{"id":9542,"date":"2025-11-10T16:07:52","date_gmt":"2025-11-10T16:07:52","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=9542"},"modified":"2025-11-10T16:07:53","modified_gmt":"2025-11-10T16:07:53","slug":"a-desventura-das-autarquicas-nas-palminhas-das-televisoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2025\/11\/10\/a-desventura-das-autarquicas-nas-palminhas-das-televisoes\/","title":{"rendered":"A desventura das aut\u00e1rquicas nas palminhas das televis\u00f5es"},"content":{"rendered":"\n<p>As recentes elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas contaram com um menor n\u00famero de inscritos, 9.303.840, menos cerca de 20 mil que em 2021 (9.323.688), mas, em contrapartida um maior n\u00famero de votos entrados em urna. Foram mais meio milh\u00e3o de eleitores votantes, vindos da absten\u00e7\u00e3o ou exercendo pela primeira vez este dever c\u00edvico, fizeram baixar a absten\u00e7\u00e3o de 46,35%, para 40,74%.<\/p>\n\n\n\n<p>Para j\u00e1, sabemos que apesar dos temas locais &#8211; arruamentos, espa\u00e7os verdes, recolha de lixo, e muitos outros &#8211; trazidos por diversas candidaturas para o debate, foram minud\u00eancias nas agendas medi\u00e1ticas. Mesmo os grandes problemas nacionais a crise na Habita\u00e7\u00e3o, o Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade ou a Escola P\u00fablica n\u00e3o foram suficientemente importantes para os media, pelo que se prev\u00ea que se mantenham firmes e sem resposta; at\u00e9 as causas dos inc\u00eandios, que deixaram arruinadas as popula\u00e7\u00f5es de vastas regi\u00f5es do pa\u00eds, continuam a ser as mesmas todos os anos, apesar dos estudos acumulados em gabinetes criados para o efeito.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto \u00e9, estas realidades incontorn\u00e1veis, para a maioria dos eleitores, ainda que trazidas a debate por muitos candidatos, foram trocadas por outros temas, pelo menos mereceram mais aten\u00e7\u00e3o por parte da Comunica\u00e7\u00e3o Social. A inseguran\u00e7a e a emigra\u00e7\u00e3o, dois temas colados a cuspo, foram recorrentes e sempre comentados pelo l\u00edder do CHEGA. Esta agenda eleitoral medi\u00e1tica seria validada segundo a segundo pelo coment\u00e1rio de Ventura.<\/p>\n\n\n\n<p>A SIC, por exemplo, depois de invocar um crit\u00e9rio \u201ceditorial\u201d para o seu debate de Lisboa, (partidos com representa\u00e7\u00e3o na autarquia) decidiu deixar de fora o candidato da CDU. Depois de pressionada acabou por o incluir, mas, para que a coisa fosse equilibrada, acrescentou o candidato do CHEGA, abdicando do tal crit\u00e9rio editorial. J\u00e1 O P\u00fablico decidiu e excluiu Jo\u00e3o Ferreira, ponto final.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a coisa foi mais funda. Um estudo do Movimento pela Democracia Participativa indica que \u201centre 22 de setembro e 11 de outubro de 2025\u201d o Chega e, em particular, Andr\u00e9 Ventura, alcan\u00e7ou uma visibilidade medi\u00e1tica superior ao PS e PSD, \u201ccom picos marcados na reta final da campanha\u201d. Que a \u201cJusti\u00e7a, assumiu-se como o tema mais persistente e de maior amplitude, enquanto \u2018a seguran\u00e7a\u2019 manteve presen\u00e7a est\u00e1vel e a \u2018imigra\u00e7\u00e3o\u2019 e \u2018ciganos\u2019 revelaram ciclos curtos e intensos t\u00edpicos de \u2018agenda shock\u2019\u201d. A representa\u00e7\u00e3o tem\u00e1tica \u201csugere um ecossistema noticioso propenso \u00e0 amplifica\u00e7\u00e3o de narrativas polarizadoras t\u00edpicas do Chega\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m da menor exposi\u00e7\u00e3o medi\u00e1tica de PS e PSD &#8211; j\u00e1 para n\u00e3o falar dos outros \u2013 a presen\u00e7a do CHEGA preencheu per\u00edodos determinados, com uma agenda pr\u00e9-definida. \u201cO Chega foi o partido mais mencionado na imprensa portuguesa durante toda a campanha, refor\u00e7ando o efeito de sobre representa\u00e7\u00e3o medi\u00e1tica\u201d refere o estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 claro que houve quem aproveitasse a boleia. Sabemos que, por exemplo, em Loures, o candidato socialista, seguiu a sanha persecut\u00f3ria do CHEGA contra imigrantes, no caso do bairro de Talude e, foi eleitoralmente bem sucedido.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m sabemos que o governo de Lu\u00eds Montenegro seguiu essa agenda medi\u00e1tica no processo legislativo, privilegiando as quest\u00f5es da nacionalidade e da imigra\u00e7\u00e3o, num pa\u00eds de emigrantes, e com falta de m\u00e3o-de-obra.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois, num balan\u00e7o p\u00f3s-eleitoral, a leitura empenhada e instant\u00e2nea de jornalistas, confirmada em direto por rep\u00f3rteres e refletida por comentadores confirmava o PSD com o maior n\u00famero de autarquias, 136 ao todo, o Partido Socialista folgava com 128 munic\u00edpios conquistados ou mantidos, a CDU perdia 7 e ganhava quatro, desmentindo profecias e o CHEGA, apesar de tudo e das 60 c\u00e2maras fanfarronadas pelo seu l\u00edder, revista pouco depois em baixa para 30, acabaria com 3. E onde s\u00e3o elas: em Albufeira, onde um ex-PSD sucede ao PSD; na Madeira, em que um ex-socialista, mal sucedido no PS, ingl\u00f3rio no IL chegou agora a vias de facto em S. Vicente; e, por fim, o fen\u00f3meno do Entroncamento, onde um ex-emigrante portugu\u00eas regressado a Portugal, deu a vit\u00f3ria ao partido que mais demoniza o imigrante.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quais ter\u00e3o sido as regras do jogo na cobertura medi\u00e1tica das aut\u00e1rquicas, ou qual o crit\u00e9rio editorial? H\u00e1 um estudo que diz que os temas locais e nacionais mais preocupantes parecem ter sido substitu\u00eddos pelas quest\u00f5es da imigra\u00e7\u00e3o, da seguran\u00e7a e dos ciganos, uma passadeira medi\u00e1tica para o Chega que viajou nas palminhas da TV.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":5330,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[50],"tags":[],"coauthors":[184],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9542"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9542"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9542\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9545,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9542\/revisions\/9545"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5330"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9542"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9542"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9542"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=9542"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}