{"id":8863,"date":"2025-03-07T15:04:01","date_gmt":"2025-03-07T15:04:01","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=8863"},"modified":"2025-04-03T20:10:52","modified_gmt":"2025-04-03T20:10:52","slug":"sofia-lisboa-nao-estamos-a-lutar-para-beneficiar-da-exploracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2025\/03\/07\/sofia-lisboa-nao-estamos-a-lutar-para-beneficiar-da-exploracao\/","title":{"rendered":"Sofia Lisboa: \u201cN\u00e3o estamos a lutar para beneficiar da explora\u00e7\u00e3o\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"pergunta\">Sobre a problem\u00e1tica das bolseiras e as dificuldades que t\u00eam na publica\u00e7\u00e3o dos seus trabalhos, na pandemia isso foi ainda mais evidente, com uma sobrecarga que limitou a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica das mulheres. <\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma quest\u00e3o que nessa altura se agravou. H\u00e1 um estudo que levou \u00e0 conclus\u00e3o de que naquele per\u00edodo, o facto de ficarem confinados deu mais produtividade aos homens, e \u00e0s mulheres menos. \u00c9 curioso como fomos todos confrontados com a necessidade de ficarmos em casa, de pararmos, de delimitarmos, digamos assim, as nossas atividades, e de como isso beneficiou a investiga\u00e7\u00e3o dos homens e prejudicou a das mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a principal quest\u00e3o tem a ver com a forma como as mulheres desenvolvem esta atividade, e o problema \u00e9 justamente n\u00e3o haver carreira. N\u00f3s hoje temos muitas mulheres a fazer investiga\u00e7\u00e3o, um dado que se alterou significativamente nos \u00faltimos 50 anos. Mas as mulheres continuam a acumular com outras tarefas e, portanto, para muitas o trabalho n\u00e3o acaba \u00e0s cinco da tarde e est\u00e3o limitadas com a assist\u00eancia \u00e0 fam\u00edlia, durante o dia. Isso condiciona, necessariamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando discutimos esta quest\u00e3o, n\u00e3o pensamos que defender os direitos das mulheres seja elas poderem passar a trabalhar sem hor\u00e1rios, como muitos homens da investiga\u00e7\u00e3o trabalham. E muitas mulheres trabalham na investiga\u00e7\u00e3o sem hor\u00e1rios. Isto est\u00e1 relacionado com a precariedade. H\u00e1 pessoas na investiga\u00e7\u00e3o que t\u00eam per\u00edodos sem rendimentos e sem qualquer tipo de v\u00ednculo e continuam a fazer investiga\u00e7\u00e3o, \u00e0 espera do resultado do pr\u00f3ximo concurso. Depois, h\u00e1 bolseiros com um v\u00ednculo que nem sequer concede a condi\u00e7\u00e3o de trabalhador.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>&#8220;Muitas mulheres neste setor adiem a decis\u00e3o de ter filhos, porque esperam sempre um outro momento de estabilidade que permita essa escolha.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Esta precariedade leva a que se sinta esta necessidade de estar permanentemente a trabalhar. As pessoas t\u00eam um limite &#8211; o fim da bolsa &#8211; para entregar os seus trabalhos. Esta ideia de que t\u00eam de estar sempre a trabalhar penaliza  as mulheres que n\u00e3o podem, porque t\u00eam de prestar outro tipo de cuidados \u00e0 fam\u00edlia. Isto faz com que muitas mulheres neste setor adiem a decis\u00e3o de ter filhos, porque esperam sempre um outro momento de estabilidade que permita essa escolha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Portanto, neste quadro social onde as mulheres continuam a desempenhar muito mais tarefas dom\u00e9sticas e relacionadas com a parentalidade do que os homens, esta concilia\u00e7\u00e3o da investiga\u00e7\u00e3o num contexto prec\u00e1rio \u00e9 particularmente complexo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso uma grande rede de apoio financeiro e log\u00edstico. Diria que \u00e9 uma coisa transversal a quem escolhe esta via profissional. Para uma pessoa que tem filhos, como \u00e9 que se pode optar por um percurso que vai obrigar a estar per\u00edodos sem rendimentos? Isto