{"id":8876,"date":"2025-03-07T15:26:55","date_gmt":"2025-03-07T15:26:55","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=8876"},"modified":"2025-03-07T15:26:58","modified_gmt":"2025-03-07T15:26:58","slug":"a-carne-negra-e-racializada-e-a-mais-barata-ha-seculos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2025\/03\/07\/a-carne-negra-e-racializada-e-a-mais-barata-ha-seculos\/","title":{"rendered":"A carne negra e racializada \u00e9 a mais barata h\u00e1 s\u00e9culos!"},"content":{"rendered":"\n<p>Muitos t\u00eam usado de forma utilitarista a estrat\u00e9gia de falar sobre a economia para defender a perman\u00eancia dos imigrantes em solo Europeu e em Portugal, o que s\u00f3 refor\u00e7a como o sistema capitalista enxerga a classe trabalhadora, como n\u00famero, que vende sua m\u00e3o de obra e mais nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo usando os n\u00fameros como a defesa dos imigrantes, um estudo do projeto Migra Myths, um projeto da Casa do Brasil de Lisboa, apresenta que 66,4% das pessoas inquiridas dizem que os discursos pol\u00edticos e anti-imigra\u00e7\u00e3o se convertem em pr\u00e1ticas de viol\u00eancia e crimes de \u00f3dio contra pessoas imigrantes. Parece que mesmo dando o discurso que o sistema gosta, falando do \u201clucro\u201d, os imigrantes n\u00e3o est\u00e3o acolhidos e tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam os seus direitos garantidos em solo portugu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje j\u00e1 somam mais de 1 milh\u00e3o de imigrantes em Portugal, segundo o relat\u00f3rio da Ag\u00eancia para a Integra\u00e7\u00e3o, Migra\u00e7\u00f5es e Asilo (AIMA). Em 2025, ser\u00e1 que algu\u00e9m em Portugal pergunta de onde v\u00eam os morangos que compram nas redes de supermercado? Sabem quantas m\u00e3os passaram ali? E de onde elas eram? E as condi\u00e7\u00f5es de trabalho que essas pessoas t\u00eam? Como diria Luca Argel na sua nova m\u00fasica, \u201cQuem foi?\u201d, \u201c as batatas e as couves, quem plantou, quem colheu?\u201d. O fato \u00e9 que tanto para o Estado, quanto para os grandes empres\u00e1rios, n\u00e3o interessa quais s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es das pessoas que trabalham ali, interessa o \u201cn\u00famero\u201d que eles geram. Continuamos a ter pessoas trabalhando em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas a escravid\u00e3o, mas tudo bem, pois no final contribuem para a Seguran\u00e7a Social. A que custo? O que volta para elas?<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 simples mostrarmos com n\u00fameros e interpreta\u00e7\u00f5es o crescimento da economia em Portugal e na Europa e fazer o recorte para os imigrantes. Quando se l\u00ea: \u201dImigrantes fazem economia de Portugal crescer o dobro da Uni\u00e3o Europeia em 2024\u201d, algu\u00e9m pensa a custo do qu\u00ea? E de quem? \u00c9 importante mostrar onde est\u00e3o os imigrantes, onde est\u00e1 a maior for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta semana, com as elei\u00e7\u00f5es na Alemanha, houve uma mobiliza\u00e7\u00e3o em hospitais e cl\u00ednicas para mostrar como seria trabalhar sem imigrantes. Ficaram todos os trabalhadores parados em frente a c\u00e2mera e come\u00e7aram a sair os imigrantes. \u00c9 forte ver que fica 40% dos trabalhadores sem os imigrantes, talvez essa seja uma boa forma de mostrar que s\u00e3o trabalhadores e n\u00e3o n\u00fameros.<\/p>\n\n\n\n<p>Para mostrar a for\u00e7a dessa classe trabalhadora, precisamos de bem mais que \u201cn\u00fameros\u201d, precisamos partir da ideia de que somos todos trabalhadores, explorados, por um sistema que nos oprime e domina um Estado ineficiente para a popula\u00e7\u00e3o, onde mulheres gr\u00e1vidas, sejam elas portuguesas ou imigrantes, est\u00e3o sem acompanhamento pr\u00e9 natal, os hospitais fechados aos feriados e finais de semanas, imigrantes que n\u00e3o conseguem renovar a autoriza\u00e7\u00e3o de resid\u00eancia, por inefici\u00eancia da AIMA, que foi criada e sofre com as mudan\u00e7as que n\u00e3o foram conclu\u00eddas. Que Estado \u00e9 esse? Estado para quem? Governo para quem?<\/p>\n\n\n\n<p>Recentemente, o primeiro-ministro portugu\u00eas, Lu\u00eds Montenegro, foi ao Brasil participar de uma cimeira sobre a rela\u00e7\u00e3o Brasil-Portugal e disse que o seu pa\u00eds precisa dos imigrantes, convidando mais brasileiros. Mas v\u00e3o em que condi\u00e7\u00f5es? N\u00e3o conseguem nem tirar documentos, n\u00e3o conseguem arrendar casa, n\u00e3o conseguem acessar a sa\u00fade, sofrem viol\u00eancia racista e xen\u00f3foba nas escolas e nos trabalhos, n\u00e3o existe uma pol\u00edtica de direitos humanos para tratar dessas pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o existe e nem deve ter nos pr\u00f3ximos anos uma pol\u00edtica de valoriza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores em Portugal e nem na Europa. Os trabalhadores racializados continuar\u00e3o a ser a \u201ccarne mais barata do mercado\u201d, sendo explorados e inviabilizados pelo o sistema, gera mais lucro assim. Uma pol\u00edtica onde se respeite e valorize a cultura, a religi\u00e3o, a contribui\u00e7\u00e3o social de cada povo, seria fundamental para entender esse Portugal multicultural que inevitavelmente ir\u00e1 se formar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA carne mais barata do mercado \u00e9 a carne negra\u201d, j\u00e1 diria Elza Soares na can\u00e7\u00e3o \u201cA Carne\u201d. Poder\u00edamos usar essa frase para muitos momentos ao longo dos \u00faltimos 5 s\u00e9culos, mas tamb\u00e9m pode se usar para falar sobre os acontecimentos de hoje. Refletir sobre a forma como que os imigrantes do sul asi\u00e1tico, os negros, s\u00e3o tratados neste continente.<\/p>\n","protected":false},"author":146,"featured_media":8515,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[52],"tags":[],"coauthors":[243],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8876"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/146"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8876"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8876\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8878,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8876\/revisions\/8878"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8515"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8876"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8876"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8876"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=8876"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}