A Interjovem tem denunciado repetidamente as condições degradantes enfrentadas pelos jovens trabalhadores em Portugal. Contratos a prazo, falsos recibos verdes, salários baixos e horários desregulados, são realidades comuns, agravadas pela inflação e pelo sucessivo aumento do custo de vida. Na manifestação, os cartazes não deixavam dúvidas: “40 horas são demais. 35 horas semanais!”, “Nem estágio, nem recibo, ser efectivo é o que eu exijo!”. Os jovens trabalhadores, organizados nos sindicatos de classe da CGTP-IN, exigem a revogação das normas gravosas da legislação laboral que facilitam os despedimentos e a generalização dos contratos efectivos, defendendo que a estabilidade no emprego é um direito fundamental.
Outro eixo central da mobilização foi a exigência de aumentos salariais significativos. Segundo a CGTP-IN, o salário mínimo nacional está, hoje, longe de responder às necessidades dos trabalhadores, especialmente dos jovens que integram uma das gerações mais qualificadas de sempre, os quais ganham pouco acima deste valor. A manifestação reforçou a reivindicação do aumento geral dos salários em pelo menos 15%, nunca inferior a 150€ e a fixação do salário mínimo nacional nos 1000€ já e não apenas daqui a 5 anos. “Camaradas, nós não podemos esperar, não podemos adiar a nossa vida mais 5 anos!”, afirmou-se na intervenção proferida nas escadas da Assembleia da República.
A crise habitacional foi outro tema destacado. Com rendas inacessíveis e o preço das casas a disparar à boleia da especulação, muitos jovens são forçados a adiar a autonomia ou a emigrar. O Movimento Sindical Unitário tem pressionado o governo a implementar medidas urgentes, como o congelamento de rendas, a construção de habitação pública e a regulamentação do mercado imobiliário. Durante o protesto, ouviam-se palavras de ordem como “Tanto jovem a trabalhar, sem ter casa para morar”, refletindo o descontentamento de uma geração excluída do direito fundamental à habitação.
É crucial a defesa e o reforço do Serviço Nacional de Saúde (SNS), da escola pública e de um sistema de Segurança Social público, universal e solidário. A Interjovem alerta que o subfinanciamento crónico destes serviços públicos penaliza sobretudo os jovens, que dependem deles para construir uma vida digna. “Não aceitamos o desmantelamento nem a mercantilização dos nossos direitos”, declarou a resolução aprovada, por unanimidade, na manifestação.
A Manifestação Nacional de Jovens Trabalhadores afirmou a força reivindicativa da luta dos jovens trabalhadores organizados no movimento sindical de classe a partir dos locais de trabalho. A CGTP-IN reafirmou o seu compromisso em alargar esta mobilização, convocando novas ações até que as exigências dos jovens sejam atendidas. A Manifestação Nacional de dia 5 de Abril, descentralizada no Porto, em Coimbra e em Lisboa, às comemorações do 51º. Aniversário da Revolução de Abril e a jornada do 1º. De Maio, serão alguns dos grandes momentos de luta que se avizinham e ao qual os jovens trabalhadores não faltarão. Num quadro político e social marcado pelo aprofundamento das desigualdades sociais e o ataque aos direitos de quem trabalha, esta manifestação mostrou que a juventude não está disposta a aceitar um futuro de precariedade e de incertezas. A mensagem é clara: não vamos desistir até que o último contrato precário seja convertido em efectivo, não vamos calar face aos abusos, pressões e chantagens, não vamos aceitar um Portugal que nos obriga a escolher entre a emigração e a pobreza. Lutamos por um país onde o trabalho com direitos seja uma realidade para todos, onde a justiça social seja alicerce da paz, onde os jovens possam construir o seu futuro com esperança.