{"id":9746,"date":"2026-02-10T12:18:09","date_gmt":"2026-02-10T12:18:09","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=9746"},"modified":"2026-02-10T13:49:26","modified_gmt":"2026-02-10T13:49:26","slug":"paciente-alega-islamofobia-e-negligencia-medica-durante-atendimento-em-hospital-de-lisboa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2026\/02\/10\/paciente-alega-islamofobia-e-negligencia-medica-durante-atendimento-em-hospital-de-lisboa\/","title":{"rendered":"Paciente alega islamofobia e neglig\u00eancia m\u00e9dica durante atendimento em hospital de Lisboa"},"content":{"rendered":"\n<p>Em entrevista \u00e0 Voz do Oper\u00e1rio, a jovem portuguesa e mu\u00e7ulmana disse que antes de se deslocar \u00e0s urg\u00eancias, na quinta-feira (15\/01), seguiu o protocolo e&nbsp; ligou para o SNS. J\u00e1 nas depend\u00eancias do S\u00e3o Jos\u00e9, por volta das 19 horas, descreveu ter sido recebida por um m\u00e9dico que a atendeu &#8220;bufando e sem paci\u00eancia&#8221;, relutante em examin\u00e1-la. Ap\u00f3s insist\u00eancia, ele consultou rapidamente as an\u00e1lises realizadas h\u00e1 tr\u00eas anos e garantiu que ela &#8220;estava bem&#8221;, e que deveria regressar em um ano.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Ao questionar a decis\u00e3o, Mariana afirma que o atendimento ficou mais violento. \u201cO m\u00e9dico \u201cperdeu a paci\u00eancia, levantou da cadeira e, sem pedir permiss\u00e3o, veio por tr\u00e1s e arrancou o meu gorro e hijab da cabe\u00e7a&#8221;. Em seguida, &#8220;agarrou-me o pesco\u00e7o com for\u00e7a, apertando muito forte. Tudo isso enquanto eu estava com dores, fraca e quase sem voz&#8221;.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o epis\u00f3dio agressivo, o m\u00e9dico teria demonstrado pressa em &#8220;despach\u00e1-la&#8221;. Enquanto isso, uma enfermeira na triagem insinuava que a paciente estava a &#8220;exigir&#8221; exames. Foi quando o m\u00e9dico disse &#8220;n\u00e3o saber que ela era mu\u00e7ulmana&#8221;, levando o marido de Mariana a reagir: &#8220;Voc\u00ea n\u00e3o pode tratar nenhum paciente dessa forma, sendo mu\u00e7ulmano ou n\u00e3o&#8221;.<br><\/p>\n\n\n\n<p>O casal foi ent\u00e3o encaminhado a um segundo m\u00e9dico, um estrangeiro, ap\u00f3s cinco horas de espera. Quando o marido pediu que ela explicasse os sintomas, o profissional questionou com ironia: &#8220;ele est\u00e1 te dando permiss\u00e3o para falar, \u00e9 isso?&#8221;. &#8220;Eu fiquei absolutamente chocada, pois isso \u00e9 uma pergunta completamente islamof\u00f3bica&#8221;, disse Mariana.<br><\/p>\n\n\n\n<p>A paciente alega ainda que o segundo profissional limitou-se a um teste de mem\u00f3ria superficial, recusou pedidos de exames mais detalhados e encaminhou-a para o m\u00e9dico de fam\u00edlia com uma espera de seis meses. Irritado com a insist\u00eancia do casal, que tentava explicar que a situa\u00e7\u00e3o poderia ser grave, o m\u00e9dico solicitou os dados pessoais do marido por &#8220;motivos legais&#8221;. Por fim, acabou por marcar exames, mas, de forma a tentar desencoraj\u00e1-los, imp\u00f4s uma espera de tr\u00eas horas, comentando que &#8220;h\u00e1 gente a morrer aqui&#8221;.<br><br>&#8220;Ap\u00f3s mais de onze horas naquele hospital, a \u00fanica informa\u00e7\u00e3o que tive foi de um enfermeiro, que de forma arrogante disse que n\u00e3o havia &#8216;nada de relevante&#8217; no caso&#8221;. Mariana Tavares recebeu alta sem diagn\u00f3stico, apenas com uma dose intravenosa de paracetamol.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Minist\u00e9rio da Sa\u00fade investiga<\/h2>\n\n\n\n<p>Em resposta \u00e0 reportagem, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade afirma que a Unidade Local de Sa\u00fade S\u00e3o Jos\u00e9 recebeu a reclama\u00e7\u00e3o no dia 19 de Janeiro e que a mesma \u201cj\u00e1 est\u00e1 a ser tratada\u201d pelo Conselho de Administra\u00e7\u00e3o, que abrir\u00e1 um processo de inqu\u00e9rito interno conforme a legisla\u00e7\u00e3o em vigor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A institui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m refor\u00e7ou o compromisso com a \u201cdiversidade cultural da popula\u00e7\u00e3o que recorre aos seus cuidados de sa\u00fade\u201d, ressaltando que, neste sentido, foi criada, em 2019, a \u2018Comiss\u00e3o da Diversidade e Inclus\u00e3o\u2019, que identifica e prop\u00f5e \u201cmedidas corretivas\u201d para o desenvolvimento de \u201catividades de sensibiliza\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o dos profissionais para as tem\u00e1ticas associadas \u00e0 diversidade, inclus\u00e3o e direitos do utente\u201d.