Sociedade

Clima e Energia

Portugal, a UE e as Alterações Climáticas

Em vez de criar um plano estrutural sério de combate e promover a prevenção das catástrofes ambientais, Portugal e a UE apostam apenas em atirar dinheiro ao problema e em responsabilizar os indivíduos.

Portugal e a UE têm sido afetados pelas alterações climáticas. A resposta aos impactos dos desastres climáticos tem assumido duas vertentes dentro do espaço da UE: atirar dinheiro ao problema sem um plano estrutural de fundo que ajude a combater estas catástrofes no futuro – priorizando principalmente a iniciativa individual da população. As políticas europeias nesta matéria estão quase inteiramente ligadas à resposta a catástrofes e pouco ligadas à prevenção. A resposta de Portugal às catástrofes será em linha com as ordens em Bruxelas, sem espaço à iniciativa nacional.

A resposta de Portugal aos estragos das tempestades

Os enormes problemas causados pela sequência de tempestades que afetou o nosso país em Fevereiro continuam sem resolução. As seguradoras tinham milhares de processos por resolver em meados de Junho. Os apoios prometidos, para reconstrução, pelo regime do Montenegro, sabemos que em Julho estava ainda um terço das candidaturas por solucionar. Como vem sendo habitual, nenhum membro do governo terá responsabilidade. Vão sempre tratar de tudo no virar da esquina. No entanto, a população continua a ser prejudicada por tanta incompetência.

As tempestades tiraram areia às praias, alterando permanentemente a sua estrutura. A colocação de areia extra é um triste exemplo de como atirar dinheiro ao problema. Foram gastos cerca de 174 milhões de euros na reposição de areias antes da época balnear. Novas tempestades virão nos próximos anos e os milhares de euros enterrados nessa areia serão inúteis.

As ondas de calor na Europa

A Europa já enfrentou quatro ondas de calor. As recomendações das autoridades foram: fique em casa, permaneça na sombra, beba água. Os conselhos à ação individual não param, enquanto as ações governamentais não são tomadas. Aliás, o regime de Montenegro recusou mudar as leis para proteger quem trabalha ao sol e calor abrasador. Já a UE estudou, viu e fez… Nada! O que é agravado pela legislação de muitos países não contemplarem a possibilidade de alterações laborais perante as ondas de calor. Em resultado desta inação tivemos um excesso de mortalidade, com mais de 30 mil mortes devido ao calor.

Em consequência do calor, o Reno e seus tributários estão com níveis de água muito baixos. Esta seca afeta o transporte de pessoas e bens, que foram adiados, reduzidos ou cancelados. O Danúbio está igualmente com níveis muito baixos de água, levando a problemas de geração de energia na Hungria, Roménia e Áustria.

O problema dos fogos florestais

Portugal continua a não ser poupado aos fogos, sendo este o ano com o terceiro valor mais alto de área ardida em 10 anos. Em Junho era já claro que os bombeiros Europeus estavam a enfrentar problemas. A UE planeava colocar 777 bombeiros em serviço para enfrentar a época de fogos. Até aqui tudo bem, mas com bombeiros treinados e não contratados, outros contratados, porém, sem tarefas atribuídas, não foi um bom início. Os bombeiros Franceses tinham pedido mais fundos, coordenação nacional e mais contratações em Maio deste ano. Os Portugueses queixam-se dos baixos salários e falta de meios para o combate aos incêndios – um bombeiro voluntário ganha cerca de 3,5 euros por hora . Os Espanhóis pedem melhores salários e mais contratações. Os pedidos não foram atendidos na totalidade.

Em Espanha já arderam cerca de 297 mil hectares, o que representa 48,1% do total em toda a UE. Em Julho de 2026 era o país da UE com mais incêndios. Em França os fogos obrigaram a evacuar mais de 224 mil pessoas, naquela que já foi considerada a maior evacuação fora de tempo de guerra. Na ilha de Creta já são 8000 as pessoas evacuadas por causa dos incêndios. Claramente algo está a falhar.

A inoperância, a cegueira ideológica liberal e a falta de vontade política estão a dar os resultados esperados. A União Europeia regista cerca de um milhão de hectares de área ardida, o dobro da média anual em 20 anos . Esta intensidade e frequência levam a que a cooperação entre governos e programas internacionais comece a ser insuficiente para tantos incêndios. Entretanto, as seguradoras e financeiras consideram tornar o financiamento para enfrentar catástrofes num jogo de bolsa, onde os investidores podem fazer lucros. Quando houver perdas, é expectável que sejam os cidadãos da UE a pagar.

O fenómeno El Niño continua a intensificar-se, criando a possibilidade de problemas sérios para o nosso país até ao fim do ano e início do próximo. As tempestades do início do ano afetaram a capacidade de produção agrícola – as exportações portuguesas de frutas e legumes sofreram uma quebra de 3,5% para 1.226 milhões de euros no primeiro semestre, resultado das tempestades. A guerra contra o Irão está a impactar negativamente a produção agrícola global. Os preços da alimentação não param de subir e há a hipótese de falhas de abastecimento. De notar ainda que as recentes ondas de calor já levaram à destruição forçada de 9 milhões de toneladas de cereais, só na Europa.

As catástrofes associadas às alterações climáticas já são uma realidade, com tendência a aumentar. O que fez a UE para atenuar este problema, ou enfrentá-lo? Claramente não o suficiente. A Alemanha, a maior economia da UE, decidiu reiniciar as centrais a carvão. Um crime ambiental que levou este país a tornar-se o quarto maior consumidor mundial de carvão. Quatro anos desde o princípio da guerra da Ucrania e a Alemanha está a considerar aumentar o consumo de carvão. Assim vai a transição ambiental e mitigação de catástrofes da UE…

Artigos Relacionados