{"id":9385,"date":"2025-09-01T16:34:37","date_gmt":"2025-09-01T16:34:37","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=9385"},"modified":"2025-09-01T16:34:38","modified_gmt":"2025-09-01T16:34:38","slug":"eddington-o-medo-do-desconhecido-num-mundo-pandemico-e-individualista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2025\/09\/01\/eddington-o-medo-do-desconhecido-num-mundo-pandemico-e-individualista\/","title":{"rendered":"\u201cEddington\u201d: o medo do desconhecido num mundo pand\u00e9mico e individualista"},"content":{"rendered":"\n<p><em>\u201cEddington\u201d<\/em>\u00a0estreou em finais de Agosto nas salas de cinema nacionais, e \u00e9 realizado por Ari Aster, que deu a Joaquim Phoenix o papel do xerife protagonista Joe Cross. O filme \u00e9 um retrato por vezes hiperb\u00f3lico de uma comunidade, mas que sublinha uma certa aliena\u00e7\u00e3o em que a sociedade actual vive. O centro temporal \u00e9 o ver\u00e3o pand\u00e9mico de 2020, e tudo acontece na pequena cidade de Eddington, no Novo M\u00e9xico. O v\u00edrus COVID-19 tinha despertado, e existiam sobre ele muitas inc\u00f3gnitas. Joe Cross \u00e9 ainda bastante c\u00e9ptico; \u00e9 com relut\u00e2ncia que cumpre as regras do uso de m\u00e1scara e da dist\u00e2ncia higi\u00e9nica. As suas preocupa\u00e7\u00f5es prendem-se com o p\u00e2nico de alguns cidad\u00e3os, que os leva \u00e0 falta de compaix\u00e3o e a elaborar ju\u00edzos sobre os outros. Numa cena inicial, \u00e0 porta de um supermercado, o seguran\u00e7a e as pessoas na fila do exterior est\u00e3o a ser violentas com um idoso que quer entrar sem m\u00e1scara, alegando que com ela n\u00e3o consegue respirar. Joe defende o homem, e entra tamb\u00e9m sem m\u00e1scara. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ostensivamente filmada por outros clientes no interior da loja. O homem acaba por sair sem compras. O xerife sai, e oferece \u00e0quele habitante de Eddington o que ele acabou por n\u00e3o conseguir comprar. O momento \u00e9 paradigm\u00e1tico do p\u00e2nico e consequente divis\u00e3o que aconteceu entre as pessoas, como consequ\u00eancia do desconhecido que o mundo viveu h\u00e1 cinco ver\u00f5es atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um pa\u00eds dividido, e um v\u00edrus que quebra a comunica\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Ted Garcia (Pedro Pascal), o presidente da c\u00e2mara, \u00e9 um cumpridor escrupuloso de todas as regras; as rivalidades aguzidam-se quando Joe decide candidatar-se para as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es a \u201cmayor\u201d da cidade. Os Estados Unidos da Am\u00e9rica s\u00e3o um pa\u00eds dividido, ainda que plural e supostamente livre. A acrescentar a tudo, isto surgem os protestos contra o ent\u00e3o recente brutal assassinato de George Floyd \u00e0s m\u00e3os das autoridades policiais, em Maio de 2025, no Minneapolis, que p\u00f5em a juventude de Eddington contra a pol\u00edcia local, em defesa da igualdade e contra a discrimina\u00e7\u00e3o racial.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma onda de paranoia est\u00e1 em efervesc\u00eancia, tanto por parte dos que sentem o v\u00edrus como uma grande amea\u00e7a, como por aqueles que n\u00e3o se conformam com as injusti\u00e7as sociais que prevalecem e separam o povo americano.<\/p>\n\n\n\n<p>Joe Cross \u00e9 uma personagem excessiva, apesar de querer manter um certo equil\u00edbrio relativamente ao sentido de justi\u00e7a humana, mais do que cumprir cegamente a Lei e as medidas impostas pela situa\u00e7\u00e3o pand\u00e9mica. Ted Garcia \u00e9 um homem movido pelo poder e pela sua auto-imagem; s\u00f3 lhe interessa o refor\u00e7o do seu poder e a campanha pol\u00edtica que est\u00e1 em curso.<\/p>\n\n\n\n<p>A desuni\u00e3o entre habitantes aumenta. A reivindica\u00e7\u00e3o rapidamente progride para actos violentos e de destrui\u00e7\u00e3o. Semelhante escalada de \u201cloucura\u201d acontece por parte do xerife Joe, como reac\u00e7\u00e3o ao que se tornou incontrol\u00e1vel em Eddington, e contra o populismo e a falta de empatia do presidente de c\u00e2mara e candidato Ted. A sua viol\u00eancia, noutro contexto e noutro estilo, poderiam ser um ponto dram\u00e1tico mal aplicado a este enredo. Por\u00e9m, no auge da pandemia e do isolamento que todos enfrent\u00e1mos, \u00e9 totalmente justificada. O exagero refor\u00e7a at\u00e9 que ponto cada cidad\u00e3o consegue ir perante a incerteza, os perigos e a aus\u00eancia de sensibilidade. As palavras do realizador e argumentista Ari Aster, numa entrevista ao site rogerebert.com, ajudam a acrescentar outros sintomas em imin\u00eancia na sociedade civil, tanto norte-americana como mundial: \u201c<em>Tentei n\u00e3o julgar nenhuma das personagens. Acima de tudo, estava a tentar afastar-me o m\u00e1ximo que conseguia, para dar um panorama alargado da paisagem. N\u00e3o apenas a paisagem f\u00edsica da cidade, mas tamb\u00e9m o sentido ideol\u00f3gico da comunidade. Todas estas pessoas vivem na internet, e v\u00eaem o mundo atrav\u00e9s dessas janelas estranhas e individualizadas.\u201d<\/em>&nbsp;Cabe a cada um de n\u00f3s optar por um esp\u00edrito fraterno e de partilha comunit\u00e1ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEddington\u201d\u00a0estreou em finais de Agosto nas salas de cinema nacionais, e \u00e9 realizado por Ari Aster, que deu a Joaquim Phoenix o papel do xerife protagonista Joe Cross. 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