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Aliança dos Estados do Sahel denuncia imperialismo francês

A Aliança dos Estados do Sahel (AES), formada pelo Níger, Mali e Burkina Faso, acusa o imperialismo francês de levar a cabo uma campanha de desestabilização desses países oeste-africanos e de financiar grupos armados com o objectivo de minar os projectos soberanos na região.

O presidente do Níger, Abdourahamane Tiani, denunciou publicamente que os recentes e graves ataques armados perpetrados contra o aeroporto internacional de Niamey foram executados por mercenários financiados, treinados e armados pelo governo da França.

Segundo o chefe do Estado nigerino, citado pela Telesur, os serviços de inteligência franceses forneceram aos assaltantes sofisticados equipamentos de comunicações para coordenar as sabotagens levadas a cabo em Janeiro e Junho deste ano contra alvos na capital. Acusou também o presidente francês, Emmanuel Macron, de manter uma contundente «guerra informativa» com o propósito deliberado de derrubar o governo do Níger, como retaliação pela expulsão das tropas francesas e a consolidação de uma agenda de independência e soberania.

As declarações de Tiani relevam a persistente aposta hegemónica de Paris para preservar os seus interesses estratégicos e económicos no Sahel e no norte de África. Depois de perder a sua presença militar directa em países como Mali, Burkina Faso e Níger – assinalam analistas –, a França recorre à desestabilização planeada e ao financiamento não oficial de bandos armados visando socavar os projectos soberanos na África Ocidental.

A acusação da ingerência encoberta da França destaca que os mercenários ao serviço da potência europeia contaram não só com financiamento mas também com suporte operacional dos serviços secretos ocidentais para infiltrar infraestruturas críticas africanas.

Ao denunciar o uso sistemático da desinformação e as operações encobertas, o governo de Niamey ratificou que a luta por consolidar a boa governação e a soberania plena no Sahel continuará apesar das constantes tentativas estrangeiras para impor de novo o controlo neocolonial sobre as antigas possessões em África.

Ucrânia treina terroristas malianos

As autoridades do Mali afirmam que possuem provas que vinculam terroristas que operam no país saleliano com treino recebido na Ucrânia.

Em meados de Julho, o vice-presidente da Comissão de Defesa maliana, Fousseynou Ouattara, revelou que os organismos de segurança em Bamako identificaram indivíduos que foram treinados especificamente para o uso de drones kamikaze, de fabrico ucraniano, utilizados em ataques terroristas contra alvos no Mali. Indicou que grupos armados a operar nesse país recebem treino proporcionado por especialistas da Legião Estrangeira Francesa e instrutores ucranianos.

Burkina Faso rompe relações com França

O governo de Burkina Faso anunciou a 26 de Junho a «ruptura imediata» das relações diplomáticas com a França, perante as suas contínuas pretensões neocolonialistas no território do Sahel.

A decisão responde a uma avaliação exaustiva que determinou a ausência absoluta de condições essenciais para manter uma aliança baseada no respeito mútuo, na confiança, na soberania nacional e na não ingerência nos assuntos internos. Mais: «Esta situação reflecte-se, entre outras coisas, no activismo implacável do regime no poder em França contra os interesses do Burkina Faso, nas suas ambições neocoloniais e no seu apoio a redes subversivas e terroristas que causam sofrimento ao nosso país e ao Sahel».

Segundo Uagadugu, «perante estes objectivos imperialistas de dominar o nosso país e subjugar o nosso povo, optámos pela responsabilidade e a soberania».

Este corte de relações diplomáticas consolida o processo de distanciamento soberano do Burkina Faso, do Mali e do Níger em relação à França. A partir de 2022, os três países, que passaram a ser governados por militares, com apoio popular, expulsaram as tropas francesas e norte-americanas, encerraram as suas bases militares, suspenderam nos seus territórios a transmissão de rádios e televisões francesas, abandonaram a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (Cedeao), estabeleceram entre si um pacto de defesa, constituíram a AES – que caminha para uma confederação –, adoptaram medidas para melhor beneficiar das suas próprias riquezas naturais (o urânio nigerino, o ouro burquinês e maliano…) e estabeleceram uma política externa independente.

AES e Chade retiram-se do TPI

O Tribunal Penal Internacional (TPI), guiado pelas aspirações neocolonialistas do Ocidente, actua sobretudo contra o Sul Global, considera um politólogo burquinês, Imhotep Bayala, citado pela Sputnik.

De acordo com o especialista, o TPI converteu-se numa «ferramenta para perseguir os africanos», pelo que Níger, Mali e Burkina Faso tomaram uma decisão «audaz e soberana» ao retirar-se do organismo, um «instrumento do neocolonialismo». Esses Estados, opinou, «já não querem fazer parte de um tribunal penal impulsionado por motivações racistas e neocoloniais, (…) um instrumento de opressão nas mãos de umas poucas pessoas e de uns poucos países ocidentais».

Outro país saheliano, o Chade, decidiu, em finais de Julho, retirar-se do Estatuto de Roma e do TPI, numa «reafirmação da soberania e independência» do país. Considerou que a acção do tribunal é «ineficaz e tendenciosa» em relação ao Sul Global em geral e à África em particular.

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