Editorial

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Porta escancarada para a barbárie

O ataque dos Estados Unidos à Venezuela, o sequestro de Nicolás Maduro e de Cília Flores e o assassinato de civis não são apenas violações muito graves do direito internacional e enquadra-se numa vasta ofensiva de uma potência que ao ver a perda de influência à escala mundial usa a força para impôr o que já não consegue através da diplomacia.

A leitura de que a análise às decisões de Donald Trump devem ser do foro da psiquiatria esquece que o Presidente dos Estados Unidos é fruto da sua época e é o instrumento encontrado por uma parte importante da elite norte-americana para enfrentar os problemas do seu tempo. O desrespeito pelo direito internacional não é algo novo mas é cada vez mais evidente que impera a lei da força e, nesse contexto, a legitimação por parte muitos governos ocidentais, como o português, do sequestro de um presidente é escancarar a porta à barbárie. É o regresso ao século XIX. Os problemas dos venezuelanos devem ser resolvidos pelos próprios venezuelanos, sem ingerências externas, e o caminho que escolherem deve ser respeitado pelos demais países. Golpes de Estado, atentados, infiltração de mercenários, sanções, um bloqueio naval e, agora, um sequestro de um presidente é a receita do imperialismo norte-americano para fazer vergar o país com as maiores reservas de petróleo do planeta.

Por cá, temos eleições presidenciais no dia 18 de janeiro, com uma provável segunda volta, num tempo em que os trabalhadores, ameaçados por mais uma proposta de reforma laboral desenhada à medida dos patrões, precisam de estar unidos, como durante a greve geral, para escolher alguém capaz de fazer cumprir os direitos constitucionais conquistados durante a revolução.

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