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Irão lidera confronto épico entre as forças da Resistência e o Império genocida ocidental

A guerra que decidirá o curso do mundo foi iniciada pelo Império a 28 de Fevereiro – mas é a Resistência que vai decidir quando terminará.

Quem se informar nos media ocidentais, dificilmente conseguirá fazer sentido da realidade. Durante anos, venderam-nos a ideia de um “regime iraniano” autoritário, corrupto e sem apoio popular – mas a realidade material estilhaça a propaganda ocidental.

A República Islâmica do Irão, governada pelas ditas “elites corruptas”, providencia ao povo educação gratuita (incluindo superior), saúde pública universal de qualidade, e reforma aos 55 anos para mulheres e aos 62 para homens – que as massas do “mundo livre” nunca terão. A liderança iraniana não só conseguiu manter um grande leque de serviços e apoios sociais apesar de décadas de sanções, como preparou o país para enfrentar esta guerra que agora lhe foi imposta pela maior potência militar do mundo.

Um mês após o início da guerra, apesar dos bombardeamentos que vão destruindo infra-estruturas civis e edifícios residenciais, a vida em todo o Irão decorre dentro da normalidade possível, com os comércios abertos e sem falta de bens essenciais nos mercados ou de combustível nas bombas de gasolina. Todos os dias há grandes manifestações de apoio ao governo e às forças armadas, que exigem retaliações devastadoras contra israel e os EUA e rejeitam qualquer compromisso com o inimigo.

Apesar de muitos dos “tiranos” terem sido assassinados, o anunciado colapso da República Islâmica do Irão não chegou. Muitos desses ditos “déspotas corruptos” passaram a vida a preparar o país para enfrentar este momento – mesmo sabendo que, a qualquer momento, podiam ser assassinados pelo regime mais tirânico à face da terra, e que não estariam cá para colher os frutos da vitória sobre o Grande Satã.

Khamenei foi assassinado na sua residência nas primeiras horas da guerra, junto com vários familiares. Na madrugada seguinte, duas horas após o anúncio do seu martírio, nas ruas de Teerão havia já um mar de gente que chorava a morte do seu líder e exigia vingança.

A 13 de Março, Pezeshkian, Ali Larijani, Araghchi e várias outras figuras de estado, nas suas primeiras aparições públicas desde o início da guerra, marcharam no meio do seu povo no Dia Internacional de Al-Quds (Jerusalém), que juntou milhões de pessoas em todo o Irão, reafirmando o compromisso da República Islâmica com a libertação da Palestina – mesmo sob o risco de assassinato.

Resistência desmantela infra-estrutura do Império na região

Desde as primeiras horas da guerra, as forças armadas iranianas e as IRGC puseram em marcha o desmantelamento metódico da infra-estrutura norte-americana e israelita em toda a região. Primeiro, os sistemas de radar nas bases norte-americanas no Golfo Pérsico, que permitiam monitorizar os lançamentos de mísseis iranianos, e depois o progressivo desmantelamento do resto das estruturas das bases. Hotéis e arranha-céus que alojavam tropas norte-americanas também foram atacados, assim como um grande leque de alvos do complexo militar israelita na Palestina ocupada.

Várias forças do Eixo da Resistência juntaram-se à batalha, pois entendem que esta guerra é existencial e que, se o Irão caísse, o Líbano, o Iémen e a Palestina ficariam completamente isolados. Afinal, o Irão é o único país que apoia as forças da região que confrontam o imperialismo ocidental.

A intensidade e frequência dos ataques da Resistência levou vários países (como a Espanha, Itália e Polónia), e a própria NATO, a evacuar as suas forças do Iraque. Os EUA abandonaram todas as posições no Iraque, excepto no Curdistão iraquiano, e coordenam agora as operações a partir da Jordânia e da colónia sionista – com o próprio New York Times a admitir que “muitas das 13 bases militares da região utilizadas pelas tropas americanas estão praticamente inabitáveis”. Com boa parte dos sistemas de radar destruídos e os sistemas anti-aéreos cada vez mais esgotados, muitas das forças americanas são agora forçadas a trabalhar “remotamente”.

Após ano e meio a ouvir analistas ocidentais a anunciar o fim do Hezbollah, a resistência libanesa surpreendeu até os seus mais fervorosos apoiantes com uma entrada poderosa na guerra, confrontando a invasão israelita ao longo da fronteira, infligindo pesadas baixas nas fileiras da ocupação, e destruindo ou danificando mais de 150 tanques merkava em menos de um mês. Em paralelo, o Hezbollah ataca diariamente alvos no interior da Palestina ocupada com drones e mísseis – a 18 de Março, um míssil libanês atingiu pela primeira vez na História um alvo em Asqalan (ashkelon), junto ao campo de concentração de Gaza, a 200 km da fronteira libanesa.

Nos EAU, Bahrain, Qatar, Kuwait e Jordânia, jornalistas, artistas, académicos e centenas de pessoas comuns foram detidas por manifestar apoio ao Irão, homenagear Khamenei, criticar os seus governos por interceptarem mísseis dirigidos à entidade sionista, ou somente por gravarem impactos de mísseis iranianos. Alguns foram torturados até à morte. Fica assim evidente quais são os regimes realmente despóticos e repressivos da região. Graças à falta de liberdade de imprensa nas monarquias do Golfo, nem sequer é possível saber exactamente quantas pessoas foram detidas, ou o que lhes aconteceu.

De Washington, Trump afirma desesperadamente que o Irão quer negociar – enquanto a liderança iraniana reitera diariamente que só aceitará terminar a guerra quando forem garantidas cinco condições: o completo cessar das agressões; o encerramento das bases americanas na região; o pagamento de indemnizações de guerra; o reconhecimento da soberania iraniana sobre o Estreito de Ormuz; e o fim definitivo da guerra em todas a frentes envolvendo forças da Resistência (incluindo Líbano, Iémen e Palestina).

O castelo de cartas somos nós.

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