{"id":9231,"date":"2025-07-02T21:13:57","date_gmt":"2025-07-02T21:13:57","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=9231"},"modified":"2025-07-02T21:13:58","modified_gmt":"2025-07-02T21:13:58","slug":"fugas-de-cerebros-ca-dentro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2025\/07\/02\/fugas-de-cerebros-ca-dentro\/","title":{"rendered":"Fugas de c\u00e9rebros c\u00e1 dentro"},"content":{"rendered":"\n<p>O privil\u00e9gio constante do capital e da facilita\u00e7\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o de lucro acumul\u00e1vel e intoc\u00e1vel pela tributa\u00e7\u00e3o \u00e9 apresentado como de interesse superior para os trabalhadores ao inv\u00e9s de servi\u00e7os p\u00fablicos e ferramentas de distribui\u00e7\u00e3o de riqueza que s\u00e3o linhas caracter\u00edsticas de um estado com pol\u00edticas fortes em sectores chave como a habita\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e principais linhas orientadora de uma pol\u00edtica econ\u00f3mica de prosperidade para todos. A cada solu\u00e7\u00e3o concreta para um problema do povo apresenta-se o medo de espantar um qualquer fundo ou actor privado do mercado, mesmo que este n\u00e3o sirva a maioria, sendo o caso mais evidente, no momento, o problema da habita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O Santo Graal do investimento externo \u00e9 o das grandes tecnol\u00f3gicas. N\u00e3o h\u00e1 primeira p\u00e1gina que n\u00e3o espere por uma not\u00edcia sumarenta de uma tecnol\u00f3gica de nome sonante com interesses em solo nacional. Todo o investimento da\u00ed vindo \u00e9 uma promessa modernizadora da economia nacional e fixadora de talentos \u201cmade in\u201d Portugal. Depois de disputada a localiza\u00e7\u00e3o, segue-se o an\u00fancio da verba investida e dos postos de trabalho. Conseguidas umas quantas proezas destas, monta-se um \u201cqualquer-coisa-valley\u201d e pinta-se de modernidade toda a envolvente.<\/p>\n\n\n\n<p>Escalpelizado este investimento, encontramos uma realidade pouco discutida. Em muitos casos, escrit\u00f3rios com servi\u00e7os mais ou menos in\u00fateis ao cerne do neg\u00f3cio das grandes tecnol\u00f3gicas, que procuram na maioria das vezes m\u00e3o-de-obra barata para servi\u00e7os menos relevantes e pouco ou nada tecnol\u00f3gicos. N\u00e3o raros s\u00e3o os casos em que produtos de elevado valor acrescentado s\u00e3o desenvolvidos em parceria com muitos outros polos, pelo mundo espalhados, sem que se concentre, fora da casa m\u00e3e, a totalidade do desenvolvimento, muito menos o grosso da sua mais-valia. Noutros casos, desenvolvimentos tecnol\u00f3gicos de elevado valor acrescentado s\u00e3o adquiridos para controlo de m\u00e3os estrangeiras, todos os produtos ou servi\u00e7os produzidos, encontrando-se na \u00e1rea da propriedade intelectual, s\u00e3o escoados para fora do pa\u00eds sem qualquer mais-valia local, acabando vendidos e facturados em para\u00edsos fiscais. Essas empresas, mesmo constituindo uma parte importante de investiga\u00e7\u00e3o e desenvolvimento e de produ\u00e7\u00e3o de tecnologia de ponta, n\u00e3o apresentam resultados financeiros pr\u00f3prios relevantes e devem toda a propriedade \u00e0 casa m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p>Em todos estes casos, o contributo para a moderniza\u00e7\u00e3o da economia \u00e9 diminuto ou nulo, por mais que alguns pol\u00edticos enchem de glamour o nome dos parques tecnol\u00f3gicos. No que toca ao er\u00e1rio p\u00fablico, vemos apenas contribui\u00e7\u00f5es do trabalho, resultado da tributa\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rios dos trabalhadores, visto que as factura\u00e7\u00f5es s\u00e3o de escassa relev\u00e2ncia. Da reten\u00e7\u00e3o de c\u00e9rebros fica a massa cinzenta, bem verdade e at\u00e9 relevante, mas em cont\u00ednua produ\u00e7\u00e3o da riqueza de outras na\u00e7\u00f5es e n\u00e3o assim t\u00e3o diferente dos emigrados, no que toca ao progresso e moderniza\u00e7\u00e3o da economia nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 pouco prov\u00e1vel, e assim foi sempre no passado, que seja de fora que se d\u00ea o impulso da moderniza\u00e7\u00e3o da economia de outro pa\u00eds. At\u00e9 porque os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos sempre foram mat\u00e9ria de prote\u00e7\u00e3o nacional, j\u00e1 no s\u00e9c.XIII havia poucos s\u00edtios melhor guardados, na Europa, do que as oficinas de produ\u00e7\u00e3o de vidro, onde cada avan\u00e7o na tecnica era considerado um segredo de estado!<\/p>\n\n\n\n<p>No dom\u00ednio da tecnologia e do desenvolvimento (palavra empoeirada desde a vacuosa \u201cinova\u00e7\u00e3o\u201d) as&nbsp;vantagens, para o progesso das popula\u00e7\u00f5es, t\u00eam sido sempre conseguidas com pol\u00edticas de apoio \u00e0 ci\u00eancia e investiga\u00e7\u00e3o (n\u00e3o se leia inova\u00e7\u00e3o) p\u00fablicas capazes de formar quadros t\u00e9cnicos de elevada qualidade e massa cr\u00edtica capaz de alimentar uma economia de elevado valor acrescentado na produ\u00e7\u00e3o nacional. Deste importante capital humano e do seu conhecimento devem, depois, ser fomentadas pol\u00edticas de investimento p\u00fablico que fomentem o seu uso na moderniza\u00e7\u00e3o da ind\u00fastira existente e na cria\u00e7\u00e3o de novas linhas de produ\u00e7\u00e3o em \u00e1reas relevantes para o sistema produtivo nacional, que sirvam o pa\u00eds e em que nos possamos, tamb\u00e9m, destacar internacionalmente pela qualidade e originalidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O o\u00e1sis dourado do investimento externo como alpha e omega de modelo de desenvolvimento tem sido o mote para a implementa\u00e7\u00e3o e viabiliza\u00e7\u00e3o de cen\u00e1rios econ\u00f3micos com escolhas pol\u00edticas, vincadamente, neo-liberais.<\/p>\n","protected":false},"author":47,"featured_media":9232,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[52],"tags":[],"coauthors":[129],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9231"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/47"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9231"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9231\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9234,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9231\/revisions\/9234"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9232"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9231"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9231"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9231"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=9231"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}