{"id":9534,"date":"2025-11-10T16:11:41","date_gmt":"2025-11-10T16:11:41","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=9534"},"modified":"2025-12-04T23:23:54","modified_gmt":"2025-12-04T23:23:54","slug":"o-25-de-novembro-que-nao-nos-contam-censura-saneamentos-e-prisoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2025\/11\/10\/o-25-de-novembro-que-nao-nos-contam-censura-saneamentos-e-prisoes\/","title":{"rendered":"O 25 de Novembro que n\u00e3o nos contam: censura, saneamentos e pris\u00f5es"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"pergunta\">Porqu\u00ea este livro?<\/p>\n\n\n\n<p>O cinquenten\u00e1rio faz com que haja, obviamente, uma profus\u00e3o de discursos sobre o que aconteceu no 25 de Novembro e, sobretudo, um grande investimento sobre a carga simb\u00f3lica da data. E, nesse processo, sei que vai haver mais aten\u00e7\u00e3o, mais interesse e curiosidade sobre o que aconteceu e abre-se espa\u00e7o para um trabalho historiogr\u00e1fico poder ter mais p\u00fablico do que de outra maneira teria. E, portanto, h\u00e1 uma interven\u00e7\u00e3o historiogr\u00e1fica, com base em conhecimento acumulado ao longo dos anos, de v\u00e1rias perspectivas, v\u00e1rios testemunhos, v\u00e1rios relatos, e, simultaneamente, a identifica\u00e7\u00e3o de um momento pol\u00edtico, que corresponde \u00e0 tentativa, sobretudo por parte da direita em Portugal, de se apropriar da carga simb\u00f3lica desta data e projetar sobre ela um significado que est\u00e1 completamente ao arrepio daquilo que aconteceu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Entende, portanto, que a direita est\u00e1 a instrumentalizar o 25 de Novembro?<\/p>\n\n\n\n<p>Sempre houve uma instrumentaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do 25 de Novembro. Logo no dia a seguir, no dia 26 de novembro, j\u00e1 h\u00e1 uma s\u00e9rie de discursos e um conjunto de narrativas para oferecer \u00e0 data uma carga simb\u00f3lica, sobretudo em torno da no\u00e7\u00e3o de liberdade e totalitarismo, ou radicalismo e modera\u00e7\u00e3o. E, durante muito tempo, a linha divis\u00f3ria, se quisermos, que se tra\u00e7ava a partir da invoca\u00e7\u00e3o da data, tra\u00e7ava a esquerda. No fundo, de um lado, a extrema-esquerda, o Partido Comunista Portugu\u00eas e as pessoas que se reviam, de alguma maneira, nessa \u00e1rea, e depois todas as pessoas que se posicionam, de grosso modo, mais pr\u00f3ximo do PS, do Documento dos 9, e que alinhavam com o 25 de Novembro. A direita at\u00e9 estava relativamente distante disto, porque olhava, com raz\u00e3o, na verdade, para o que aconteceu naquela data como um confronto, fundamentalmente, entre estas duas sensibilidades, nas quais a direita militar, que seria basicamente os her\u00f3is que esta direita hoje em dia invoca, teria desempenhado um papel relativamente secund\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a passagem do tempo, a figura do Jaime Neves veio emergir com uma import\u00e2ncia que n\u00e3o tinha tido inicialmente. Ramalho Eanes e Melo Antunes eram os grandes protagonistas. E isso permitiu tamb\u00e9m \u00e0 direita criar ali um conjunto de refer\u00eancias simb\u00f3licas em torno do 25 de Novembro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">O que foi afinal o 25 de Novembro?