{"id":8813,"date":"2025-02-06T16:15:32","date_gmt":"2025-02-06T16:15:32","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=8813"},"modified":"2025-02-06T16:15:33","modified_gmt":"2025-02-06T16:15:33","slug":"ainda-estou-aqui-de-marcelo-rubens-paiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2025\/02\/06\/ainda-estou-aqui-de-marcelo-rubens-paiva\/","title":{"rendered":"Ainda estou aqui, de Marcelo Rubens Paiva"},"content":{"rendered":"\n<p>A ditadura militar no Brasil (1964\/1985) foi uma das mais violentas e sinistras da Am\u00e9rica Latina. O golpe militar de Abril de 1964, visou impedir as reformas estruturais que o governo leg\u00edtimo de Jo\u00e3o Goulard, acusado de ser \u201ccomunista\u201d pelas elites e o poder econ\u00f3mico que dominava o Pa\u00eds, pretendia implementar, na tentativa de tornar o Brasil um territ\u00f3rio de todos, mais pr\u00f3spero e justo: desapropria\u00e7\u00f5es de terras n\u00e3o cultivadas; nacionaliza\u00e7\u00e3o das refinarias de petr\u00f3leo; reforma eleitoral, garantindo o voto para os analfabetos; reforma do ensino em geral e do universit\u00e1rio em particular, permitindo, dessa forma, que as massas populares pudessem ter acesso ao ensino superior.<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto bastou para que os comandos militares do Brasil, muitos deles com forma\u00e7\u00e3o nos E.U.A., come\u00e7assem a preparar um golpe que derrubasse Goulard e o seu governo reformista. Contavam, para a tarefa, com o alto patroc\u00ednio americano, atrav\u00e9s do seu embaixador Lincoln Gordon, que \u00abrecomendou remessa clandestina de armas e petr\u00f3leo e sugeriu que o governo americano preparasse uma interven\u00e7\u00e3o. O presidente Lyndon Johnson autorizou o envio de uma frota ao Brasil. A miss\u00e3o: invadir Pernambuco se houvesse resist\u00eancia.\u00bb (pp91\/92) Os golpistas receberam, com este gesto, o sinal verde da Casa Branca para avan\u00e7arem.<\/p>\n\n\n\n<p>A ditadura durou mais de vinte anos e ceifou milhares de vidas de opositores, muitos deles&nbsp;<em>mortos sem sepultura,&nbsp;<\/em>torturou e obrigou ao ex\u00edlio centenas de artistas, jornalistas e intelectuais brasileiros, entre os quais Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Augusto Boal (que esteve em Portugal e encenou alguns espect\u00e1culos no grupo A Barraca), o realizador Glauber Rocha. Actores foram espancados e os teatros encerrados. Os direitos c\u00edvicos e pol\u00edticos foram proibidos, tal como as manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ainda Estou por C\u00e1,&nbsp;<\/em>de Marcelo Rubens Paiva, \u00e9 o relato pessoal de um sobrevivente \u00e0 ditadura. Filho do deputado do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) Rubens Paiva que foi torturado e assassinado pelos golpistas (o seu corpo nunca foi encontrado), conta-nos a saga de uma fam\u00edlia da m\u00e9dia burguesia, em busca da verdade. Ele, as quatro irm\u00e3s e a corajosa m\u00e3e, ir\u00e3o revolver todos os gabinetes do poder \u00e0 procura de respostas: o que aconteceu a Rubens Paiva, aonde est\u00e1 o corpo para que a fam\u00edlia possa fazer o luto? Este romance \u00e9 o relato da viagem de uma m\u00e3e e de um filho pelos caminhos do desespero, em busca de sinais de vida num tempo em que s\u00f3 havia gritos de&nbsp;<em>viva la muerte!!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um romance pungente, escrito numa linguagem \u00e1gil e directa, sem subterf\u00fagios, que nos d\u00e1 o retrato fiel do Brasil durante a ditadura fascista, a crueldade, a perf\u00eddia, as persegui\u00e7\u00f5es e o desastre econ\u00f3mico, humano e social que o regime deixou, \u00e0s gera\u00e7\u00f5es vindouras, como heran\u00e7a de 20 anos de ignom\u00ednia e de capitalismo selvagem.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 de estranhar, portanto, que este poderoso romance tivesse sido adaptado ao cinema pelo realizador Walter Salles, vencendo em Veneza o Pr\u00e9mio de Melhor Argumento, e se tornasse num dos filmes mais vistos no Brasil, permitindo \u00e0 not\u00e1vel actriz Fernanda Torres o Pr\u00e9mio de Melhor Actriz. Fernanda Torres e Fernanda Montenegro, interpretam no filme a personagem Eunice Paiva,&nbsp;<em>a m\u00e3e coragem,&nbsp;<\/em>em diferentes idades.<\/p>\n\n\n\n<p>Vejam o filme mas, sobretudo, leiam o livro dado que nele, nas suas 270 p\u00e1ginas, est\u00e3o inteiras as dores, as l\u00e1grimas, o desespero e o sentido profundo de justi\u00e7a de uma fam\u00edlia que nunca desistiu de procurar a verdade e de lutar contra a opress\u00e3o. Rubens Paiva, e n\u00f3s com ele,&nbsp;<em>ainda estamos aqui.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ainda estou aqui,&nbsp;<\/em>de Marcelo Rubens Paiva \u2013 edi\u00e7\u00e3o D. Quixote\/2025.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda Estou por C\u00e1,\u00a0de Marcelo Rubens Paiva, \u00e9 o relato pessoal de um sobrevivente \u00e0 ditadura. 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