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Greve geral encostou governo às cordas

A forte adesão à greve geral contra o Pacote Laboral realizada no dia 11 de dezembro deixou o executivo de Luís Montenegro ainda mais isolado. CGTP-IN volta a sair à rua no dia 13 de janeiro.

Se a retórica prévia à paralisação convocada pela CGTP-IN e pela UGT contra o Pacote Laboral por parte dos dois maiores partidos da Assembleia da República era de desvalorização absoluta e ataque, atribuindo à decisão das centrais sindicais motivação política, a forte adesão à greve geral veio isolar o governo. No fim da manifestação, em Lisboa, durante a paralisação, Tiago Oliveira, secretário-geral da CGTP-IN, informou que haviam parado 3 milhões de trabalhadores e afirmou que se estava perante “uma das maiores greves gerais de sempre”, uma “impressionante resposta do mundo do trabalho”.

Provavelmente, convencido de que a viragem à direita nas últimas eleições legislativas lhe daria uma confortável almofada para avançar com uma proposta de reforma laboral que não constara em parte alguma do programa eleitoral da coligação liderada pelo PSD, Luís Montenegro terá sido surpreendido pelo impacto da paralisação, assim como André Ventura.

Em resposta ao primeiro-ministro e à ministra do Trabalho, Rosário Palma, que tinha dito que o Pacote Laboral podia levar a um aumento do salário mínimo para 1600 euros sem apontar quaisquer datas num esforço por ganhar apoios para a proposta, Tiago Oliveira recordou que o governo assinou um acordo para aumentar o salário mínimo em apenas 50 euros por ano durante quatro anos.

Apesar de não ter quaisquer responsabilidades no executivo e dispensado de salvar o Orçamento do Estado para 2026, depois da abstenção do PS, o Chega, que criticou de forma virulenta a greve geral e as centrais sindicais, acabou a noite com André Ventura a moderar o discurso e a considerar que fora uma forma legítima de protesto e que os portugueses têm razões para estarem descontentes. Nesse sentido, avisou o governo de que o Chega não está disposto a aprovar o Pacote Laboral se Luís Montenegro não retirar algumas das propostas. Se o Chega e o PS não mudarem de posição, o governo fica isolado sem poder aprovar o Pacote Laboral.

Com a CGTP-IN a exigir a retirada de todo o documento, os trabalhadores em greve consideraram que não há razão alguma para apoiar uma proposta que apenas beneficia os patrões. Por isso, o conselho nacional da central sindical convocou para 13 de janeiro uma manifestação em Lisboa, desde o Largo Camões até à Residência Oficial do primeiro-ministro, em São Bento, onde os dirigentes sindicais pretendem entregar um abaixo assinado com milhares de assinaturas contra a proposta de reforma laboral.

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