{"id":9947,"date":"2026-04-06T09:39:43","date_gmt":"2026-04-06T09:39:43","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=9947"},"modified":"2026-04-06T09:39:43","modified_gmt":"2026-04-06T09:39:43","slug":"a-potente-romaria-de-marina-na-busca-pela-sua-historia-de-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2026\/04\/06\/a-potente-romaria-de-marina-na-busca-pela-sua-historia-de-vida\/","title":{"rendered":"A potente \u201cRomaria\u201d de Marina na busca pela sua hist\u00f3ria de vida"},"content":{"rendered":"\n<p>O filme est\u00e1 em exibi\u00e7\u00e3o nas salas de cinema nacionais. Vale a pena ser visto. <\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7amos por ver imagens de uma c\u00e2mara dom\u00e9stica. Uma voz relata que viveu num pr\u00e9dio, que vemos e se destaca na paisagem da cidade galega de Vigo. N\u00e3o s\u00e3o palavras da jovem, mas da sua m\u00e3e. Marina anda com o di\u00e1rio dela, e procura nele pistas sobre o pai, Fon, de quem n\u00e3o tem recorda\u00e7\u00f5es, uma vez que morreu quando ela era beb\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A ang\u00fastia calada e combativa de Marina<\/h2>\n\n\n\n<p>A solid\u00e3o desta rapariga \u00e9 evidente. Vem do vazio da aus\u00eancia da maternidade e paternidade. O que quer \u00e9 que a fam\u00edlia de Fon a assuma e a registe, para que consiga assim concorrer a uma bolsa de estudo. E disso n\u00e3o desiste, ainda que seja angustiante sentirmos que est\u00e1 muito desacompanhada nesta caminhada.<\/p>\n\n\n\n<p>Os percursos do filme deambulam como a protagonista. Entre a voz da m\u00e3e e a leitura de entradas diar\u00edsticas (anteriores ao nascimento de Marina), e as buscas pela cidade e junto da fam\u00edlia paterna &#8211; na tentativa da reconstitui\u00e7\u00e3o do passado, e com isso da sua identidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Marina aproxima-se de uma fam\u00edlia que desconhecia. Questiona tios e av\u00f3s sobre a doen\u00e7a e morte do pai. O tabu \u00e9 maior do que a sua curiosidade, mas a rapariga n\u00e3o se contenta com segredos e certos olhares das pessoas do seu sangue. Marina apareceu e veio desestabilizar um certo&nbsp;<em>status quo<\/em>&nbsp;daquelas pessoas, que primam pelas apar\u00eancias e se escondem atr\u00e1s de um determinado estatuto burgu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>A protagonista caminha na sua viagem emocional, e desvela aqueles que foram os derradeiros dias dos dois progenitores em Vigo. A presen\u00e7a dos di\u00e1rios da m\u00e3e possibilita a Marina completar e contradizer as informa\u00e7\u00f5es que av\u00f3s e tios paternos lhe v\u00e3o dando a narrativa completa daqueles idos anos 80.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cRomaria\u201d&nbsp;<\/em>entra numa zona on\u00edrica. A realizadora toma esta op\u00e7\u00e3o narrativa para, precisamente, refor\u00e7ar a rela\u00e7\u00e3o da m\u00e3e e do pai, toxicodependentes que acabaram por se isolar e destruir por causa da depend\u00eancia. \u00c9 um terceiro acto que tanto lembra o id\u00edlio da ilha sueca em&nbsp;<em>\u201cM\u00f3nica e o Desejo\u201d<\/em>, de Ingmar Bergman, como \u00e9 de um realismo assustador, uma vez que acompanhamos a degrada\u00e7\u00e3o do casal, cuja uni\u00e3o apenas existe por causa da droga.<\/p>\n\n\n\n<p>Marina precisa de \u201cver\u201d e encontrar os pais nas imagens que s\u00e3o, talvez cria\u00e7\u00f5es internas suas, para absorver o destino e aus\u00eancia deles na sua vida. \u00c9 uma liberta\u00e7\u00e3o e o in\u00edcio do luto. \u00c9 por isso que Carla Sim\u00f3n fecha o c\u00edrculo da demanda da jovem com o que ela pretendia ao chegar a Vigo. Um novo cap\u00edtulo da vida e a entrada no mundo adulto come\u00e7am para Marina, depois de escrita uma parte fundamental da sua exist\u00eancia. Um filme l\u00facido sobre a for\u00e7a de uma rapariga para conhecer quem \u00e9. Um retrato potente de uma \u00e9poca, os 80 do s\u00e9culo passado, e de um dos grandes flagelos que abalou cidad\u00e3os e fam\u00edlias tamb\u00e9m em Portugal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cRomaria\u201d, terceira longa-metragem da realizadora espanhola Carla Sim\u00f3n, acompanha Marina (excelente Ll\u00facia Garcia) na tentativa de conhecer o passado dos seus pais, e, com isso, escrever a biografia dos seus primeiros anos.<\/p>\n","protected":false},"author":155,"featured_media":9948,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[48],"tags":[],"coauthors":[177],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9947"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/155"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9947"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9947\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9950,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9947\/revisions\/9950"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9948"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9947"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9947"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9947"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=9947"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}