n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 mais tarde [na carreira], quando estamos \u00e0 espera de financiamento, \u00e9 desde o in\u00edcio, quando nos candidatamos \u00e0 bolsa de doutoramento. Se temos o financiamento da FCT, sabemos que temos a bolsa, mas desde o momento em que assinamos o contrato e o momento em que a recebemos, \u00e0s vezes passam cinco meses. Acabando o doutoramento, entrega-se a tese, fica-se sem bolsa e \u00e0s vezes passam quatro ou cinco meses at\u00e9 \u00e0 data da defesa. H\u00e1 pessoas que n\u00e3o tendo rede de apoio fazem as suas op\u00e7\u00f5es e t\u00eam que condicionar os seus hor\u00e1rios de trabalho para estar com as crian\u00e7as, nos fins de tarde, fins de semanas, per\u00edodos em que t\u00eam de estar fora de Portugal para as miss\u00f5es, para os trabalhos de campo, para as confer\u00eancias. H\u00e1 uma s\u00e9rie de coisas que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel fazer se houver av\u00f3s, tias, amigas, pessoas que partilhem o cuidado com as crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>&#8220;Para uma pessoa que tem filhos, como \u00e9 que se pode optar por um percurso que vai obrigar a estar per\u00edodos sem rendimentos?&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">As mulheres s\u00e3o simultaneamente cada vez mais a franja mais qualificada da sociedade, mas simultaneamente a mais mal paga. O Estado e as empresas continuam de costas voltadas para as mulheres?<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 a eterna quest\u00e3o de se conseguir, por determinadas circunst\u00e2ncias das pessoas e dos trabalhadores, explorar mais uns do que outros. O Estado e as empresas est\u00e3o de costas voltadas para as mulheres mas tamb\u00e9m est\u00e3o de costas voltadas para os homens&nbsp;trabalhadores. Os sal\u00e1rios baixos em Portugal s\u00e3o generalizados. Historicamente, as coisas foram evoluindo e permitiu-se a possibilidade de pagar menos \u00e0s mulheres, com a necessidade do patr\u00e3o de acumular mais e distribuir menos. Tamb\u00e9m se pagava menos \u00e0s crian\u00e7as quando trabalhavam. As mulheres est\u00e3o cada vez mais qualificadas e mesmo assim continuam a receber menos do que os homens. Isso mostra que h\u00e1 uma altera\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, que tem a ver com as condi\u00e7\u00f5es, hoje, do acesso \u00e0 forma\u00e7\u00e3o. E, portanto, aqui, h\u00e1 uma contradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>&#8220;As mulheres est\u00e3o cada vez mais qualificadas e mesmo assim continuam a receber menos do que os homens.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>No campo do ensino superior, h\u00e1 muito mais mulheres com forma\u00e7\u00e3o, h\u00e1 milhares de mulheres docentes, mas depois h\u00e1 muito menos mulheres nas dire\u00e7\u00f5es das pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 que achemos que as mulheres devam ser todas diretoras ou que v\u00e3o ser melhores diretoras que os diretores. Mas h\u00e1 claramente um desequil\u00edbrio. Fal\u00e1vamos das mulheres que ficaram mais tempo em casa com as crian\u00e7as, das mulheres que n\u00e3o progrediram na carreira da mesma forma, das mulheres que n\u00e3o t\u00eam acesso a esses mecanismos de poder e isso diz muito sobre condicionamentos \u00e0 democracia das institui\u00e7\u00f5es de ensino superior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">H\u00e1 um feminismo que consegue p\u00f4r todas as quest\u00f5es em cima da mesa menos a de classe. De que forma \u00e9 isto prejudicial \u00e0 luta das mulheres?