{"id":9717,"date":"2026-01-06T11:59:11","date_gmt":"2026-01-06T11:59:11","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=9717"},"modified":"2026-03-08T15:28:27","modified_gmt":"2026-03-08T15:28:27","slug":"a-nova-voz-das-periferias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2026\/01\/06\/a-nova-voz-das-periferias\/","title":{"rendered":"A nova voz das periferias"},"content":{"rendered":"\n<p>\u2018Aqui n\u00e3o entram nem os da Vida Justa\u2019, garantia o pol\u00edcia ufano, elogiando o cerco feito ao Bairro Estrada Militar da Mina de \u00c1gua, na Amadora, no mesmo dia de Julho de 2025 em que dezenas de pol\u00edcias e v\u00e1rias gruas iam tamb\u00e9m derrubar 60 casas no bairro do Talude Militar, em Loures. Mal ignorando a pol\u00edcia que a Vida Justa j\u00e1 l\u00e1 estava. Junto \u00e0s casas encontravam-se os moradores dos bairros, muitos do movimento, mais outros elementos da Vida Justa da zona e pessoas de outras associa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro derrube de dezenas de casas tinha sido h\u00e1 pouco tempo. Na segunda-feira, 30 de junho de 2025, o sol estava a pique e a temperatura aproximava-se dos 40 graus. \u00c0 frente da C\u00e2mara Municipal de Loures, duas dezenas de moradores do Talude abordavam o chefe de gabinete do presidente da c\u00e2mara por causa do despejo de 36 casas no bairro. Uma moradora tentava explicar que trabalhava duramente e n\u00e3o conseguia pagar nem um aluguer de um quarto e que o derrube da sua casa autoconstru\u00edda a ia deixar, a ela e \u00e0 fam\u00edlia, a dormir na rua. O chefe de gabinete argumentava que a autarquia de Loures n\u00e3o queria bairros de barracas. Tinha mais de 1000 pessoas em lista de espera para habita\u00e7\u00e3o e, por isso, estava a despejar as centenas de moradores da Quinta do Mocho que estariam em \u00b4incumprimento\u00b4. \u00b4Talvez assim possamos atribuir casa \u00e0 senhora\u00b4, aventava.<\/p>\n\n\n\n<p>A tentativa de dividir para reinar n\u00e3o caiu bem. E algu\u00e9m respondeu que o que estavam a fazer era derrubar casas de forma ilegal, violando todos os prazos e passos que a lei prev\u00ea, no derrube das habita\u00e7\u00f5es do Talude, e que sabiam bem que a c\u00e2mara queria correr com os moradores pobres da Quinta do Mocho\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui est\u00e3o tr\u00eas primeiros par\u00e1grafos de uma pe\u00e7a sobre a hist\u00f3ria da Vida Justa no Jornal dos Bairros, que em conjunto com a R\u00e1dio Vida Justa comp\u00f5e o novo projecto editorial acess\u00edvel no endere\u00e7o electr\u00f3nico vidajusta.org.<\/p>\n\n\n\n<p>Os bairros e os seus habitantes s\u00f3 aparecem na comunica\u00e7\u00e3o social com uma imagem distorcida que criminaliza a pobreza. A ideia \u00e9 construir um \u00f3rg\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o social que d\u00ea voz aos trabalhadores dos bairros, mostre o que acontece nos territ\u00f3rios populares e leia a actualidade local, nacional e internacional a partir do olhar das popula\u00e7\u00f5es dos bairros.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro grande desafio vai ser a forma\u00e7\u00e3o de uma reda\u00e7\u00e3o com moradores das v\u00e1rias zonas da Vida Justa (Lisboa; Margem Sul; Loures, Odivelas e Vila Franca de Xira; Oeiras e Cascais; Amadora e Linha de Sintra; e Porto) e da quase uma centena de bairros onde h\u00e1 gente que participa na Vida Justa.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda ideia \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o nos bairros de podcasts em cada localidade que alimentem a R\u00e1dio da Vida Justa.<\/p>\n\n\n\n<p>Para concretizar este processo v\u00e3o se realizar, nos pr\u00f3ximos tempos, ac\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o nos bairros que permitam criar conte\u00fados locais e lan\u00e7ar equipas de trabalho. Estas forma\u00e7\u00f5es, na sequ\u00eancia da primeira realizada no Casal da Mira, com mais de 40 participantes, v\u00e3o multiplicar-se: o objectivo do Jornal dos Bairros e R\u00e1dio da Vida Justa \u00e9 amplificar a voz das pessoas que vivem nos bairros.<\/p>\n\n\n\n<p>As camadas populares, nomeadamente os trabalhadores que vivem nos bairros, t\u00eam pouco poder pol\u00edtico e pouca for\u00e7a para imporem os seus interesses na nossa sociedade. S\u00f3 tendo uma maior capacidade para que considerem os seus problemas, e que aceitem as suas solu\u00e7\u00f5es, as pessoas dos bairros podem ver melhorada a sua vida.<\/p>\n\n\n\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de um \u00f3rg\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o social \u00e9 um instrumento fundamental para conseguir que as pessoas dos bairros possam construir um futuro melhor. \u00c9 preciso que as periferias sejam ouvidas. Para a Vida Justa, a periferia n\u00e3o se esgota num lugar geogr\u00e1fico distante do centro. \u00c9 um lugar social em que as pessoas s\u00e3o afastadas do poder de mandar nas sua vida, por isso \u00e9 preciso um combate pol\u00edtico e medi\u00e1tico que lhes d\u00ea poder e voz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Jornal dos Bairros traz informa\u00e7\u00e3o, feita por moradores, sobre o que acontece localmente e sobre os temas que influenciam o nosso dia-a-dia. A R\u00e1dio Vida Justa monta est\u00fadios nos bairros e d\u00e1 espa\u00e7o a MCs e residentes para fazerem ouvir a sua voz. O movimento apelou aos habitantes dos bairros que queiram aderir ao projeto para escreverem para mail@vidajusta.org.<\/p>\n","protected":false},"author":153,"featured_media":9718,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[50],"tags":[],"coauthors":[89],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9717"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/153"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9717"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9717\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9883,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9717\/revisions\/9883"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9718"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9717"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9717"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9717"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=9717"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}