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E se vivessemos na Suécia?

Sempre, ou quase sempre, ao chegamos a uma paragem de autocarro em Lisboa assalta-nos uma dúvida: quando virá o autocarro em que pretendemos deslocar-nos?

Nalgumas, poucas, paragens, existe uma informação a funcionar que por vezes sofre alterações, normalmente para pior.

Quantas vezes somos assaltados pela ideia de encontrar uma alternativa?

Tudo isto porque a regularidade do serviço dos transportes urbanos é uma componente importantíssima da qualidade de serviço, mas normalmente ignorada.

A falta de regularidade nos transportes é um fator de agravamento do tempo gasto nas deslocações, ultrapassando por vezes o do percurso efetivo.

Existem horários afixados nos abrigos, mas a fiabilidade da informação deixa muito a desejar.

Claro que a responsabilidade pela resolução deste problema cai muito mais na alçada da Câmara Municipal de Lisboa do que na da Carris, pois a gestão do tráfego na cidade pertence à primeira.

Nesta área, tal como noutras, o desempenho da Câmara é desastroso. Veja-se a velocidade comercial dos autocarros que em 2022, primeiro ano da gestão Moedas, foi aproximadamente 14,15 km/h e em 2024 ficou-se por 13,71 km/h, novo mínimo para aquele tipo de transporte desde 2020. Mas esta é outra matéria e fica para outro momento.

A gestão do espaço urbano, também na circulação de veículos, sendo quase exclusiva da Câmara não isenta a Carris da responsabilidade de informar.

Pode dizer-se que há uma aplicação com a localização dos veículos por carreiras, mas para ser uma solução teremos de assumir que os telemóveis são computadores de bolso, esquecendo a média etária da população.

Este estado de coisas traz-me à memória o que me contou um colega que no início da carreira profissional foi fazer um curso de especialização à Suécia.

Num dia de inverno, após o período laboral, ele mais alguns colegas ficaram a conversar no local de trabalho.

A dado momento um dos do grupo disse: vamos embora que faltam 3 minutos para o autocarro.

A primeira reação dele foi de surpresa. Então os autocarros têm este rigor no horário?

Porém, bastou uma pequena reflexão para concluir: claro, com a temperatura que está lá fora quem tivesse de ficar muito tempo a aguardar pelo transporte, já não precisaria do autocarro, mas duma ambulância pois a hipotermia a isso obrigaria.

Felizmente vivemos em Lisboa o clima não é o da Suécia.

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