e equipas de socorro. Mais de 100 profissionais de saúde são assassinados.
E os jornalistas, claro. Para Israel, são todos “espiões do Hezbollah” – novos e velhos, mulheres e homens. Este jornal inteiro não seria suficiente para fazer jus à memória dos e das nossas colegas caídas no Líbano. Entre os 8 jornalistas libaneses martirizados desde o início de Março, três nomes se destacam: Ali Shoeib, Fatima Ftouni e Amal Khalil.
O fim da impunidade
O cessar-fogo entre o Irão e o Império entra em vigor a 08/04 e, supostamente, inclui também o Líbano. 12 horas após Trump o anunciar, Israel leva a cabo uma centena de bombardeamentos de norte a sul do país. Na capital, áreas não-xiitas (normalmente consideradas seguras) também são atingidas. Mais de 370 mortos em apenas 10 minutos. E os ataques continuam.
A 17/04 tem início um novo “cessar-fogo” no Líbano – mas os ataques, assassinatos e demolições continuam. Quatro dias depois, o Hezbollah anuncia o fim da era da paciência estratégica – e começa a retaliar contra as violações com ataques a posições israelitas no Sul do Líbano e no norte da Palestina ocupada. Já mais de uma centena de soldados israelitas foram feridos no que é, nestes dois anos e meio, o primeiro cessar-fogo que israel não tem carta branca para violar sem consequências.
No que ao Hezbollah diz respeito, a era da impunidade acabou.
