{"id":9111,"date":"2025-06-03T09:24:33","date_gmt":"2025-06-03T09:24:33","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=9111"},"modified":"2025-06-03T09:24:34","modified_gmt":"2025-06-03T09:24:34","slug":"que-as-festas-facam-renascer-a-alma-lisboeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2025\/06\/03\/que-as-festas-facam-renascer-a-alma-lisboeta\/","title":{"rendered":"Que as Festas fa\u00e7am &#8220;renascer a alma lisboeta&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"pergunta\">Como se relacionou com a Voz do Oper\u00e1rio?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cust\u00f3dia Galego<\/strong>&nbsp;&#8211; Como m\u00e3e e av\u00f3. Viv\u00edamos em Benfica, a escola d\u2019 A Voz do Oper\u00e1rio n\u00e3o estava dentro da \u00e1rea de resid\u00eancia, mas tinha-a como refer\u00eancia, pelo modelo educativo. N\u00e3o consegui p\u00f4r os meus filhos nesta escola, mas consegui p\u00f4r os netos este ano e estou muito feliz.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Jos\u00e9 Raposo<\/strong>&nbsp;\u2013 Conhe\u00e7o a institui\u00e7\u00e3o desde sempre, \u00e9 uma refer\u00eancia. Estive pela primeira vez n\u2019 A Voz pelo Teatro ADHOC, com uma pe\u00e7a infantil de Natal, em 1982. Agora, venho buscar os meus netos que est\u00e3o na escola h\u00e1 3 anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">O que encontra de diferente nesta escola?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CG<\/strong>&nbsp;&#8211; No ensino tradicional, ir \u00e0 escola \u00e9 como ir trabalhar, n\u2019 A Voz n\u00e3o. Aprende-se pelo prazer de satisfazer a curiosidade. Esta escola forma adultos curiosos e com vontade de aprender. Temos de criar cidad\u00e3os curiosos. E, por isso, espero que esta escola torne os meus meninos seres humanos curiosos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>JR<\/strong>&nbsp;\u2013 A Voz \u00e9 uma escola de liberdade, tenho aqui dois netos, foi o meu filho que teve a iniciativa de os inscrever, mas fiquei muito contente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">E como \u00e9 ser Madrinha e Padrinho da Marcha de mi\u00fados d\u2019 A Voz do Oper\u00e1rio?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CG<\/strong>&nbsp;\u2013 \u00c9 um orgulho e estou muito agradecida pelo convite d\u2019 A Voz do Oper\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>JR&nbsp;<\/strong>&#8211; Esta marcha d\u2019 A Voz tem a particularidade maravilhosa de ser constitu\u00edda por crian\u00e7as e n\u00e3o ser competitiva e, por isso, \u00e9 o melhor convite que tive.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">E como v\u00ea esta tradi\u00e7\u00e3o das marchas populares?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CG<\/strong>&nbsp;&#8211; \u00c9 uma cultura regional, uma tradi\u00e7\u00e3o lisboeta. O sentido de comunidade nos bairros, em Lisboa, era muito grande. Espero que esta tradi\u00e7\u00e3o revitalize esse esp\u00edrito de comunidade, a necessidade de partilharem o mesmo espa\u00e7o geogr\u00e1fico, privilegiando o com\u00e9rcio do bairro. Digo-o muitas vezes: usem os vizinhos, usem-se uns aos outros nos momentos em que precisam de ajuda, partilhem o transporte para o trabalho, para levar as crian\u00e7as \u00e0 escola. E que este tipo de cultura fa\u00e7a regressar o esp\u00edrito dessa comunidade de partilha.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>JR&nbsp;<\/strong>\u2013 \u00c9 uma manifesta\u00e7\u00e3o popular que \u00e9 muito importante e adoro fazer parte dela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">O que est\u00e3o a fazer agora?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CG<\/strong>&nbsp;&#8211; Acabei a \u201cM\u00e9dica\u201d em mar\u00e7o, agora, at\u00e9 junho, julho ou outubro n\u00e3o vou fazer mais televis\u00e3o, porque vou fazer um interregno grande de que preciso para me inspirar. \u00c9 que o trabalho de televis\u00e3o \u00e9 muito intenso. Levantamo-nos, come\u00e7amos a trabalhar cedo e, depois, l\u00e1 para as sete da tarde, chegamos a casa, jantamos qualquer coisa e antes de descansar temos de decorar as cenas todas para o dia seguinte. Vejo a minha fam\u00edlia e pouco mais. N\u00e3o temos vida social. Para sermos produtivos, temos de ter vida, de nos inspirar no comportamento humano, \u00e9 essa minha ferramenta de trabalho, porque a t\u00e9cnica aprende-se na escola.