O caso Maricarmens, uma mulher de 87 anos que vivia na sua casa há mais de 70 e que foi despejada no passado dia 23 de setembro, levou a população à rua em Madrid. Deu a volta ao mundo a imagem de Maricarmen numa maca de ambulância, a ser expulsa de forma violenta pela polícia de choque da casa onde viveu toda a sua vida. Esta violentação do direito à habitação de uma octogenária, pelas mãos da polícia, a mando de um fundo imobiliário, levou a que centenas de mulheres e homens do Sindicato de Inquilinos tentassem parar o despejo e a revolta espalhou-se como pólvora. Milhares de pessoas decidiram ocupar uma das praças mais centrais de Madrid e conseguiram que o fundo imobiliário realojasse Maricarmen na sua casa. O governo viu-se obrigado a aprovar novas regras para combater a especulação imobiliária, mas os manifestantes dizem que não chega e que são medidas de pouco alcance.
Em Portugal a situação é ainda pior. O movimento Vida Justa recordou que também em Portugal há Maricarmens e apelou à luta contra os despejos, recordando que só no ano passado foram despejadas 1445 famílias e que a média do preço das rendas na Grande Lisboa é de 1685 euros por mês. Simultaneamente, o movimento alertou para a existência de cada vez mais pessoas a morar na rua, assim como crianças retiradas às famílias por ausência de habitação.
Por outro lado, o movimento Porta a Porta anunciou manifestações para 14 de novembro contra as mudanças propostas pelo governo nas regras do arrendamento. O movimento pelo direito à habitação disse estar mobilizado e preparado para que a luta, agora que, na Assembleia da República, governo e CHEGA, aprovaram a proposta que vai retirar limites à subida das rendas e agilizar ainda mais os despejos.
Com o apoio dos mais importantes fundos imobiliários e grupos financeiros, o primeiro-ministro afirmou que vai levar a sua política de habitação “até ao fim”, o que significa, segundo o movimento, a multiplicação de despejos.