<\/p>\n\n\n\n<p>O 25 de Abril transformou a vida de todas as mulheres em Portugal, seja as mulheres da aristocracia, seja as mulheres trabalhadoras. Quando se diz que mudou tudo para todas, estamos a dizer que as mulheres, no seu todo, e de alguma forma, beneficiaram com a democracia em Portugal. Isso n\u00e3o \u00e9 menos importante, mas a verdade \u00e9 que existe, historicamente, em diferentes grupos, a ideia de que se poder aceder ao poder, aceder ao grupo dos privilegiados, deve ser para todos os grupos oprimidos, ou seja, que uma mulher que \u00e9 da burguesia deve poder mandar como os homens da burguesia. \u00c9 uma luta leg\u00edtima das mulheres da burguesia. Mas n\u00e3o \u00e9 o que resolve os problemas de desigualdade nem os problemas de explora\u00e7\u00e3o para quem vive do seu trabalho, que \u00e9 a maioria das pessoas. A luta da maior parte das mulheres, que s\u00e3o as mulheres trabalhadoras, n\u00e3o \u00e9 essa luta. N\u00e3o estamos a lutar para podermos ser n\u00f3s a beneficiar dessa explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">H\u00e1 um avan\u00e7o do neoconservadorismo sobre a condi\u00e7\u00e3o das mulheres, das limita\u00e7\u00f5es aos direitos sexuais e reprodutivos, por exemplo, \u00e0 cren\u00e7a que as mulheres n\u00e3o t\u00eam filhos porque n\u00e3o querem ser responsabilizadas pela baixa natalidade ou desestrutura\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia tradicional. Como observa essas narrativas de culpabiliza\u00e7\u00e3o das mulheres?<\/p>\n\n\n\n<p>Haver quem considere que a mulher tem um papel na sociedade relacionado com a sua capacidade reprodutiva \u00e9 problem\u00e1tico. \u00c9 evidente que \u00e9 um confronto ideol\u00f3gico. H\u00e1 pessoas que acham que as mulheres t\u00eam essa responsabilidade, t\u00eam de estar em casa, de cuidar dos filhos e que biologicamente elas \u00e9 que est\u00e3o adaptadas n\u00e3o s\u00f3 para os ter, como para os cuidar, e que os homens ter\u00e3o outros pap\u00e9is. Mas depois, no que tem a ver com as pol\u00edticas de natalidade, esses s\u00e3o os mesmos que negam direitos de parentalidade, negam sal\u00e1rios dignos aos trabalhadores e \u00e0s mulheres, particularmente. Negam redes de creches p\u00fablicas. Esse discurso est\u00e1 massificado nos Estados Unidos. N\u00e3o h\u00e1 direitos de licen\u00e7as de maternidade, n\u00e3o h\u00e1 direito \u00e0 sa\u00fade, n\u00e3o h\u00e1 direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 direito a nada, e depois como \u00e9 que esse discurso \u00e9 proferido pelos mesmos que acham que a natalidade est\u00e1 a acabar por culpa das mulheres? \u00c9 evidente que as mulheres n\u00e3o t\u00eam nenhum tipo de miss\u00e3o e de papel obrigat\u00f3rio do ponto de vista da reprodu\u00e7\u00e3o. Nem as mulheres nem os homens, j\u00e1 agora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">A luta das mulheres deve integrar tamb\u00e9m os homens?<\/p>\n\n\n\n<p>As mulheres precisam de espa\u00e7os para discutir e t\u00eam de ter liberdade para criar esses espa\u00e7os. Tamb\u00e9m \u00e9 papel dos homens juntarem-se \u00e0 luta das mulheres, ter a sensibilidade de perceber que muitas vezes as mulheres n\u00e3o conseguem intervir da mesma forma, num espa\u00e7o como um debate, quando h\u00e1 10 homens a falar, uma mulher a falar e as outras todas caladas. H\u00e1 circunst\u00e2ncias que s\u00e3o inibidoras da participa\u00e7\u00e3o das mulheres, j\u00e1 para n\u00e3o falar das que est\u00e3o em casa e, portanto, os homens \u00e9 que est\u00e3o mais nesses espa\u00e7os de discuss\u00e3o e sociais. A luta das mulheres \u00e9 a luta das mulheres, as mulheres \u00e9 que t\u00eam que definir como se organizam e em que moldes. Mas \u00e9 evidente que passa pela discuss\u00e3o com os homens, porque passa pela discuss\u00e3o com todos. A luta das mulheres nunca poder\u00e1 ser bem sucedida se n\u00e3o houver uma grande transforma\u00e7\u00e3o das mentalidades e dos valores e isto deve fazer-se em discuss\u00e3o com os homens, sobretudo aqueles que est\u00e3o do lado de c\u00e1 da barricada.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>&#8220;H\u00e1 circunst\u00e2ncias que s\u00e3o inibidoras da participa\u00e7\u00e3o das mulheres, j\u00e1 para n\u00e3o falar das que est\u00e3o em casa e, portanto, os homens \u00e9 que est\u00e3o mais nesses espa\u00e7os de discuss\u00e3o e sociais.