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>JF<\/strong>&nbsp;\u2013 Estou a fazer uma pe\u00e7a j\u00e1 h\u00e1 um ano, mas na fase das digress\u00f5es. De quinta a domingo estou sempre fora, numa cidade diferente e segunda, ter\u00e7a e quarta estou a gravar uma novela. \u00c9 uma f\u00e1brica, mas tamb\u00e9m s\u00e3o as novelas que nos pagam as nossas vidas e que d\u00e3o trabalho a centenas e centenas de pessoas, por isso, ainda bem que existe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">A Marcha Infantil d\u2019 A Voz do Oper\u00e1rio tem como tema a \u201cpaz\u201d. Pode-se dizer que \u00e9 falar de \u201cpaz\u201d em tempos de guerra\u2026<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CG<\/strong>&nbsp;&#8211; Guerra, e em v\u00e1rios campos: a dos poderes econ\u00f3micos, das diferen\u00e7as, das culturas, da religi\u00e3o. Sempre pensei que esse momento j\u00e1 fosse passado, que todos tiv\u00e9ssemos os condimentos, para que isto n\u00e3o acontecesse nesta altura da civiliza\u00e7\u00e3o. \u00c9 por isso que estas escolas s\u00e3o importantes. Se a educa\u00e7\u00e3o fizer com que as pessoas aceitem as diferen\u00e7as, combatam o racismo, aceitem todos como s\u00e3o, tudo ser\u00e1 diferente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>JR<\/strong>&nbsp;\u2013 Foi um tema muito bem escolhido. \u00c9 sempre importante falar de paz, mas, nesta altura, em que h\u00e1 uma corrida \u00e0s armas para alimentar essa ind\u00fastria horr\u00edvel, \u00e9 ainda mais oportuno. \u00c9 importante consciencializar os mi\u00fados e, na hist\u00f3ria da humanidade, talvez seja este o momento de falar de paz, at\u00e9 pelo perigo da guerra nuclear.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">A C\u00e2mara definiu como tema a Alma de Lisboa, mas falar hoje da alma de Lisboa parece mais falar de alma penada, n\u00e3o acha?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CG<\/strong>&nbsp;&#8211; Mas \u00e9 por isso que este tipo de festa, que tem a ver com as comunidades mais pequeninas de cada bairro que comp\u00f5em a grande comunidade que \u00e9 a urbe, pode ter esse efeito de fazer renascer a alma de Lisboa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>JR<\/strong>&nbsp;\u2013 Deixamos de nos identificar com o bairro. Comecei no Teatro no in\u00edcio dos anos 80 e fui logo parar ao Parque Mayer, que era uma fotografia viva da alma bairrista de Lisboa. Era um p\u00e1tio no cora\u00e7\u00e3o da cidade, onde, al\u00e9m dos quatro teatros, havia uma comunidade que ali vivia, com restaurantes, caf\u00e9s, uma livraria muito bonita, logo \u00e0 entrada e que foi destru\u00edda, casa de jogos, barbearia, era uma aldeola no meio da grande cidade. Se esta gente, que s\u00f3 pensa no dinheiro r\u00e1pido e construir bancos e hot\u00e9is, pensasse melhor, saberia que o Parque Mayer era um s\u00edtio maravilhoso at\u00e9 para o turismo. E, a sua destrui\u00e7\u00e3o, foi um dos momentos de descarateriza\u00e7\u00e3o da cidade. Depois foi Alfama, Mouraria, Bairro Alto, fecharam casas de fado que caraterizavam a nossa cultura lisboeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">E o arraial?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CG<\/strong>&nbsp;&#8211; Est\u00e1 muito comercial. No meu bairro aumentaram o n\u00famero de arraiais. Na Gra\u00e7a, os p\u00e1tios s\u00e3o usados pela comunidade, mas depois os turistas enchem os arraiais e apagam um pouco esse esp\u00edrito bairrista. Mas, ainda bem que continuam as festas populares, porque \u00e9 sinal de que o esp\u00edrito, a alma, n\u00e3o est\u00e1 completamente perdida e pode ser que o sentido de comunidade regresse.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>JR<\/strong>&nbsp;\u2013 A festa est\u00e1 muito ligada \u00e0 cidade dos bairros e, por isso, \u00e9 ainda um ex-libris, mostra alguma alma lisboeta. Bem sei que as Marchas come\u00e7aram s\u00f3 em 1932, de qualquer forma, trouxeram para a cidade uma festa que ela n\u00e3o tinha e, portanto, espero que nunca acabe e que fa\u00e7a renascer a alma de Lisboa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A atriz Cust\u00f3dia Gallego e o ator Jos\u00e9 Raposo s\u00e3o os padrinhos da Marcha d\u2019 A Voz do Oper\u00e1rio, escola onde ambos t\u00eam dois netos a estudar. Dizem sentir \u201corgulho\u201d por pertencer a esta marcha, sobretudo por ser \u201cconstitu\u00edda por crian\u00e7as\u201d e por n\u00e3o ser \u201ccompetitiva\u201d. Ambos esperam que a tradi\u00e7\u00e3o e a festa fa\u00e7am renascer a alma lisboeta.<\/p>\n","protected":false},"author":88,"featured_media":9112,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[43],"tags":[],"coauthors":[184],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9111"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/88"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9111"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9111\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9115,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9111\/revisions\/9115"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9112"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9111"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9111"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9111"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=9111"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}