{"id":9931,"date":"2026-04-06T09:19:36","date_gmt":"2026-04-06T09:19:36","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=9931"},"modified":"2026-04-22T13:23:56","modified_gmt":"2026-04-22T13:23:56","slug":"moradores-da-graca-mobilizam-se-contra-o-hotel-no-quartel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2026\/04\/06\/moradores-da-graca-mobilizam-se-contra-o-hotel-no-quartel\/","title":{"rendered":"Moradores da Gra\u00e7a mobilizam-se contra o hotel no quartel"},"content":{"rendered":"\n<p>Ainda com Fernando Medina (PS) \u00e0 frente da C\u00e2mara Municipal de Lisboa, a autarquia decidiu, em 2019, concessionar o antigo Quartel da Gra\u00e7a ao grupo Sana para ali instalar um hotel de cinco estrelas com 120 quartos. Previsto para 2022, s\u00f3 recentemente \u00e9 que houve sinais de que as obras podem estar para come\u00e7ar. Com o edif\u00edcio a deteriorar-se, v\u00e1rios partidos exigiram a revers\u00e3o do processo contra a vontade do atual presidente Carlos Moedas (PSD).<\/p>\n\n\n\n<p>No bairro da Gra\u00e7a, o projeto n\u00e3o \u00e9 consensual e v\u00e1rios moradores juntaram-se para formar a Assembleia \u201cParar o Hotel no Quartel da Gra\u00e7a\u201d com o objetivo de impedir mais um equipamento tur\u00edstico na freguesia, a par dos hot\u00e9is projetados para o antigo Convento das M\u00f3nicas, com 128 camas previstas, e para o Hospital da Marinha. Com mais de tr\u00eas mil assinaturas, a peti\u00e7\u00e3o que exige a revoga\u00e7\u00e3o imediata da concess\u00e3o feita ao grupo Sana est\u00e1 a ser promovida por esta associa\u00e7\u00e3o que denuncia n\u00e3o s\u00f3 a deteriora\u00e7\u00e3o do monumento como o \u201cprocesso de gentrifica\u00e7\u00e3o da cidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCom cada vez mais casas ocupadas pelo alojamento local, com o com\u00e9rcio tradicional transformado em bares, e lojas de souvenir e com todo o tipo de viaturas destinadas a transportar turistas a circular pelo bairro, a constru\u00e7\u00e3o de um hotel com 120 camas poder\u00e1 ser o golpe fatal\u201d, garantem. De acordo com a peti\u00e7\u00e3o, os subscritores exigem que o antigo quartel esteja ao \u201cservi\u00e7o das necessidades reais da popula\u00e7\u00e3o do bairro e da cidade, prosseguindo fins habitacionais, educativos, culturais e art\u00edsticos, com servi\u00e7os de assist\u00eancia e infraestruturas ligadas ao bem-estar das pessoas e \u00e0 qualidade de vida urbana\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Membro da Assembleia da Gra\u00e7a, Manuel Esteves, a viver no bairro h\u00e1 quase 20 anos, denunciou \u00e0 Voz do Oper\u00e1rio que o hotel vai ter um forte impacto: \u201cImaginemos o que \u00e9 ter um hotel com 200 camas, com 400 turistas, e todo o movimento associado a um hotel de luxo, com ubers, carrinhas de abastecimento, servi\u00e7os do hotel, trabalhadores do hotel e tudo isto num lugar pequeno, com ruas estreitas. Vai ser um pandem\u00f3nio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Manuel Esteves explicou que a associa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m fez um inqu\u00e9rito com quase meio milhar de respostas sobre o uso a ser dado ao quartel. Apesar de entender que para j\u00e1 a prioridade deve ser impedir que o monumento seja um hotel, revela que houve muita diversidade nas propostas. Houve quem propusesse habita\u00e7\u00e3o, resid\u00eancias para estudantes ou at\u00e9 para professores \u201ca trabalhar nas escolas da Gra\u00e7a\u201d, tamb\u00e9m espa\u00e7os de atividades para crian\u00e7as e idosos, equipamentos desportivos, que considera ser uma necessidade no bairro, assim como bibliotecas ou espa\u00e7os para exposi\u00e7\u00f5es. Outra das propostas vai ao encontro da escassez de espa\u00e7os para o movimento associativo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO tema da habita\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grave neste momento que afeta j\u00e1 quase todos os segmentos e, portanto, \u00e9 dif\u00edcil encontrar algu\u00e9m da esquerda \u00e0 direita que n\u00e3o diga que o turismo atingiu n\u00edveis exagerados na cidade e que est\u00e1 a descaracterizar a cidade. Uns pode ser porque j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 restaurantes t\u00edpicos, outros \u00e9 porque n\u00e3o h\u00e1 habita\u00e7\u00e3o. Ou seja, as raz\u00f5es podem variar, mas mais ou menos toda a gente concorda que houve um grande exagero\u201d, considera Manuel Esteves.<\/p>\n\n\n\n<p>Para j\u00e1, a Assembleia da Gra\u00e7a tem acompanhado os desenvolvimentos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 obra prevista e j\u00e1 denunciou o corte das \u00e1rvores que estavam no quartel e o levantamento de taipais. V\u00e1rios pr\u00e9dios vizinhos t\u00eam sido contactados para serem objeto de vistorias que, de acordo com Manuel Esteves, podem ter o objetivo de verificar se poss\u00edveis futuros estragos foram efetivamente provocados pela obra e recorda o que aconteceu com a Escola B\u00e1sica Nat\u00e1lia Correia, ainda fechada devido aos danos provocados pela constru\u00e7\u00e3o de um condom\u00ednio privado a paredes meias.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAgora mesmo temos o caso da constru\u00e7\u00e3o de uma loja do museu do Pante\u00e3o Nacional debaixo do recreio da escola, em Santa Clara, e isso pode penalizar o ambiente escolar com o barulho e o p\u00f3, bem como p\u00f4r em causa a pr\u00f3pria estrutura do edif\u00edcio\u201d, denuncia. \u201cS\u00e3o milh\u00f5es para o turismo, investem numa bilheteira para o Panter\u00e3o, e depois ao lado temos uma piscina municipal fechada. E, portanto, a sensa\u00e7\u00e3o que d\u00e1 \u00e9 que todo o modelo econ\u00f3mico, neste momento, no pa\u00eds e na cidade, de Lisboa, est\u00e1 assente no turismo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Com reuni\u00f5es quinzenais anunciadas na p\u00e1gina no Instagram, com os trabalhos no Quartel da Gra\u00e7a prestes a come\u00e7ar, este grupo pretende avan\u00e7ar com uma provid\u00eancia cautelar e com protestos para dar voz \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Assembleia da Gra\u00e7a quer evitar que o Quartel do bairro se transforme numa nova unidade hoteleira.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":9932,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[50],"tags":[],"coauthors":[71],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9931"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9931"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9931\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9967,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9931\/revisions\/9967"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9932"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9931"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9931"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9931"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=9931"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}