<\/p>\n\n\n\n<p>Foram v\u00e1rias coisas. Eu acho que em primeiro lugar, e foi da\u00ed que eu quis come\u00e7ar, uma subleva\u00e7\u00e3o de uma unidade militar em espec\u00edfico, que s\u00e3o os paraquedistas. Tinham sido utilizados no 11 de Mar\u00e7o pelos spinolistas como ponta de lan\u00e7a do seu ataque contra a esquerda militar. Tinham sido manipulados e manobrados com informa\u00e7\u00f5es de que havia guerrilheiros latino-americanos e grupos armados de extrema esquerda dentro do quartel a preparar uma grande opera\u00e7\u00e3o de assassinato de centenas de pessoas de direita. E depois, quando perceberam que na verdade tinham sido ali apanhados no meio de um enredo que n\u00e3o controlavam, acabaram por parar de disparar. A 7 de novembro, e aqui \u00e9 que \u00e9 o momento crucial desta cronologia, o Conselho da Revolu\u00e7\u00e3o decide destruir o emissor da R\u00e1dio Renascen\u00e7a, que estava ocupada pela Comiss\u00e3o de Trabalhadores. Havia ali um conflito com o Patriarcado de Lisboa, que era o propriet\u00e1rio da r\u00e1dio \u2014 e o governo de Vasco Gon\u00e7alves, na verdade, j\u00e1 tinha decidido devolver a r\u00e1dio aos seus propriet\u00e1rios com a oposi\u00e7\u00e3o de Otelo \u2014, e houve ali uma s\u00e9rie de movimenta\u00e7\u00f5es. O sexto governo provis\u00f3rio de Pinheiro de Azevedo, um governo j\u00e1 mais conservador, mais virado \u00e0 direita, tinha basicamente chegado \u00e0 conclus\u00e3o que n\u00e3o era poss\u00edvel retomar as instala\u00e7\u00f5es sem que houvesse confrontos. Sem saberem, os paraquedistas foram usados pelo Conselho da Revolu\u00e7\u00e3o para destruir, \u00e0 bomba, o emissor da R\u00e1dio Renascen\u00e7a. Isto provoca uma enorme revolta entre os paraquedistas, sobretudo entre os pra\u00e7as e os sargentos, que v\u00e3o dinamizar um processo de contesta\u00e7\u00e3o dentro do corpo de paraquedistas, e sobretudo na base de Tancos, que vai levar ao afastamento de 123 oficiais. O chefe de Estado-Maior da For\u00e7a A\u00e9rea decide dissolver a unidade e em resposta os paraquedistas primeiro colocam-se sob o comando do comandante do Copecon, Otelo Saraiva de Carvalho, que aceita ficar com a autoridade e depois os sargentos organizam a unidade. Mesmo sem os oficiais, os paraquedistas continuam a ser uma tropa de excel\u00eancia, uma for\u00e7a especial, altamente preparada. E \u00e9 isso que acontece na madrugada do dia 25 de novembro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Portanto, n\u00e3o estamos a falar de uma tentativa de golpe para tomar o poder. \u00c9 apenas um protesto dentro das pr\u00f3prias for\u00e7as armadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste caso concreto, nessa madrugada, este protesto, se \u00e9 que podemos cham\u00e1-lo assim, nunca teve o objetivo de executar um golpe. Basta olhar para o desenrolar das opera\u00e7\u00f5es para, acho eu, encontrar uma resposta a essa pergunta. Depois de tomadas v\u00e1rias bases, os revoltosos ficam na expectativa e come\u00e7am a emitir comunicados com as suas reivindica\u00e7\u00f5es. E quais s\u00e3o as suas reivindica\u00e7\u00f5es? Bom, que se bloqueie qualquer processo de dissolu\u00e7\u00e3o dos paraquedistas, o afastamento imediato do Chefe de Estado-Maior da For\u00e7a A\u00e9rea, que \u00e9 responsabilizado pelo que aconteceu na R\u00e1dio Renascen\u00e7a e por toda a escalada, no fundo, de confronta\u00e7\u00e3o com os paraquedistas, a substitui\u00e7\u00e3o dos representantes da For\u00e7a A\u00e9rea no Conselho da Revolu\u00e7\u00e3o e o cancelamento do afastamento do Otelo Saraiva de Carvalho da regi\u00e3o militar de Lisboa. E \u00e9 a\u00ed, neste \u00faltimo ponto, que o protesto dos paraquedistas extravasa o \u00e2mbito do seu pr\u00f3prio conflito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Podemos, portanto, afirmar que j\u00e1 havia um plano em marcha para um golpe contra-revolucion\u00e1rio e que estas circunst\u00e2ncias foram utilizadas para executar esse plano?