{"id":9141,"date":"2025-06-03T13:31:01","date_gmt":"2025-06-03T13:31:01","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=9141"},"modified":"2025-06-03T13:31:02","modified_gmt":"2025-06-03T13:31:02","slug":"o-25-de-abril-que-novembro-traiu-de-manuel-duran-clemente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2025\/06\/03\/o-25-de-abril-que-novembro-traiu-de-manuel-duran-clemente\/","title":{"rendered":"O 25 de Abril que Novembro Traiu, de Manuel Duran Clemente"},"content":{"rendered":"\n<p>Num tempo em que o Portugal trauliteiro, arrogante, xen\u00f3fobo e reacion\u00e1rio abre de novo a asas de corvo velho, num despudor de ran\u00e7o cavern\u00edcola e discursos cerzidos a teias-de-aranha e ret\u00f3rica p\u00edfia a tresandar enlatadas vozes avoengas, de Salazar e Caetano, necess\u00e1rio se torna que a esquerda consequente, inteligente e corajosa enfrente, com determina\u00e7\u00e3o e as armas da den\u00fancia e da factualidade hist\u00f3rica, essa c\u00e1fila de ressurrectos algozes dos dias da mis\u00e9ria, da fome e da guerra, mesmo que em fatos de seda e falas de cetim. A esses novos \u201ccavaleiros do apocalipse\u201d que se perfilam em pilecas de perf\u00eddia e nojo, devemos responder com a raz\u00e3o e a justi\u00e7a, com os ideais l\u00eddimos e progressista que Abril nos deu e as porta do devir que ele abriu.<\/p>\n\n\n\n<p>O novo livro do \u201ccapit\u00e3o de Abril\u201d, Manuel Duran Clemente, vai nesse sentido, quando denuncia, ponto por ponto, etapa por etapa, vergonha e crimes, o Novembro que traiu os mais altos sonhos e projectos de Abril, e permitiu que, no Pa\u00eds solar, o dia&nbsp;<em>inteiro e limpo<\/em>&nbsp;fosse paulatinamente regressando ao lodo dos tempos ignaros. Os criminosos do&nbsp;<em>Ver\u00e3o Quente de 75&nbsp;<\/em>est\u00e3o hoje no poder, sentam-se \u00e0 mesa do or\u00e7amento, t\u00eam lugar na Assembleia da Rep\u00fablica, que quer\u00edamos asseada e livre, e t\u00eam assento no seu \u00f3rg\u00e3o dirigente.<\/p>\n\n\n\n<p>O que mudou para que esta&nbsp;<em>vil tristeza,&nbsp;<\/em>que h\u00e1 s\u00e9culos tolhe os passos mais audazes deste pa\u00eds, regressasse impante, 50 anos ap\u00f3s o dia maior das nossas vidas? Algumas das raz\u00f5es s\u00e3o assinaladas por Duran Clemente, logo a abrir o discurso e recorrendo ao livro&nbsp;<em>Esta Democracia Filofascista,&nbsp;<\/em>de um dos nossos militares mais corajosos e l\u00facidos, Jo\u00e3o Varela Gomes. As raz\u00f5es do decl\u00ednio de alguns valores de Abril, vem logo plasmada nas primeiras linhas:&nbsp;<em>uma sociedade onde reina a indiferen\u00e7a e cepticismo pol\u00edtico, e em que a mediocridade do pensamento cr\u00edtico permanece inabal\u00e1vel,&nbsp;<\/em>n\u00e3o pode ter futuro, um futuro digno e socialmente justo.<em>&nbsp;<\/em>Mal cong\u00e9nito o nosso, que a par de grandes vultos da Cultura e dos saberes (quase sempre sonegados) se junta uma corja de seres rastejantes, c\u00ednicos, corruptos e videirinhos, que v\u00e3o derruindo por dentro as ameias de um pa\u00eds que merecia outra e sorte e, afinal, traz acolitados a partidos a que Abril concedeu alforria, toda a corja de sabujos. Diz-nos ainda Varela Gomes, neste oportuno tributo que um seu camarada de Armas lhe dedica neste&nbsp;<em>O 25 de Abril que Novembro Traiu: \u201cOs velhos fascistas restaurados no seu poderio. Os Mellos, os Champalimaud, os vampiros de outras eras, novamente em ac\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/em>E outros, de igual colheita, que a eles se juntaram.<\/p>\n\n\n\n<p>Se este novo e urgente livro de Duran Clemente abre com um tributo a Varela Gomes, o seu grito final \u00e9 de esperan\u00e7a, de afirma\u00e7\u00e3o do caminho iniciado em Abril de 1975: basta Ter Esperan\u00e7a que dias mais altos e fecundos surgir\u00e3o, h\u00e1 sempre, na hist\u00f3ria dos povos, momentos inesperados, o poder, mesmo o das autocracias mais infrenes, \u00e9 sempre&nbsp;<em>mais fr\u00e1gil do que pensamos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Rui Pereira, que prefacia este novo livro, refere com l\u00edmpida justeza: \u00abDuran Clemente e outros homens como ele, que actuaram numa situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria e contra-revolucion\u00e1ria muito complexa, est\u00e3o na hist\u00f3ria deste pa\u00eds, diga-se o que se disser e pense-se e sinta-se a esse respeito o que se quiser sentir e pensar.\u00bb<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 da nossa hist\u00f3ria contempor\u00e2nea que este livro fala, dos avan\u00e7os e recuos de um agreste percurso. Nada est\u00e1, no entanto, perdido. \u00c9 necess\u00e1rio resistir porque, como escreveu Romain Rolland,&nbsp;<em>\u00c9 livre quem est\u00e1 pronto a tudo sacrificar \u00e0 sua alma livre.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O 25 de Abril que Novembro Traiu, de Manuel Duran Clemente \u2013 Edi\u00e7\u00e3o Modocromia\/2025<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num tempo em que o Portugal trauliteiro, arrogante, xen\u00f3fobo e reacion\u00e1rio abre de novo a asas de corvo velho, num despudor de ran\u00e7o cavern\u00edcola e discursos cerzidos a teias-de-aranha e ret\u00f3rica p\u00edfia a tresandar enlatadas vozes avoengas, de Salazar e Caetano, necess\u00e1rio se torna que a esquerda consequente, inteligente e corajosa enfrente, com determina\u00e7\u00e3o e &hellip; <a href=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2025\/06\/03\/o-25-de-abril-que-novembro-traiu-de-manuel-duran-clemente\/\" class=\"more-link\">Continue reading <span class=\"screen-reader-text\">O 25 de Abril que Novembro Traiu, de Manuel Duran Clemente<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":9142,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[48],"tags":[],"coauthors":[108],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9141"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9141"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9141\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9144,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9141\/revisions\/9144"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9142"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9141"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9141"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9141"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=9141"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}