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Como se sentiu, enquanto mulher, quando soube do caso de Giselle Pelicot, violada em grupo durante anos (incluindo pelo marido), e sobre as not\u00edcia de que h\u00e1 canais no Telegram em Portugal onde dezenas de milhares de homens trocam fotos \u00edntimas de mulheres sem autoriza\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um caso muito chocante. Tem uma s\u00e9rie de pormenores que s\u00e3o chocantes, mesmo para quem j\u00e1 possa ter uma ideia de que estas coisas s\u00e3o muito comuns e generalizadas. O facto de isto surgir agora \u00e9 importante porque leva-nos a pensar coisas que se calhar h\u00e1 10 anos n\u00e3o pensar\u00edamos, estas l\u00f3gicas de que &#8220;o problema s\u00e3o os imigrantes&#8221; [que t\u00eam vindo a ser associados, pelas for\u00e7as de extrema direita e com impacto medi\u00e1tico, a casos de viol\u00eancia sexual na Europa]. N\u00e3o s\u00e3o. E h\u00e1 aqui quest\u00f5es psicol\u00f3gicas muito importantes. Haver\u00e1 aqui, provavelmente, algum tipo de dist\u00farbio, \u00e9 muito mais complicado do que a rela\u00e7\u00e3o que existe entre os homens e a pornografia, por exemplo, que j\u00e1 \u00e9 problem\u00e1tico. Ou entre os homens e a prostitui\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m \u00e9 muit\u00edssimo problem\u00e1tico. Ficamos a pensar at\u00e9 do ponto de vista das gera\u00e7\u00f5es. Como \u00e9 que isto se pode abordar do ponto de vista da sociedade como um todo? N\u00e3o sei quais as respostas, sen\u00e3o transformar todo o sistema e a forma como se lida com a sexualidade desde muito cedo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">A viol\u00eancia dom\u00e9stica continua a ser o crime mais praticado em Portugal. Contudo, parece que n\u00e3o \u00e9 uma prioridade quando se fala de criminalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um problema com muitos fatores relacionados com a integra\u00e7\u00e3o social, o trabalho, o consumo de subst\u00e2ncias, com quest\u00f5es psicol\u00f3gicas mais profundas. N\u00e3o me parece que seja um tipo de criminalidade que deixe de existir porque passa a haver penaliza\u00e7\u00e3o. \u00c9 evidente que h\u00e1 problemas muito objetivos quando essas mulheres j\u00e1 denunciaram uma ou duas vezes e continuam a estar expostas \u00e0quela pessoa, n\u00e3o conseguem que a justi\u00e7a as proteja e acabam assassinadas. Mas isso, digamos, \u00e9 o fim, o \u00faltimo momento do problema. O problema come\u00e7a muito antes e a\u00ed \u00e9 que deveria haver mais meios para se conseguir pensar de forma mais profunda em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s origens e aos fatores que levam estas situa\u00e7\u00f5es a acontecer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A luta das mulheres tem em mar\u00e7o um significado hist\u00f3rico numa trajet\u00f3ria que, apesar dos avan\u00e7os, est\u00e1 longe de terminar. Hoje, as desigualdades salariais entre homens e mulheres acentuam-se e a viol\u00eancia dom\u00e9stica continua a ser o crime mais cometido em Portugal. Sofia Lisboa, presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Bolseiros de Investiga\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica (ABIC), explica que a precariedade e a discrimina\u00e7\u00e3o marcam a vida das mulheres que trabalham no setor.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":8865,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[44],"tags":[],"coauthors":[71],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8863"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8863"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8863\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8987,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8863\/revisions\/8987"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8865"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8863"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8863"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8863"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=8863"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}