<\/p>\n\n\n\n<p>Eu acho que houve v\u00e1rias movimenta\u00e7\u00f5es nesse dia de diferentes fac\u00e7\u00f5es politico-militares, cada uma com a sua agenda pr\u00f3pria, de um lado e de outro. Do lado dos sublevados, o que se nota \u00e9 um grande grau de improvisa\u00e7\u00e3o e de rea\u00e7\u00e3o a uma situa\u00e7\u00e3o de fato. Do lado das for\u00e7as da ordem, vamos cham\u00e1-las assim, h\u00e1 um plano longamente amadurecido, uma avalia\u00e7\u00e3o muito cautelosa da constitui\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, uma prepara\u00e7\u00e3o log\u00edstica. H\u00e1 uma frase antiga que diz que os amadores discutem t\u00e1tica, os profissionais discutem log\u00edstica. Todos os meios a\u00e9reos estavam em Cortega\u00e7a, com gasolina, com m\u00edsseis e as muni\u00e7\u00f5es, tudo preparado para sair, os comandos estavam tamb\u00e9m equipados para sair, enquanto que do lado dos revoltosos, tirando os paraquedistas, que de facto fazem aquilo com muita efici\u00eancia, todos os outros est\u00e3o simplesmente a correr atr\u00e1s da situa\u00e7\u00e3o. E portanto, desse ponto de vista, nota-se claramente que a prepara\u00e7\u00e3o est\u00e1 toda de um lado, quase toda de um lado.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois, nas diferentes agendas pol\u00edticas, o Grupo dos Nove, o que pretende \u00e9 clarificar de uma vez por todas a situa\u00e7\u00e3o no plano pol\u00edtico-militar, ou seja, deixar de haver contesta\u00e7\u00e3o \u00e0 hierarquia e a hierarquia ser aquilo que eles definir\u00e3o. Vasco de Louren\u00e7o passa a ser governador da regi\u00e3o militar de Lisboa, Otelo \u00e9 afastado, os oficiais da esquerda militar perdem as posi\u00e7\u00f5es de comando, tirando na Armada, mas h\u00e1 uma nova correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as absolutamente inequ\u00edvoca sobre quem \u00e9 que manda nos militares. Portanto, daqui para a frente, qualquer nova manifesta\u00e7\u00e3o, qualquer protesto radical, no fundo, transgressivo, vai ter uma resposta musculada.<\/p>\n\n\n\n<p>Os Nove n\u00e3o querem reverter as nacionaliza\u00e7\u00f5es. Por isso \u00e9 que logo no dia 26 o Melo Antunes vem dizer que o PCP \u00e9 fundamental para a constru\u00e7\u00e3o do socialismo, que est\u00e3o agora criadas as condi\u00e7\u00f5es para a via democr\u00e1tica para o socialismo. Costa Gomes diz isto, o Pinheiro de Azevedo, primeiro-ministro, diz isto. Sem a esquerda militar, o Grupo dos Nove passa a estar isolado e a direita militar come\u00e7a a vir acima. \u201cAinda n\u00e3o estamos satisfeitos\u201d, diz Jaime Neves. Qual \u00e9 a agenda? Para al\u00e9m de reverter boa parte das conquistas da revolu\u00e7\u00e3o, m\u00e3o dura, ilegalizar o PCP, isso parece claro, ilegalizar ou pelo menos dar um grande chimbalau aos sindicatos, \u00e0 intersindical, \u00e0 extrema-esquerda, tudo o que est\u00e1 \u00e0 esquerda do PS \u00e9 para levar e n\u00e3o \u00e9 para levar pouco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Outro dos mitos \u00e9 falar-se do 25 de Novembro como a data que inaugura a democratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e rutura com modelos \u201ctotalit\u00e1rios\u201d, mas a partir desse dia desencadeia-se um processo de saneamentos contra militares e jornalistas, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Houve cento e tal jornalistas que foram saneados