{"id":9726,"date":"2026-02-02T17:51:25","date_gmt":"2026-02-02T17:51:25","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=9726"},"modified":"2026-03-05T17:15:06","modified_gmt":"2026-03-05T17:15:06","slug":"de-maos-dadas-contra-a-furia-do-vento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2026\/02\/02\/de-maos-dadas-contra-a-furia-do-vento\/","title":{"rendered":"De m\u00e3os dadas contra a f\u00faria do vento"},"content":{"rendered":"\n<p>Sem eletricidade, \u00e1gua ou forma de comunicar com o exterior, na manh\u00e3 a seguir \u00e0 tempestade, a estupefa\u00e7\u00e3o e o medo deu lugar \u00e0 necessidade de enfrentar a realidade. Houve quem decidisse fazer de pol\u00edcia sinaleiro para ordenar o tr\u00e2nsito numa cidade sem sem\u00e1foros, outros come\u00e7aram a recolher entulho e a providenciar formas de dar um tecto aos desalojados.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa manh\u00e3, bem cedo, o jovem oper\u00e1rio vidreiro Carlos Teixeira com outros seus camaradas do PCP decidiram abrir o Centro de Trabalho \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. \u201cCome\u00e7ou com um quilo de arroz e um fog\u00e3o de campismo\u201d, descreve. Pouco a pouco, come\u00e7ou a chegar cada vez mais gente a querer ajudar ou a precisar de ajuda. Foi a primeira organiza\u00e7\u00e3o da cidade a arrega\u00e7ar as mangas e a p\u00f4r as m\u00e3os ao trabalho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quatro dias depois, a sede do PCP, naquele que foi historicamente um dos seus basti\u00f5es, \u00e9 um corrupio de mulheres e homens que trazem lonas, roupa, alimentos, \u00e1gua, colch\u00f5es, fog\u00f5es e bilhas de g\u00e1s. \u00c9 tamb\u00e9m dali que saem brigadas para distribuir comida \u00e0 popula\u00e7\u00e3o e grupos de enxadas, p\u00e1s e motosserras ao ombro. Quase a paredes meias com a igreja fechada, dezenas de ve\u00edculos estacionam como podem em frente ao enorme edif\u00edcio vermelho com ajuda vinda de lugares t\u00e3o insuspeitos como o Alto Minho. Em cima de um tapume das obras, aparece uma faixa, acabada de pintar, com a foice e o martelo cruzados, que diz \u201cs\u00f3 o povo salva o povo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Jo\u00e3o Norte, respons\u00e1vel do PCP na Marinha Grande, explica que muitos dos volunt\u00e1rios que chegam \u00e0s instala\u00e7\u00f5es da autarquia para ajudar, acabam por ser mandados embora porque n\u00e3o lhes conseguem arranjar trabalho. \u201cTemos muita gente que chega aqui e que n\u00e3o \u00e9 comunista. Querem apoiar a popula\u00e7\u00e3o e sabem que estamos organizados com esse objetivo\u201d, afirma. \u201cTent\u00e1mos arranjar motosserras junto da c\u00e2mara municipal e disseram que n\u00e3o tinham dinheiro, aconteceu o mesmo na junta de freguesia. Uns oper\u00e1rios conseguiram trazer-nos umas motosserras e s\u00f3 ontem j\u00e1 conseguimos ter cerca de 20 equipas, cada uma com cinco pessoas, a desbloquear estradas, jardins e escolas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"760\" data-id=\"9731\"  src=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/L1014386-1-1024x760.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9731\" srcset=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/L1014386-1-1024x760.jpg 1024w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/L1014386-1-300x223.jpg 300w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/L1014386-1-768x570.jpg 768w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/L1014386-1-1536x1140.jpg 1536w, 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Os comunistas n\u00e3o t\u00eam meios suficientes para enfrentar uma situa\u00e7\u00e3o desta dimens\u00e3o e considera que \u00e9 importante que o governo d\u00ea respostas. \u201cOs meios s\u00e3o insuficientes. N\u00e3o temos uma resposta nem do governo, nem da E-redes, sobre a reposi\u00e7\u00e3o da energia el\u00e9trica. \u00c9 preciso um refor\u00e7o no terreno, \u00e9 preciso um refor\u00e7o nas autarquias\u201d, sublinha.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste esfor\u00e7o comum coordenado pelos comunistas, v\u00ea como essencial \u201co impacto na comunidade\u201d, lembrando que h\u00e1 muita gente que se sente isolada. Aqui n\u00e3o h\u00e1 s\u00f3 o conforto da comida quente, mas tamb\u00e9m palavras de desabafo. E gera-se uma onda de solidariedade. H\u00e1 gente que diz: aqui est\u00e1 o PCP, como sempre\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto decorre a entrevista, chega um casal de indianos que carrega produtos alimentares e garraf\u00f5es de \u00e1gua. Satveer Kaur e Harmandeep Singh vivem na Marinha Grande desde 2015 e t\u00eam um supermercado ali ao lado. Dizem que \u00e9 seu dever