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Direita vota pela concentração de poder em Moedas

O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, passa a poder decidir sozinho sobre áreas cruciais como orçamento, urbanismo, património e educação.

No anterior mandato, Carlos Moedas precisou do PS para viabilizar algumas importantes decisões, mas agora, com um novo contexto eleitoral, o presidente da Câmara de Lisboa conseguiu concentrar poderes em si com os votos a favor da delegação de competências por parte do PSD, CDS-PP, IL e Chega.

“A mais ampla e significativa delegação de competências das últimas décadas”, afastando o debate e a votação de matérias fulcrais para a cidade do seio do órgão municipal, denunciou o gabinete do vereador comunista João Ferreira. De acordo com este comunicado, esta deliberação, da autoria do presidente recém-eleito, representa um profundo ataque à democraticidade da gestão da capital, ao concentrar no executivo o poder de decisão sobre uma vasta gama de áreas.

De acordo com o AbrilAbril, o afastamento da discussão coletiva e do escrutínio pelos vereadores eleitos significa que o presidente passa a poder decidir sozinho sobre questões que tocam diretamente na vida dos lisboetas, como alterações orçamentais, alienação de património, licenciamento de operações urbanísticas, gestão das refeições escolares e outras competências no âmbito da educação, mas não apenas. Também sobre questões de habitação, estacionamento, saúde e cultura o presidente Carlos Moedas, eleito pela coligação PSD/CDS-PP/IL, passa a poder decidir sozinho.

Perante isto, o PCP apresentou uma proposta que visava “assegurar a continuidade e o reforço da democraticidade do órgão, da sua capacidade de escrutínio e decisão” nas referidas áreas. A iniciativa, que acabou chumbada pelos partidos da coligação e pelo Chega, propunha manter os termos essenciais das delegações de competências vigentes em anteriores mandatos, com algumas adaptações, garantindo que a Câmara Municipal manteria a palavra final sobre as referidas áreas.

A blindagem de poderes de Carlos Moedas pela direita e pela extrema-direita configura, no entender dos comunistas, “um desrespeito pela vontade expressa no recente sufrágio, que não atribuiu maioria absoluta a nenhuma força política”. Entretanto, deixam o aviso: “Da parte do PCP, contarão com empenhado escrutínio, denúncia e intervenção, para garantir a democraticidade e acerto das decisões a tomar, no interesse da cidade de Lisboa e de todos quantos nela vivem e trabalham”.

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