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Uma Voz há 143 anos ao lado da comunidade

A Voz do Operário celebrou 143 anos de uma longa trajetória alicerçada na luta dos operários tabaqueiros e que se projeta, no presente, como uma instituição de mérito, valorizada e reconhecida pelas autoridades, mas, sobretudo, pela comunidade onde se insere.

Depois de fundarem o jornal A Voz do Operário em 1879, os mesmos operários tabaqueiros decidiram quatro anos depois criar uma associação com o mesmo nome dedicada à educação e ao apoio social dos trabalhadores. Foi há 143 anos e, provavelmente, não teriam noção de quão pujante estaria a instituição que fundaram quase século e meio depois.

Os oito espaços d’A Voz do Operário fizeram questão de marcar a data com diferentes atividades, mostrando a vitalidade da instituição, e o salão de festas do edifício inaugurado em 1932 encheu-se, uma vez mais, este ano, para assinalar o aniversário d’A Voz do Operário com gente diversa do mundo do sindicalismo, do trabalho, das artes, da ciência, do associativismo e da luta contra o fascismo, entre outros. Para alguns terá sido a primeira visita, para outros um regresso e para muitos a casa onde todos os dias lutam por um mundo melhor, entre eles, meia centena de trabalhadores que não quis deixar de celebrar a instituição que segue fiel aos princípios dos seus fundadores.

Como é já tradição, A Voz do Operário voltou a homenagear uma personalidade entregando-lhe o título de sócio honorário. Maria João Luís subiu ao palco para agradecer a distinção e quis recordar “o tempo em que não se tinha vergonha de se dizer operário”. Para a atriz, este foi um dia que vai ficar marcado na sua vida, uma vez que foi uma homenagem com muito significado para si. No seu discurso, lembrou o seu percurso no teatro, na poesia e na música e sublinhou que esperava que esta homenagem fosse também uma homenagem à liberdade e ao antifascismo. “Não sou xenófoba, sou do mundo”, afirmou. Antes de agradecer à sua família, amigos e a algumas das suas referências no mundo das artes, disse que quer ser feliz “agora” e que o mundo está “cada vez mais ameaçado e ameaçador”.

Houve tempo ainda para várias organizações e coletividades expressarem o seu apreço pel’A Voz do Operário. Foi o caso da CGTP-IN, principal central sindical nacional, da Confederação Portuguesa de Coletividades, Desporto, Cultura e Recreio, do Partido Comunista Português, da Junta de Freguesia de São Vicente, da União de Resistentes Antifascistas Portugueses e da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade entre outras.

Um dos momentos mais emotivos da noite foi o demorado aplauso à memória de Libério Domingues, presidente da Assembleia Geral d’A Voz do Operário que faleceu no ano passado. No seu discurso, Manuel Figueiredo, presidente da instituição, recordou esta morte como um momento “particularmente doloroso”, uma vez que se tratava de um “destacado companheiro de todas as lutas dos trabalhadores”. Libério Domingues, comunista e dirigente sindical, destacou Manuel Figueiredo, deixou um legado de “abnegação, generosidade, entrega e luta pelas causas dos mais desfavorecidos” que ficará “para sempre”.

O presidente d’A Voz do Operário sublinhou ainda o 50.º aniversário da Constituição da República Portuguesa, que se realiza em abril, destacando a sintonia com os princípios que nortearam a fundação da instituição: “a luta dos operários contra a exploração, emancipação dos povos, paz, liberdade, uma vida melhor, numa sociedade em que a pobreza e as profundas desigualdades sejam erradicadas”.

Para além do coro infantil que cantou algumas músicas, ainda houve tempo para cantar os parabéns à instituição com a voz punk de Maria João Luís e o desejo de muitos anos de vida.

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