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A Voz do Operário celebra 147 anos

Cerca de uma centena de pessoas participou no aniversário do jornal fundado em 1879 por operários tabaqueiros.

Com a sala cheia, o programa Comentadores, do AbrilAbril, foi emitido em direto n’A Voz do Operário seguido de um debate sobre jornalismo e a extrema-direita. A celebração dos 147 anos do jornal continuou com os djs Tveryfriday e Workers Festival e a exibição de uma exposição de ilustrações de Luís Alves ao longo de várias edições d’A Voz do Operário.

A Voz do Operário é uma prova de resistência e fidelidade à luta por um mundo melhor. Em 1879, Custódio Gomes, um operário analfabeto sugeriu a criação de uma publicação que desse voz à revolta dos trabalhadores explorados. A 11 de outubro, apenas oito anos depois da Comuna de Paris, surgiu A Voz do Operário, que teve como primeiro diretor Custódio Braz Pacheco. Como afirmou o sindicalista José Gregório de Almeida, em 1938, A Voz do Operário nasceu “da luta dos trabalhadores das fábricas de tabaco”.

“Pugnar denodamente pelos interesses materiais e morais da classe que representa; concorrer quanto possível para a educação profissional e moral da classe operária e instrução do povo, defender os que sofrerem injustiças, vexames e violências; promover o desenvolvimento da indústria e do comércio, e trabalhar incessantemente para o bem estar social em harmonia com o presente programa”, proclamou Custódio Braz Pacheco ao anunciar o novo jornal.

Quase meio século e meio depois, o jornal A Voz do Operário mantém-se fiel aos princípios dos seus fundadores dando voz aos trabalhadores e às camadas sociais mais silenciadas pela generalidade dos órgãos de comunicação social. Num contexto político e mediático dominado na sua maioria pelos interesses dos grupos económicos e financeiros, A Voz do Operário é hoje o mais antigo título operário em circulação e um dos 10 jornais mais antigos do país.

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