Mais de cinquenta anos depois do 25 de Abril de 1974, a Voz do Operário continua a assinalar esta data com um programa educativo que cruza memória, participação e criatividade. Ao longo do mês de abril, crianças de diferentes idades são envolvidas em atividades que procuram dar sentido à palavra liberdade, não como conceito abstrato, mas como experiência vivida.
Uma das linhas orientadoras destas comemorações é a ligação à comunidade. Em vários espaços, famílias e convidados que viveram a Revolução são chamados a partilhar testemunhos, aproximando a história das crianças de forma concreta.
No Lavradio, o livro Galochas Vermelhas serviu de ponto de partida para a exploração do tema. As crianças visitaram uma florista para adquirir cravos e participaram na construção de uma “Árvore da Liberdade”, reunindo mensagens e desenhos das famílias.
Na Baixa da Banheira, o mesmo livro deu origem a sessões de hora do conto, complementadas, no dia 24 de abril, com a ida ao teatro para assistir a um espetáculo alusivo à data.
No Laranjeiro, a celebração ganhou expressão artística e comunitária. As crianças cantaram e dançaram a canção da gaivota, acompanhadas por acordeão, com apresentações entre valências. As mais velhas saíram à rua para distribuir um jornal, levando a mensagem de Abril à comunidade. Foi ainda criada uma galeria de fotografias a preto e branco com símbolos do 25 de Abril em acetato. Na creche, uma pintura coletiva deu origem a um mural onde as famílias foram convidadas a escrever o que significa liberdade.
Na Creche da Ajuda, o mês foi marcado por momentos de partilha com as famílias, música de Abril nas salas, leitura de histórias como Migrante e ateliers de construção de cravos.
Já nas creches da Ilha dos Amores, Quinta dos Ourives e Graça, a celebração estendeu-se ao espaço público, com arruadas e distribuição de cravos, acompanhadas por atividades de expressão plástica e musical.
Nos 1.º e 2.º ciclos da Graça, as iniciativas centraram-se na reflexão crítica: debates sobre liberdade, testemunhos de convidados, simulações de aulas no período pré-25 de Abril, construção de murais e trabalhos escritos e visuais. Os alunos participaram ainda em atividades promovidas pela junta de freguesia e integraram um espetáculo musical na Praça Paiva Couceiro, no dia 24 de abril.
Na escola da Calçada da Ajuda, destacou-se a participação no Coro Missão para a Democracia, no Centro Cultural de Belém, bem como oficinas de cartazes com envolvimento das famílias.
Ao longo de todas estas iniciativas, há um denominador comum: fazer com que cada criança compreenda que a liberdade não é um dado adquirido, mas um valor que exige memória, participação e responsabilidade.
Mais do que assinalar uma data, a Voz do Operário procura, assim, formar cidadãos conscientes, capazes de reconhecer o significado do 25 de Abril. Ontem, hoje e no futuro.
