Editorial

Editorial

Estudos feitos à medida

Um estudo sobre a sustentabilidade da segurança social encomendado pelo governo destapa, uma vez mais, a desonestidade do executivo liderado por Luís Montenegro. O processo de tentativa de impor uma reforma da legislação laboral passou pelas mesmas etapas. Estudos encomendados à medida e desinformação na comunicação social para tentar convencer quem trabalha de que as propostas do governo visam proteger a maioria dos portugueses e não a minoria de privados que serve de bússula política a Luís Montenegro. O objetivo encapotado, também desta vez, não é novo. A privatização da segurança social está há décadas nos planos dos grandes grupos económicos e financeiros e dos partidos que os representam. Um estudo da Organização Internacional do Trabalho mostrou que cerca de 60% dos países que privatizaram as suas pensões entre 1981 e 2014 tiveram de voltar atrás após o colapso dos indicadores sociais e económicos. Como em vários setores, o governo procura testar as águas para ver se há condições para entregar as reformas e as pensões dos trabalhadores a empresas privadas. Fá-lo também com os transportes, com a saúde, com a educação, seguindo a receita neoliberal que diferentes governos, tanto do PSD como do PS, levaram a cabo, sobretudo durante os mandatos de Cavaco Silva e de Passos Coelho. O caminho que se impõe é a valorização dos serviços públicos e a recuperação da capacidade produtiva e dos setores estratégicos com a intervenção do Estado.

Artigos Relacionados