{"id":8961,"date":"2025-04-03T09:04:20","date_gmt":"2025-04-03T09:04:20","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=8961"},"modified":"2025-05-07T09:45:37","modified_gmt":"2025-05-07T09:45:37","slug":"celebrar-o-8-de-marco-continua-a-ser-um-ato-de-resistencia-coletiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2025\/04\/03\/celebrar-o-8-de-marco-continua-a-ser-um-ato-de-resistencia-coletiva\/","title":{"rendered":"Celebrar o 8 de Mar\u00e7o continua a ser um ato de resist\u00eancia coletiva"},"content":{"rendered":"\n<p>Enfrentamos o refor\u00e7o da misoginia que pretende esvaziar, com a coniv\u00eancia dos l\u00edderes pol\u00edticos, os direitos humanos e as liberdades fundamentais das mulheres em v\u00e1rias partes do mundo. A mensagem do Secret\u00e1rio Geral da ONU \u00e9 uma confirma\u00e7\u00e3o a n\u00edvel das institui\u00e7\u00f5es multilaterais das den\u00fancias que as organiza\u00e7\u00f5es de mulheres t\u00eam vindo a fazer nos \u00faltimos, perante o progressivo desinvestimento nas pol\u00edticas de igualdade e a crescente falta de vontade pol\u00edtica em aprofundar a agenda dos direitos das mulheres. A igualdade real entre mulheres e homens parece cada vez mais longe de ser alcan\u00e7ada.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2025, celebr\u00e1mos em Portugal os 50 anos da primeira manifesta\u00e7\u00e3o do 8 de mar\u00e7o, organizada pelo MDM-Movimento Democr\u00e1tico de Mulheres. Desde ent\u00e3o, muito caminho foi trilhado para que as mulheres no nosso pa\u00eds pudessem ser reconhecidas como cidad\u00e3s de pleno direito. N\u00e3o obstante, Portugal n\u00e3o \u00e9 excep\u00e7\u00e3o quanto \u00e0s tentativas de esvaziamento dos direitos e liberdades fundamentais das mulheres e tamb\u00e9m a n\u00edvel nacional os direitos das mulheres continuam por se cumprir na vida. A crise da habita\u00e7\u00e3o e as condi\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica que afetam uma boa parte das mulheres, sobretudo m\u00e3es solteiras ou mulheres com percursos migrantes s\u00e3o disso um reflexo.<\/p>\n\n\n\n<p>Perante um crescendo de barreiras e desafios, com a agravante da emerg\u00eancia de for\u00e7as pol\u00edticas de tend\u00eancia fascista em v\u00e1rios pa\u00edses e o escalar dos conflitos armados, \u00e9 imperativo que as mulheres se organizem e reivindiquem os seus direitos, lutem pela justi\u00e7a social e pela paz. Esta chamada \u00e0 a\u00e7\u00e3o da for\u00e7a organizada das mulheres vemo-la sempre na Manifesta\u00e7\u00e3o Nacional de Mulheres, organizada pelo MDM. Este ano, vivemos esta for\u00e7a nas ruas, onde mulheres e homens, jovens e velhos, pessoas nacionais e de origem migrante marcharam lado a lado para exigir um mundo socialmente justo, pugnar pela paz e denunciar todo o tipo de viol\u00eancias e discrimina\u00e7\u00f5es para com as mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Grit\u00e1mos em un\u00edssono que a viol\u00eancia conjugal e nas rela\u00e7\u00f5es de intimidade \u00e9 uma vergonha nacional e que falta cumprir os direitos sexuais e reprodutivos; exigimos o aumento dos sal\u00e1rios e o fim da precariedade laboral que rouba horas de vida \u00e0s mulheres; reinvindic\u00e1mos servi\u00e7os p\u00fablicos de qualidade que n\u00e3o abandonem v\u00edtimas de viol\u00eancia nem neguem cuidados b\u00e1sicos; denunci\u00e1mos a normaliza\u00e7\u00e3o da prostitui\u00e7\u00e3o e da pornografia como \u201ctrabalho\u201d, porque n\u00e3o h\u00e1 liberdade na mercantiliza\u00e7\u00e3o da pobreza e da vulnerabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Celebrar o 8 de Mar\u00e7o n\u00e3o \u00e9 um gesto simb\u00f3lico \u2014 \u00e9 um ato de resist\u00eancia coletiva. Este dia, marcado pela luta hist\u00f3rica das mulheres, renova-se todos os anos nas ruas, onde ecoam as vozes de quem recusa retrocessos e exige direitos concretos. A manifesta\u00e7\u00e3o organizada pelo MDM em mais de 15 cidades do pa\u00eds mostrou que a for\u00e7a do movimento das mulheres est\u00e1 viva, desafiando a explora\u00e7\u00e3o capitalista que precariza as trabalhadoras e o dom\u00ednio patriarcal que as quer submissas.<\/p>\n\n\n\n<p>Participar nesta manifesta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 marchar \u2014 \u00e9 recusar o sil\u00eancio, \u00e9 exigir mudan\u00e7as reais num sistema que insiste em explorar. Enquanto houver mulheres exploradas, violentadas ou silenciadas, a luta n\u00e3o ser\u00e1 simb\u00f3lica: ser\u00e1, como sempre foi, uma luta pela liberdade. E \u00e9 nas ruas, unidas, que a transformamos em for\u00e7a de mudan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Numa altura em que se multiplicam discursos e pol\u00edticas que tentam apagar as mulheres enquanto sujeitos de direitos, o 8 de mar\u00e7o reafirma-se como um dia de combate e afirma\u00e7\u00e3o. Que cada rua ocupada seja um compromisso renovado: n\u00e3o voltaremos atr\u00e1s, n\u00e3o nos calaremos, e n\u00e3o aceitaremos nada menos do que a plena igualdade e o reconhecimento da dignidade inalien\u00e1vel de todas as mulheres.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O aviso de Ant\u00f3nio Guterres na 69.\u00aa sess\u00e3o da Comiss\u00e3o sobre o Estatuto das Mulheres das Na\u00e7\u00f5es Unidas, que teve lugar este m\u00eas de mar\u00e7o, \u00e9 claro: vivemos tempos de perigosos ataques aos direitos das mulheres.<\/p>\n","protected":false},"author":105,"featured_media":7766,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"coauthors":[202],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8961"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/105"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8961"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8961\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9071,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8961\/revisions\/9071"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7766"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8961"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8961"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8961"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=8961"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}