Saiba que sempre que liga a TV, no conforto do sofá, e se propõe, por exemplo, ver uma série, um filme ou mesmo um simples documentário, saiba que a legendagem é feita por profissionais altamente qualificados, mas que trabalham em situações precárias e auferem rendimentos muito baixos, sobretudo para o grau de especialidade desta profissão. Dominam as várias línguas, têm de adquirir conhecimento técnico dos diversos assuntos sobre os quais versam os vídeos e são eles que produzem todo o trabalho que permitem que surdos e cegos tenham acesso ao filme ou documentário.
“A precariedade destes profissionais é quase absoluta”, diz-nos Tiago Sequeira, recém-eleito presidente da ATAV e acrescenta, “sem uma legislação específica que os proteja da exposição à arbitrariedade das grandes empresas do audiovisual”. Na sua esmagadora maioria estes profissionais do audiovisual trabalham por conta própria, negoceiam diretamente com as empresas de tradução e legendagem o preço por minuto de filme. “Bom, na verdade”, diz-nos, “a maioria das vezes são as empresas que definem o preço”.
E é por isso que Tiago Sequeira defende a necessidade de a ATAV sentar-se à mesa com as empresas para negociar melhores condições de trabalho. “Para se ter uma ideia a RTP, que é uma das empresas maiores do setor, que tem alguns profissionais no quadro, mas que recorre muitas vezes ao nosso trabalho, tem uma tabela de pagamentos que já não é atualizada há pelo menos 20 anos”.
A Associação de Tradutores do Audiovisual reuniu a sua Assembleia Geral Ordinária no passado dia 21 de março, na Voz do Operário, em Lisboa. Tem já marcado para outubro, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, uma Conferência, que realiza de dois em dois anos, neste ano ela é designada “Construir Pontes”, e irá debater entre outras questões a Inteligência Artificial e de como afeta a profissão.
