Libério Domingues começou a trabalhar como aprendiz de estofador aos 13 anos durante o fascismo. Nascera em Assentiz, Torres Novas, no dia 10 de outubro de 1957. Quatro anos depois, em 1974, em plena revolução, começou a desempenhar a função de estofador de automóveis no quadro de pessoal das Oficinas Mecânicas da Câmara Municipal de Lisboa, onde se manteve como encarregado operacional.
Em 1986, Libério Domingues foi eleito delegado sindical no Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa (STML) e três anos depois foi eleito para a direção dessa estrutura sindical de que foi coordenador de 1993 a 2008, sendo atualmente presidente da Mesa da Assembleia Geral. Foi ainda dirigente das União dos Sindicatos de Lisboa, estrutura intermédia da CGTP-IN que coordenou desde 2008 a 2023.
Na CGTP-IN, deu o importante contributo como membro do seu Conselho Nacional nos mandatos entre 1996 e 2024, tendo sido eleito para a sua Comissão Executiva em 2008. Em 2025, já aposentado, foi eleito na 10.ª Conferência Nacional da Inter-Reformados como membro da Direção Nacional. De acordo com a central sindical, Libério Domingues destacava-se pela sua “firmeza na defesa intransigente dos interesses e direitos dos trabalhadores em geral, mas em particular dos trabalhadores da Administração Local, assim como, da CGTP-IN, da sua natureza de classe e dos princípios que a enformam”. Sublinhou ainda que o dirigente sindical assumiu particular relevância na “discussão, preparação e concretização de diversas lutas, incluindo greves gerais”.
Militante do Partido Comunista Português desde 1977, integrou a célula do PCP dos trabalhadores do Município de Lisboa. Foi membro do Organismo de Direção do PCP na Cidade de Lisboa, da Direção da Organização Regional de Lisboa (ORL) do PCP, do seu executivo e da comissão distrital. Estava organizado no Setor Sindical da ORL. Foi eleito membro do comité central do PCP do XVII Congresso até ao XXI Congresso.
Sócio d’A Voz do Operário, era presidente da Mesa da sua Assembleia Geral desde 2012. Na última reunião deste órgão, já depois da notícia do seu falecimento, os presentes realizaram um minuto de silêncio em homenagem ao dirigente d’A Voz. A enorme perda para esta instituição foi sentida também na homenagem prestada por dirigentes, sócios e trabalhadores d’A Voz do Operário na sua despedida.
Entre as muitas mensagens de homenagem, a CGTP-IN comunicou que o movimento sindical, o associativismo popular e a luta dos trabalhadores perderam “um grande, incansável e indispensável companheiro”. Nesse sentido, os dirigentes sindicais declararam que saberão “honrar a sua entrega justa prosseguindo acompanhados por tudo o que também nos ensinou” e que face ao desaparecimento deste camarada, “que dedicou grande parte da sua vida à luta pelos direitos dos trabalhadores” a devida homenagem é devida a quem lutou pela “valorização do trabalho e dos trabalhadores, pelos valores e conquistas de Abril num Portugal de progresso e justiça social”.
