{"id":9988,"date":"2026-04-30T21:13:06","date_gmt":"2026-04-30T21:13:06","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=9988"},"modified":"2026-04-30T21:13:06","modified_gmt":"2026-04-30T21:13:06","slug":"centenas-de-milhares-aclamaram-o-futuro-de-abril","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2026\/04\/30\/centenas-de-milhares-aclamaram-o-futuro-de-abril\/","title":{"rendered":"Centenas de milhares aclamaram o futuro de Abril"},"content":{"rendered":"\n<p>O ic\u00f3nico Chaimite abriu o desfile, como, na madrugada de 1974 os capit\u00e3es abriram portas a um sonho que, aos poucos, o povo foi revelando e reivindicando nas ruas. E, como o que o povo conquista \u00e9 gravado na pedra, a 2 de Abril de 1976, os deputados eleitos por 96% dos portugueses consagraram na Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Portuguesa os exatos termos desse sonho. Da vontade do povo, nascia um pa\u00eds diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesse mesmo pa\u00eds, diferente, que na tarde de 25 de abril de 2026, Vasco, Ahiten e Aquira saltaram para a rua e, para comemorar Abril, verteram em cartolinas improvisadas vontades, para que Abril se cumpra. Ahiten tem apenas dez anos e \u00e9 o mais velho dos tr\u00eas. Reivindica, no verso do cartaz que empunha, \u201cLiberdade para ser quem sou!\u201d, que \u00e9 para Ahiten, a maior Liberdade de todas. E \u00e9 essa mesmo que o faz celebrar Abril. Mas \u00e9 um cartaz que tem duas faces, na outra escreveu: \u201cO maior bicho pap\u00e3o \u00e9 o fascismo!\u201d. Maida acompanha-o. \u00c9 a sua m\u00e3e, cozinheira de profiss\u00e3o e tem a sua raz\u00e3o para celebrar: \u201cEnquanto mulher Abril \u00e9 o poder de sonhar e, sobretudo, ousar\u201d, diz-nos com um sorriso.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais \u00e0 frente, a Sara trouxe a filha, a Maria Rita, para o desfile. E Maria Rita segura de um lado a m\u00e3e, do outro um cartaz, por ela desenhado, que junta aos cravos de Abril uma Mafalda (a figura da menina da banda desenhada, criada pelo cartoonista argentino Kino, sempre inquieta com os direitos humanos e a Paz). \u201c\u00c9 fan da Mafalda\u201d, explica a m\u00e3e, \u201ce t\u00eam lutas iguais, pelos vistos!\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Sara segura a filha como quem lhe passa o testemunho. \u201c\u00c9 muito importante lembrar Abril, sobretudo, numa altura em que a liberdade n\u00e3o \u00e9 um dado adquirido\u201d. Sara nasceu muito pouco tempo depois do 25 de Abril e vem todos os anos \u00e0 comemora\u00e7\u00f5es do 25 de Abril, acompanhada pelos seus filhos: \u201cEstamos a construir a nossa mem\u00f3ria do 25 de Abril, s\u00e3o novas, bem sei, mas s\u00e3o as minhas e a dos meus filhos que v\u00e3o ter de continuar a vir durante muito mais tempo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O Vasco, o Ahiten a Aquira e a Maria Rita, s\u00e3o apontamentos de um desfile marcado pela fus\u00e3o geracional. Desde logo, a presen\u00e7a, de um mar de gente (muitas crian\u00e7as e jovens) que com a Voz do Oper\u00e1rio desceram a Avenida. Mais de um milhar de manifestantes, numa frente que parecia querer dar o mote, afirmando que A Voz Faz Abil! Tudo era harmoniosamente dilu\u00eddo como bandeiras que d\u00e3o a c\u00f4r ao desfile, mas que tamb\u00e9m d\u00e3o balas a uma batalha que se trava todos os dias, h\u00e1 52 anos, quase a idade da Catarina Ribeiro, que nasceu em 1975 e herdou de Catarina Euf\u00e9mia o nome: \u201cCom muito orgulho\u201d, confessa-nos, tamb\u00e9m ela disposta a passar o testemunho \u00e0 filha que leva pela m\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Como o desfile, tamb\u00e9m Abril prossegue, renovado, porque segura, todos os dias, a sua mais preciosa heran\u00e7a: a dignidade de um povo talhada numa constitui\u00e7\u00e3o. E, \u00e9 por isso que ouvimos os movimentos juvenis, representados no desfile, reclamar da Escola P\u00fablica o fim das propinas no Ensino Superior, em contraponto a uma escola classista, ou quando, mais adiante, ouvimos reclamar direitos laborais, contestando um pacote laboral proposto pelo governo, destruidor dos direitos de quem trabalha, ou escutamos o clamor dos movimentos sociais, por uma Sa\u00fade geral e universal, em contraponto com o neg\u00f3cio privado da doen\u00e7a. As centenas de milhares de pessoas que desceram de forma compacta, durante tr\u00eas horas, a Avenida da Liberdade, no dia 25 de Abril de 2026, disseram-nos, a todos que, sem os direitos que a Constitui\u00e7\u00e3o consagra, a democracia ser\u00e1 engolida, de novo, pelo \u201cbicho pap\u00e3o\u201d que Ahiten tanto teme.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Abril tamb\u00e9m nasceu na Paiva Couceiro<\/h2>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m este Abril, o de 2026, nasceu na madrugada de 24 para 25. A Pra\u00e7a Paiva Couceiro voltou a encher para festejar o despertar da Revolu\u00e7\u00e3o. Foram milhares de pessoas que ali acorreram e que, em conjunto com dezenas coletividades, celebraram este momento madrugador e de combate que a data evoca. Os lisboetas responderam e encheram a pra\u00e7a para ouvir o Coro Infantil d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio, o Coro da Achada, o Grupo Musical Uni\u00e3o, Handala Dabke \u2013 Dan\u00e7a Tradicional da Palestina, \u00abCantos de (para) Liberdade\u00bb com Nani Medeiros, Jo\u00e3o Pita e Fernando Baggio e H\u00e9lder Moutinho. E porque no esp\u00edrito de Abril cabe o desporto popular, a noite ficou ainda marcada pela chegada dos heroicos atletas que retomaram, este ano, a prova cl\u00e1ssica de ciclismo Porto-Lisboa, promovida pela Associa\u00e7\u00e3o Desportiva \u2018O Rel\u00e2mpago\u2019 e ficou a promessa do regresso \u00e0 Paiva Couceiro, porque o 25 de Abril celebra-se na rua.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como escreveu Ary, \u201cningu\u00e9m mais cerra as portas que Abril abriu!\u201d e, para o confirmar, centenas de milhares s\u00f3 em Lisboa, desfilaram na avenida da Liberdade, somando poesia aos festejos, protesto \u00e0s aclama\u00e7\u00f5es, atualidade \u00e0 hist\u00f3ria, levantando as bandeiras de abril, as mesmas que o tornam vivo h\u00e1 52 anos. Talvez por isso, este desfile n\u00e3o soube s\u00f3 a comemora\u00e7\u00e3o, soube sobretudo a luta e a futuro. Falou-se de Abril de 2026 ou, de como resgatar e cumprir o Abril de 1974.<\/p>\n","protected":false},"author":88,"featured_media":9989,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"coauthors":[184],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9988"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/88"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9988"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9988\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9991,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9988\/revisions\/9991"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9989"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9988"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9988"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9988"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=9988"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}