Editorial

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Não é incompetência, é opção política

Os atrasos na avaliação dos exames nacionais devido à introdução de um modelo digital que expôs falhas técnicas e operacionais revelou, uma vez mais, que as decisões políticas podem ser más e, ainda assim, não serem fruto de incompetência. Quando olhamos para o caos no Serviço Nacional de Saúde, para a forma como o Estado não conseguiu estar preparado para responder à tormenta que assolou parte do país ou para as falhas constantes noutros setores públicos, percebemos que não é incompetência. É estratégia. Ao longo de décadas, a justificação apresentada pelos sucessivos governos para privatizar tem sido sempre a incapacidade do Estado para dar resposta aos problemas do país e o custo dos serviços. Depois das privatizações, o resultado é óbvio: não só a resposta é pior, o custo para os utentes é muito maior, tornando as respostas inacessíveis a uma parte da população, e, na maioria das vezes, a empresa privada recebe financiamento do Estado. É o pior dos mundos para a população e o melhor dos mundos para o setor privado. Por isso, se olharmos atentamente para a prestação de ministros que têm estado no centro de várias polémicas conseguimos perceber, como se não tivesse sido já bastante óbvio com o Pacote Laboral, que este governo trabalha para as grandes empresas e que a degradação das funções sociais do Estado é uma opção para estender a passadeira vermelha à privatização progressiva de vastos setores que são essenciais para a nossa vida e que não podem estar nas mãos de quem tem o lucro como prioridade.

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