{"id":8788,"date":"2025-02-06T15:48:08","date_gmt":"2025-02-06T15:48:08","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=8788"},"modified":"2025-03-07T16:06:31","modified_gmt":"2025-03-07T16:06:31","slug":"modesto-navarro-o-importante-era-entrar-na-luta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2025\/02\/06\/modesto-navarro-o-importante-era-entrar-na-luta\/","title":{"rendered":"Modesto Navarro: \u201cO importante era entrar na luta\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"pergunta\">Nasceu em Vila Flor, na regi\u00e3o de Tr\u00e1s-os-Montes. Como veio parar a Lisboa?<\/p>\n\n\n\n<p>Vim pela primeira vez para Lisboa em 1963, em mar\u00e7o, porque vinha oferecer-me para a Marinha. Vim \u00e0 inspe\u00e7\u00e3o no Alfeite e fui apurado, coisa que n\u00e3o era f\u00e1cil. Tinha trabalhado desde os 10 anos como efetivo numa oficina que era de fam\u00edlia, que metia forja e metia trabalho no exterior com ferro e a\u00e7o. E, pronto, fiquei. Fiquei nos fuzileiros. E, portanto, fiz a forma\u00e7\u00e3o de fuzileiro. E a certa altura p\u00f4s-se a quest\u00e3o de ir para a guerra. Foi formada uma companhia de fuzileiros e eu estava l\u00e1, n\u00e3o me tendo oferecido, porque ali tamb\u00e9m o que valia para muitos destes jovens que vinham de todo o pa\u00eds era fazer uma comiss\u00e3o para juntar algum dinheiro para tentar mudar a vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu disse ao meu comandante, quando me vi metido numa companhia de fuzileiros para Mo\u00e7ambique, que n\u00e3o estava de acordo com a guerra. J\u00e1 no Alfeite, prestes a embarcar para Mo\u00e7ambique, voltei a pedir-lhe para me retirar da lista e n\u00e3o me retirou. Disse-me que a gente ia para Louren\u00e7o Marques, que n\u00e3o ia para a guerra. Mas n\u00e3o. N\u00f3s fomos em junho de 1965 e, em dezembro desse ano, est\u00e1vamos todos no norte, no Lago Niassa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Foi quase uma vida inteira em Lisboa. O que sobra de transmontano em si?<\/p>\n\n\n\n<p>O que mais me marcou e o que mais me doeu toda a vida, e continua obviamente a doer, \u00e9 ter abandonado aquilo que \u00e9 de facto a minha gente e a minha terra. Na vila, fui muito marcado por duas figuras, uma delas era solicitador, julgo que da C\u00e2mara Municipal e lia o Rep\u00fablica \u00e0 janela. Outra figura que me impressionou e que me marcou muito do ponto de vista pol\u00edtico foi um homem a quem cham\u00e1vamos Vermelho. Foi a primeira vez que vi algu\u00e9m agrilhoado, assim com aquelas correntes de ferro nos p\u00e9s e a percorrer a avenida principal, a percorrer com os p\u00e9s agarrados um ao outro por essas correntes, com dois militares da GNR, um de cada lado. Eu ainda era uma crian\u00e7a. Esse homem abria as portas de casa \u00e0s pessoas que passavam fome.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos 10 anos, quando fiz o exame [na escola prim\u00e1ria], pedi uma conversa com o meu pai. \u201cOlhe, cheguei a distinto, gostava de continuar a estudar e vai abrir um col\u00e9gio. Deixe-me ir estudar\u201d, disse-lhe. Perguntou-me quanto \u00e9 que custava e respondi-lhe que 300 escudos por trimestre. Ent\u00e3o, respondeu-me: \u201cGoza o teu dia, est\u00e1s de parab\u00e9ns. Amanh\u00e3, entras como efetivo ali na oficina\u201d, onde eu j\u00e1 ajudava, trabalhava desde os meus 8 anos. Eu trabalhava na forja, trabalh\u00e1vamos tr\u00eas, eram quatro horas de manh\u00e3, das 8 e tal at\u00e9 \u00e0 1 da tarde, almo\u00e7\u00e1vamos e de tarde trabalh\u00e1vamos na oficina. Portanto, eu estou marcado por toda essa viv\u00eancia, toda essa pobreza.