estar ao lado da comunidade num momento t\u00e3o dif\u00edcil. Algo envergonhados, explicam que n\u00e3o est\u00e3o a fazer isto para serem entrevistados. Carlos Teixeira recorda que no primeiro dia, quando n\u00e3o era poss\u00edvel pagar com multibanco algu\u00e9m disse a Satveer e Harmandeep que tinham de ter cuidado porque depois podiam ficar com dinheiro em falta. \u201cEles disseram que isso n\u00e3o importava, que o importante agora era ajudar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Lar de inf\u00e2ncia em emerg\u00eancia<\/h2>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m da cerca de uma centena de desalojados que est\u00e3o no est\u00e1dio municipal e em tendas do ex\u00e9rcito, h\u00e1 centenas de pessoas com problemas graves em casa. Se uns ficaram sem nada, outros t\u00eam as paredes e os tectos cheios de infiltra\u00e7\u00f5es. Podem ser muitas centenas neste momento em toda a cidade. Os problemas s\u00e3o muitos. A presidente da Junta de Freguesia da Marinha Grande, Isabel Freitas, eleita pela CDU, confessa que ela pr\u00f3pria n\u00e3o tem eletricidade e \u00e1gua em casa. \u201cTenho ido tomar banho \u00e0 casa do meu filho em Pataias\u201d, conta. Com a responsabilidade da prote\u00e7\u00e3o civil na freguesia, teve como prioridade garantir a ajuda aos utentes dos lares, sobretudo aqueles que dependem de aparelhos alimentados por energia el\u00e9trica, e proceder ao cuidado das crian\u00e7as em situa\u00e7\u00e3o de acolhimento institucional num centro ali perto que viu um dos seus tectos de pladur desabar durante a noite. <\/p>\n\n\n\n<p>Estas meninas e meninos v\u00e3o ser transferidos para uma creche e est\u00e3o alojados temporariamente no centro dos escoteiros, onde a associa\u00e7\u00e3o Teatro do Bot\u00e3o est\u00e1 respons\u00e1vel pela anima\u00e7\u00e3o e o PCP pelas refei\u00e7\u00f5es. Fora da creche, futura casa destas crian\u00e7as, dezenas de volunt\u00e1rios desdobram-se em esfor\u00e7os para transportar todo o recheio da institui\u00e7\u00e3o carregando sof\u00e1s, fog\u00f5es, m\u00e1quinas de lavar a roupa e outro tipo de mobili\u00e1rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u201cVem l\u00e1 a carrinha do PCP\u201d<\/h2>\n\n\n\n<p>A carrinha \u00e9 branca e traz uma placa de madeira na sua traseira atada com duas cordas onde se pode ler \u201capoio PCP\u201d. Com um amplificador, a voz de Maria Loureiro chega \u00e0s casas das freguesias mais afastadas do centro da Marinha Grande. Depois de ouvir o altifalante preso ao tejadilho da viatura, uma idosa abre a porta e vem pedir comida. V\u00e1rios volunt\u00e1rios ajudam-na a carregar alguns garraf\u00f5es de \u00e1gua. Aqui n\u00e3o h\u00e1 eletricidade e as torneiras est\u00e3o secas. De porta em porta, os comunistas v\u00e3o perguntando o que faz falta e prometem regressar se necess\u00e1rio. Maria Loureiro explica que esta ajuda \u00e9 essencial para romper o isolamento, para saberem que algu\u00e9m se preocupa com elas. A dirigente comunista local, acrescenta ainda que trazerem comida quente para gente que h\u00e1 v\u00e1rios dias s\u00f3 tem comido enlatados \u00e9 essencial.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos solavancos, as rodas da pesada carrinha branca atravessam cabos el\u00e9tricos e outros detritos numa paisagem onde reinam centenas de pinheiros decepados. Aquele que \u00e9 descrito como o eucalipto mais antigo da Europa foi arrancado pela raiz cujo di\u00e2metro tem cerca de quatro metros.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"1004\" data-id=\"9740\"  src=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/L1014437-1-1024x1004.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9740\" srcset=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/L1014437-1-1024x1004.jpg 1024w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/L1014437-1-300x294.jpg 300w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/L1014437-1-768x753.jpg 768w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/L1014437-1-1536x1505.jpg 1536w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/L1014437-1-184x180.jpg 184w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/L1014437-1.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fotografia de Jos\u00e9 Pedro Rodrigues<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"619\" data-id=\"9737\"  src=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/L1014427-1024x619.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9737\" srcset=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/L1014427-1024x619.jpg 1024w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/L1014427-300x181.jpg 300w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/L1014427-768x464.jpg 768w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/L1014427-1536x928.jpg 1536w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/L1014427-180x110.jpg 180w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/L1014427-220x133.jpg 220w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/L1014427.