de muitos \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social. Acho que essa \u00e9 a grande quest\u00e3o. Passou a haver controlo sobre a narrativa, sobre os aparelhos ideol\u00f3gicos. Eu acho curioso que se projete sobre o 25 de Novembro a data de in\u00edcio da democracia porque n\u00f3s olhamos para o 25 de Abril e o que vemos \u00e9 centenas de pessoas na rua, milhares de pessoas a fazer a festa, os profissionais da comunica\u00e7\u00e3o social, os jornais todos a sair, \u201ceste n\u00famero n\u00e3o foi visado pela censura\u201d, temos horas e horas e horas de filmagem, montes de relatos, etc. O que \u00e9 que temos no 25 de Novembro? Primeiro o estado de emerg\u00eancia e depois o estado de s\u00edtio. O estado de s\u00edtio permite aos militares ter controlo sobre tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>E o que \u00e9 este controlo sobre tudo? N\u00e3o h\u00e1 jornais. Os primeiros jornais sa\u00edram j\u00e1 em dezembro. Durante mais de uma semana, a \u00fanica fonte de informa\u00e7\u00e3o legal s\u00e3o os comunicados da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica e do Estado-Maior das For\u00e7as Armadas. H\u00e1 o total controle sobre a informa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o pode haver manifesta\u00e7\u00f5es, n\u00e3o pode haver ajuntamentos, reuni\u00f5es pol\u00edticas s\u00f3 com autoriza\u00e7\u00e3o militar, na pr\u00e1tica n\u00e3o h\u00e1. H\u00e1 o total controle sobre a narrativa. E, no meio disto tudo, saneamentos. O Di\u00e1rio de Not\u00edcias s\u00f3 voltou j\u00e1 na \u00faltima semana de dezembro. E que tipo de saneamento \u00e9? \u00c9 o saneamento \u00e0 esquerda, evidentemente. Eu acho curioso que se celebre como verdadeira data da institui\u00e7\u00e3o da democracia uma semana de estado de s\u00edtio em que h\u00e1 censura. J\u00e1 depois, em janeiro, h\u00e1 dezenas de militares presos em Cust\u00f3ias, completamente incomunic\u00e1veis, n\u00e3o podem falar com ningu\u00e9m, n\u00e3o h\u00e1 advogado, n\u00e3o h\u00e1 nada. Est\u00e3o a ser submetidos a interrogat\u00f3rios. O relat\u00f3rio oficial do 25 de Novembro \u00e9 feito por uma organiza\u00e7\u00e3o que tem acesso a estes prisioneiros sem qualquer tipo de advogado presente e que os submete a constantes interrogat\u00f3rios. Militares que passam fome, militares de Abril, a quem n\u00f3s de facto devemos a nossa liberdade, s\u00e3o privados da liberdade, sujeitos a condi\u00e7\u00f5es humilhantes, degradantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Tamb\u00e9m h\u00e1 o mito de que o 25 de Novembro veio acabar com a viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>As redes bombistas de extrema direita continuaram ativas, sim. E s\u00f3 n\u00e3o continuaram mais ativas porque a Pol\u00edcia Judici\u00e1ria do Porto, muitas vezes em clara e manifesta oposi\u00e7\u00e3o ao governador da regi\u00e3o militar do norte e \u00e0s autoridades civis e militares, investigou e, \u00e0 altura, prendeu uma s\u00e9rie de operacionais, e quando o fez, esses operacionais do MDLP, do ELP, bombistas, assassinos, terroristas, colocaram bombas em v\u00e1rios s\u00edtios, colocaram bombas \u00e0 porta do Centro de Trabalho Vit\u00f3ria, colocaram bombas na Embaixada de Cuba, provocando, ali\u00e1s, duas mortes. Em casa de um oper\u00e1rio sindicalista, ali no norte, onde morreu a sua mulher, o atentado aconteceu a mando de um industrial. Essa rede bombista atua com total impunidade, ao longo da segunda metade de 75 e de boa parte de 76, grosso modo at\u00e9 o outono de 76.