É uma prática a que o atual executivo liderado por Luís Montenegro já tem habituado os portugueses. Depois de substituir vários cargos em diferentes setores por pessoas da sua confiança política, o governo decidiu retirar Rosa Valente de Matos, do secretariado nacional do PS, que encabeçava a administração da ULS de São José, por Miguel Paiva, à frente da ULS de Entre Douro e Vouga, ex-presidente da concelhia do PSD de Vila do Conde e cabeça de lista da AD, nas últimas eleições autárquicas, à Assembleia Municipal de Vila do mesmo concelho.
A decisão, que segundo o Observador terá partido do próprio primeiro-ministro e do diretor-executivo do SNS, Álvaro Almeida, também ex-deputado do PSD, foi recebida com duras críticas de Rosa Valente de Matos que afirmou ao mesmo meio que não terá recebido qualquer justificação. “Foi uma vontade do governo e da Direção Executiva do SNS”, afirmou a responsável, de saída da administração da maior ULS da zona de Lisboa, onde esteve seis anos.
Saúde familiar em perigo
Outra medida polémica que pode pôr em risco a saúde familiar com gestão pública e de livre acesso a toda a população é a notícia avançada pelo diretor executivo do SNS de que oito Unidades Locais de Saúde (ULS) terão Unidades de Saúde Familiar (USF) com gestão privada, sobretudo na região de Lisboa e Vale do Tejo e Centro.
“A ULS de Leiria é uma das oito que têm planos para abrir as chamadas USF modelo C, que são USF de cuidados de saúde primários, geridas por entidades privadas”, afirmou Álvaro Almeida à comunicação social. O diretor executivo garante que estas USF de gestão privada vão prestar serviços idênticos às USF de gestão pública, apesar de serem privadas. “Os profissionais dessas unidades não são profissionais do quadro do SNS, são profissionais ao serviço de entidades privadas, mas prestam o serviço exatamente da mesma forma do que as USF” de gestão pública, sublinhou.
Álvaro Almeida destacou ainda que entende que este é o futuro das USF, recordando que essa opção está na lei e que “nunca foi implementada” por qualquer governo. De facto, o atual enquadramento legal foi criado durante o governo do PS, liderado por José Sócrates, e as portas abertas à gestão privada abriram-se ainda mais em 2023 com um diploma avançado durante o executivo de António Costa, também do PS.
