{"id":9303,"date":"2025-08-06T08:37:35","date_gmt":"2025-08-06T08:37:35","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=9303"},"modified":"2025-08-06T08:37:35","modified_gmt":"2025-08-06T08:37:35","slug":"ola-as-armas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2025\/08\/06\/ola-as-armas\/","title":{"rendered":"Ol\u00e1 \u00e0s armas"},"content":{"rendered":"\n<p>Ant\u00f3nio Guerreiro, em \u201cAc\u00e7\u00e3o Paralela\u201d, referia que a palavra distopia tinha conseguido saltar a fronteira do jarg\u00e3o t\u00e9cnico-liter\u00e1rio para a linguagem corrente, onde antes seria mais f\u00e1cil encontrar a palavra utopia. Um caminho feito por roteiros de Hollywood no seu papel dessensibilizador da viol\u00eancia e do romance do fim do capitalismo em grande cat\u00e1strofe, sem vislumbrar a exist\u00eancia de alguma alternativa ou de qualquer supera\u00e7\u00e3o de um caminho de auto-aniquila\u00e7\u00e3o para al\u00e9m do heroi mais ou menos idiossincr\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos pequenos ecrans, e de forma di\u00e1ria, vemos reflexos constantes de narrativas de destrui\u00e7\u00e3o, convenientemente sustentadas com o perigo do outro e a necessidade de defesa na preserva\u00e7\u00e3o de valores pr\u00f3prios, aparentemente exclusivos do lado de c\u00e1. Onde, num passado recente, se falava na necessidade de conten\u00e7\u00e3o financeira na melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida dos europeus, anunciam-se agora quantias avultadas para a velha corrida ao armamento.<\/p>\n\n\n\n<p>No horizonte, outrora ut\u00f3pico, a palavra guerra prefixa todas as ideias do nosso futuro colectivo de forma t\u00e3o natural como a aspira\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es a uma vida digna, que come\u00e7aria na liberdade e na paz. A viol\u00eancia dos conflitos que decorrem \u00e9 tal forma b\u00e1rbara que remete a conven\u00e7\u00e3o dos direitos humanos a letra morta e a ONU \u00e0 irrelev\u00e2ncia j\u00e1 h\u00e1 muito planeada.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o nos iludamos, nem nos deixemos enganar. \u00c0 nossa corrida \u00e0s armas outras corridas se opor\u00e3o. Cada bala fabricada tem como alvo a carne de um semelhante. Cada bomba armazenada aguarda a destrui\u00e7\u00e3o cega de uma constru\u00e7\u00e3o colectiva. Quanto mais armas fabricadas, mais longas e sangrentas as guerras, ou maiores os pai\u00f3is cheios de desperd\u00edcio. O neg\u00f3cio da guerra n\u00e3o traz nenhum benef\u00edcio econ\u00f3mico para as popula\u00e7\u00f5es. O seu resultado l\u00edquido n\u00e3o nutre de cultura as nossas mentes, n\u00e3o edifica as nossas casas, escolas ou hospitais e n\u00e3o serve de p\u00e3o. Tampouco nos serve de defesa, ser\u00e3o os trabalhadores que constroem as armas que as envergar\u00e3o e que com elas caminhar\u00e3o rumo ao memorial do soldado desconhecido. No lugar de uma for\u00e7a de trabalho dedicada a um sonho colectivo, teremos desertos de escombros fumegantes como campas de cad\u00e1veres desconhecidos. Na vez de uma gera\u00e7\u00e3o que cresce na paz, teremos jovens marcados pelos horrores da guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 verba excedente o suficiente para se entregar \u00e0 guerra que n\u00e3o seja necess\u00e1ria a um projecto social mais amplo. E, como se v\u00ea, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma paz f\u00e9rtil e duradoura constru\u00edda sobre um monte de bombas prontas a explodir. A direita, que surge agora com promessas de acabar com as guerras, alimenta conflitos e genoc\u00eddios camuflados sob a desestabiliza\u00e7\u00e3o da economia global.<\/p>\n\n\n\n<p>Pouco ou nada surge do nada, superadas as crises das d\u00edvidas soberanas, e depois a sanit\u00e1ria, o capital continua, e continuar\u00e1 enquanto o permitirmos, a gerar crises das suas contradi\u00e7\u00f5es na impossibilidade de gerar bem-estar a todos respeitando o ecossistema que nos rodeia. Aos povos nada mais serve do que o fim da guerra; o desarmamento incondicional mundial; a dissolu\u00e7\u00e3o dos blocos e alian\u00e7as b\u00e9licas. Recordar as aspira\u00e7\u00f5es de um internacionalismo baseado no progresso e desenvolvimento comuns, constru\u00eddo na paz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Onde, num passado recente, se falava na necessidade de conten\u00e7\u00e3o financeira na melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida dos europeus, anunciam-se agora quantias avultadas para a velha corrida ao armamento.<\/p>\n","protected":false},"author":47,"featured_media":9304,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[52],"tags":[],"coauthors":[129],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9303"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/47"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9303"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9303\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9306,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9303\/revisions\/9306"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9304"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9303"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9303"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9303"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=9303"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}