<br><\/p>\n\n\n\n<p>As falhas no sistema nacional de sa\u00fade portugu\u00eas agravaram-se significativamente desde que Ana Paula Martins foi nomeada pelo primeiro-ministro, Lu\u00eds Montenegro (PSD), para assumir a pasta. Atualmente, os utentes deparam-se com um cen\u00e1rio cr\u00edtico: longas listas de espera, servi\u00e7os de urg\u00eancia sobrecarregados, uma escassez cr\u00f4nica de m\u00e9dicos e enfermeiros, e infraestruturas hospitalares obsoletas. Apenas no ano passado, mais de 60 beb\u00eas nasceram em ambul\u00e2ncias devido \u00e0 falta de leitos nas maternidades.<br><\/p>\n\n\n\n<p>No domingo (18\/01), Mariana Tavares dirigiu-se a uma esquadra da PSP, em Olivais, para apresentar queixa. Nervosa por nunca ter feito um depoimento antes, n\u00e3o conseguiu conter as l\u00e1grimas ao reviver o trauma. No entanto, o policial que a atendeu limitou-se a dizer que \u201cn\u00e3o estava l\u00e1 para ver o comportamento dos m\u00e9dicos\u201d e recusou-se a registar a ocorr\u00eancia, alegando que \u201cn\u00e3o havia crime\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Desde o trauma vivido no S\u00e3o Jos\u00e9, Mariana diz n\u00e3o conseguir se concentrar nem dormir direito. Lamenta o fato de ter que procurar por um servi\u00e7o privado para obter um diagn\u00f3stico preciso. \u201cTento distrair a cabe\u00e7a, assistir alguma coisa, mas n\u00e3o consigo. A lembran\u00e7a daquele momento de dor e ang\u00fastia sempre volta\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Discurso de \u00f3dio contra mu\u00e7ulmanos<\/h2>\n\n\n\n<p>Paralelamente ao caos vivido na sa\u00fade, Portugal tamb\u00e9m tem testemunhado um aumento preocupante no&nbsp; discurso de \u00f3dio e nos atos de viol\u00eancia contra imigrantes e minorias, incluindo a comunidade mu\u00e7ulmana. No fim de janeiro, 37 pessoas ligadas ao grupo neonazista 1143 foram presas em Portugal. Entre os detidos, est\u00e3o um policial da PSP e um militar da For\u00e7a A\u00e9rea, al\u00e9m de v\u00e1rias figuras ligadas ao Chega, partido do atual candidato \u00e0 presid\u00eancia, Andr\u00e9 Ventura.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o inqu\u00e9rito da Pol\u00edcia Judici\u00e1ria, h\u00e1 ind\u00edcios de que o l\u00edder fundador do movimento, M\u00e1rio Machado, continuava a comandar o grupo 1143 a partir da pris\u00e3o. De l\u00e1, ele estaria planejando a\u00e7\u00f5es violentas, incluindo um poss\u00edvel ataque \u00e0 comunidade mu\u00e7ulmana em Portugal em Fevereiro, m\u00eas em que o pa\u00eds voltar\u00e1 \u00e0s urnas para o segundo turno das elei\u00e7\u00f5es presidenciais.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Em junho do ano passado, alguns membros do grupo neonazista teriam participado nos insultos racistas contra o im\u00e3 da Mesquita Central de Lisboa, o sheik David Munir, no mesmo dia em que agrediram o ator Ad\u00e9rito Lopes no Teatro A Barraca, em Lisboa, com a presen\u00e7a de apoiadores do Reconquista, outro movimento de car\u00e1ter supremacista que alega haver uma substitui\u00e7\u00e3o populacional em curso.<br><br>No mesmo ano, o prefeito de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), chegou a solicitar uma reuni\u00e3o de emerg\u00eancia para tratar do \u201caumento da percep\u00e7\u00e3o de criminalidade\u201d na cidade, sugerindo a instala\u00e7\u00e3o de c\u00e2meras de vigil\u00e2ncia em bairros com presen\u00e7a significativa de residentes dessa comunidade.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mariana Tavares, de 27 anos, passou mais de dez horas em sofrimento no Hospital S\u00e3o Jos\u00e9, em Lisboa, alegando ter sido v\u00edtima de neglig\u00eancia e discrimina\u00e7\u00e3o por parte de alguns profissionais de sa\u00fade. <\/p>\n","protected":false},"author":160,"featured_media":9747,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"coauthors":[200],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9746"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/160"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9746"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9746\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9779,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9746\/revisions\/9779"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9747"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9746"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9746"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9746"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=9746"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}