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fotografia de Jos\u00e9 Pedro Rodrigues<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"768\" height=\"1024\" data-id=\"9735\"  src=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/5766987072815172911-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9735\" srcset=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/5766987072815172911-768x1024.jpg 768w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/5766987072815172911-225x300.jpg 225w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/5766987072815172911-510x680.jpg 510w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/5766987072815172911-135x180.jpg 135w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/5766987072815172911.jpg 960w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fotografia de Jos\u00e9 Pedro Rodrigues<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 muitos, muitos anos, por este cemit\u00e9rio de pinheiros atravessava um comboio de lata que carregava consigo a madeira que alimentava o fogo dos homens que criavam vidro. Desde meninos, ainda descal\u00e7os, nas condi\u00e7\u00f5es mais extremas, tornavam-se vidreiros ou empalhadeiras. Durante as longas d\u00e9cadas do fascismo, e j\u00e1 antes, praticamente desde que nasciam, ensinavam-lhes que o Estado servia os mesmos que os sujeitava \u00e0 mis\u00e9ria e \u00e0 pobreza.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela estrada, tamb\u00e9m entre pinheiros, foram conduzidos para Lisboa, em 1934, v\u00e1rios oper\u00e1rios agrilhoados para mais tarde estrearem o campo de concentra\u00e7\u00e3o do Tarrafal depois de terem tomado o poder na cidade durante uma greve geral contra o fascismo, no epis\u00f3dio que ficou conhecido como o Soviete da Marinha Grande.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Cerca de 60 anos depois, os oper\u00e1rios vidreiros serraram pinheiros e atravessaram-nos nas entradas da cidade para impedir a chegada da pol\u00edcia de choque que tinha ordens do governo de Cavaco Silva para reprimir a luta dos trabalhadores vidreiros contra o encerramento da empresa Manuel Pereira Rold\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2017, a popula\u00e7\u00e3o procurou sem \u00eaxito combater os inc\u00eandios que destru\u00edram boa parte do pinhal, numa trag\u00e9dia que ficou marcada a fogo na fisionomia do concelho. Oito anos e meio depois dos inc\u00eandios, a f\u00faria do vento deixou milhares de \u00e1rvores decepadas a perder de vista.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada cidade pulsa ao ritmo de quem a vive. Cada gera\u00e7\u00e3o lega \u00e0 seguinte o seu pr\u00f3prio passado que um dia foi presente e \u00e9 neste encontro que se diluem as cicatrizes e os traumas, que tantas vezes forjam identidades. \u00c9 imposs\u00edvel entender a Marinha Grande sem olhar para a sua hist\u00f3ria comum e para as suas formas coletivas de organiza\u00e7\u00e3o: com um poderoso movimento associativo, foi assim que os marinhenses enfrentaram todas as adversidades.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando as primeiras pessoas sa\u00edram de casa na manh\u00e3 do dia 28 de janeiro, viram aquilo que poderia ter sido o retrato de uma cidade num pa\u00eds em guerra ou de um terramoto. Depois da f\u00faria do vento amainar na Marinha Grande, j\u00e1 com a luz do dia, encontraram, por todo o lado, chapas torcidas, sinais de tr\u00e2nsito arrancados pela tempestade, f\u00e1bricas destru\u00eddas, telhados levantados, enormes \u00e1rvores atravessadas em rotundas e avenidas, janelas partidas, viaturas esmagadas por muros que ru\u00edram.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":9729,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"coauthors":[71],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9726"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9726"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9726\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9804,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9726\/revisions\/9804"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9729"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9726"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9726"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9726"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=9726"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}