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Houve envolvimento estrangeiro no 25 de Novembro?<\/p>\n\n\n\n<p>Aparentemente n\u00e3o. Houve uma promessa dos brit\u00e2nicos, isso M\u00e1rio Soares confirmou, de que o primeiro-ministro James Callaghan prometeu apoio tanto de informa\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s do MI5 como gasolina, armamento, muni\u00e7\u00f5es, dinheiro. Houve, claro, bastante dinheiro a circular, seguramente, atrav\u00e9s dos sindicatos controlados pela CIA, das funda\u00e7\u00f5es da social-democracia alem\u00e3, e algum desse dinheiro deve ter chegado tamb\u00e9m a militares. Sabemos que Carlucci [embaixador norte-americano] estava muito bem informado. H\u00e1 uma s\u00e9rie de documentos, telegramas enviados pela Embaixada para o Departamento de Estado, alguns dos quais est\u00e3o compilados num volume publicado, mas nem tudo l\u00e1 foi parar. Logo no in\u00edcio de setembro, mandou um telegrama para Washington a dizer que o Grupo dos Nove estava a preparar um golpe militar: caso n\u00e3o ganhem em Tancos, v\u00e3o avan\u00e7ar militarmente a partir do norte. O que sabemos \u00e9 que, de facto, Carlucci estava muito bem informado. H\u00e1 34 telegramas enviados por Carlucci entre 25 e 26 de Novembro, todos chamados Situation Report, todos intitulados Paratrooper Mutiny. Ele nunca se refere ao que acontece como um golpe. Nunca. E est\u00e1 sempre a sublinhar que o PCP parece n\u00e3o estar envolvido. Aparentemente, s\u00e3o s\u00f3 os paraquedistas. Depois come\u00e7a a dizer que, de facto, as outras unidades est\u00e3o mobilizadas, mas n\u00e3o os v\u00ea sair. Portanto, n\u00e3o parece haver um assalto ao poder, n\u00e3o parece haver um golpe.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Continua a ser um dos epis\u00f3dios mais controversos da hist\u00f3ria recente de Portugal. Durante d\u00e9cadas, a narrativa dominante apresentou esse dia como a derrota de uma tentativa de golpe da esquerda \u201cradical\u201d contra as for\u00e7as \u201cmoderadas\u201d. No entanto, s\u00e3o v\u00e1rios os factos que mostram que estava em marcha um plano para acabar com a revolu\u00e7\u00e3o. Com a revolu\u00e7\u00e3o de Abril, houve manifesta\u00e7\u00f5es de j\u00fabilo nas ruas, imprensa finalmente livre e liberta\u00e7\u00e3o de presos. Novembro trouxe o controlo militar, o regresso da censura e o saneamento de jornalistas e a pris\u00e3o de militares. Para compreender melhor as din\u00e2micas e os interesses em jogo nesse momento decisivo, convers\u00e1mos com Ricardo Noronha, doutorado em Hist\u00f3ria pela Universidade Nova de Lisboa e investigador do Instituto de Hist\u00f3ria Contempor\u00e2nea (NOVA FCSH), que acaba de lan\u00e7ar um livro dedicado ao tema.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":9535,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[44],"tags":[],"coauthors":[71],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9534"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9534"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9534\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9656,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9534\/revisions\/9656"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9535"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9534"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9534"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9534"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=9534"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}