Opinião

Presidente

Abril, mês da Revolução dos Cravos e da Constituição da República Portuguesa

Vivemos tempos conturbados e de grande apreensão, pelos acontecimentos que se vão desenrolando, tanto a nível nacional como internacional, com o agravamento da crise do capitalismo e da sua incapacidade de dar resposta às crescentes necessidades da população.

Por mais que a comunicação social ao seu serviço tente escamotear, a crise radica na gula do grande capital de apropriação de uma fatia cada vez maior da riqueza gerada, arrastando para a miséria e a fome muitos milhões de pessoas em todo o mundo.

Como resposta ao crescente descontentamento das populações, o capitalismo envereda pela radicalização política, criando as condições para a ascensão ao poder de forças ultrarreacionárias, na convicção de que assim podem continuar a desenvolver a sua exploração, impondo-a pela força.

Mas a resistência dos povos faz-se sentir nos diferentes pontos do Globo, tornando a correlação de forças menos favorável ao imperialismo, o qual contrapõe a guerra como forma de manter o seu poder, subjugando os povos aos seus horrores, tanto os que a sofrem diretamente, como aqueles que veem as suas condições de vida drasticamente prejudicadas pela canalização de avultadas verbas para o armamento e a guerra.

A nível nacional, estamos perante nova queda do Governo, provocada pela incapacidade deste de dar resposta aos crescentes problemas da população. Por mais razões que tentem apontar, a causa principal para a queda do Governo (tal como dos anteriores) reside na política de direita seguida, de agravamento das desigualdades, com os grandes grupos económicos a acumularem lucros astronómicos enquanto a maioria dos portugueses enfrenta cada vez mais dificuldades, ao mesmo tempo que se assiste à deterioração dos serviços públicos, designadamente na área da saúde.

Comemoramos este mês o 51º aniversário da Revolução dos Cravos, recordando que a vinda dos militares do MFA para a rua foi de imediato acompanhada pelo imenso envolvimento popular, protagonizando um dos acontecimentos mais significativos da nossa história que, culminando uma longa e heroica luta do povo português, pôs fim a 48 anos de ditadura fascista.

Importa reafirmar que as dificuldades com que o povo hoje se depara se devem à política de direita implementada pelos sucessivos governos do carrocel PS, PSD e CDS (agora com o apoio da IL e Chega na tentativa de ainda a radicalizar mais), uma política de desvirtuamento e recuo das conquistas da Revolução.

De facto, a Revolução do 25 de Abril restituiu ao povo português a democracia e a liberdade, trouxe a realização de profundas transformações democráticas, possibilitou o reconhecimento da independência das ex-colónias e colocou Portugal na senda do progresso e do desenvolvimento. As principais alavancas da economia passaram para as mãos do povo, instituiu-se o poder local democrático, abriram-se novas perspetivas para os trabalhadores e o povo.

Num momento em que recrudescem a vozes daqueles que querem fazer contas com a Revolução, importa fazer-lhes frente, assumindo importância redobrada a defesa dos seus valores e das conquistas alcançadas, apesar de em parte delapidadas pela política de direita, prosseguindo a luta pela liberdade e pela democracia, bem como pela paz, exigindo uma política e um rumo que responda aos problemas do País e às aspirações do povo português.

Este mês comemoramos igualmente o 49º aniversário da Constituição da República Portuguesa, que consagra tudo aquilo que a Revolução de Abril significou para o povo português e para o país, designadamente em termos de liberdade, democracia, paz e esperança num futuro melhor.

Apesar dos cortes nas revisões a que foi sujeita, o conteúdo progressista da Constituição permanece como um pilar determinante do regime democrático nascido da Revolução, sendo o garante dos direitos e liberdades e um instrumento para a transformação da sociedade, consagrando os direitos fundamentais do povo português.

A Voz do Operário participa na organização das comemorações do 25 de Abril, tanto na noite do próximo dia 24, na Praça Paiva Couceiro, que para além do coro das nossas crianças, conta um vasto programa de intervenção política e cultural, como na manifestação popular na Avenida no dia seguinte, para a quais apelamos à ampla participação dos sócios e amigos.

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