<\/p>\n\n\n\n<p>A minha obra, na sua grande parte, \u00e9 de Tr\u00e1s-os-Montes. Tenho essa liga\u00e7\u00e3o muito profunda. Quando vou para o norte, para Vila Flor, chego ali \u00e0quela zona do Douro, margem esquerda do Douro, que j\u00e1 \u00e9 Terra Quente, e o meu corpo sente-se como a regressar ao seu s\u00edtio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Como \u00e9 que come\u00e7a o seu percurso liter\u00e1rio?<\/p>\n\n\n\n<p>Eu comecei a escrever uns poemas com 10 anos. Mais tarde, escrevi um livro, que a certa altura emprestei a uma jovem estudante, de Bragan\u00e7a, e ela submeteu-o a um concurso no liceu. Ganhou o pr\u00e9mio com o nome dela. O livro acabaria por ser publicado e j\u00e1 ia na segunda edi\u00e7\u00e3o quando deu o que est\u00e1 aqui ilustrado [mostra primeira p\u00e1gina do jornal A Capital com a den\u00fancia de roubo da autoria], em 1968, uma entrevista com J\u00falio Fernandes sobre esse livro \u201cLibelo Acusat\u00f3rio\u201d, que acabou por ser publicado com o meu nome e com o pref\u00e1cio de Jos\u00e9 Saramago. E por c\u00e1 fiquei a trabalhar na publicidade. Depois, passei para a Latina, do grupo Borges &amp; Irm\u00e3o, com o Costa Dias e com o Alexandre Cabral. Estava l\u00e1 o Tengarrinha tamb\u00e9m. Fui entrando, digamos assim, de tal maneira na vida pol\u00edtica que passei a pertencer \u00e0 Comiss\u00e3o de Escritores de apoio \u00e0 Comiss\u00e3o Democr\u00e1tica Eleitoral (CDE). A Sociedade Portuguesa de Escritores tinha sido destru\u00edda em 1964 por causa da atribui\u00e7\u00e3o do pr\u00e9mio ao Luandino Vieira, por causa do Luuanda. Ent\u00e3o, form\u00e1mos a Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Escritores com o Jos\u00e9 Gomes Ferreira \u00e0 frente da dire\u00e7\u00e3o e \u00e9 a partir da\u00ed que sou convidado para a CDE. Fui respons\u00e1vel por metade da cidade dentro da Comiss\u00e3o Executiva. Fiz a minha vida digamos que em paralelo com a vida do trabalho, com a vida social e a vida cultural. Foi a\u00ed que eu entrei para o Partido [Comunista Portugu\u00eas], em 1971, quando fez 50 anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">E como \u00e9 que se d\u00e1 a sua entrada no PCP?<\/p>\n\n\n\n<p>Foi a convite do Jos\u00e9 Saramago e do Areosa Feio, que em mar\u00e7o de 1971, depois daqueles dois anos a trabalhar intensamente na CDE e j\u00e1 como respons\u00e1vel de bases, fui convidado para integrar o PCP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Acaba por ser detido a poucas semanas da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Foram detidos quase 50 quadros dirigentes e militantes da CDE, aqui na regi\u00e3o de Lisboa, em 6 de abril de 1974. Est\u00e1vamos numa reuni\u00e3o em Benfica. A nossa cobertura legal \u00e9 que est\u00e1vamos a formar uma cooperativa cultural. Fomos todos presos nas instala\u00e7\u00f5es que, eventualmente, iriam ser uma cooperativa. Fomos metidos nas Ramonas, que eram aquelas carrinhas azuis, e fomos levados, homens e mulheres, pela PIDE e pela PSP para o Governo Civil. Estivemos l\u00e1 at\u00e9 \u00e0 meia-noite. Depois, fomos transportados para Caxias. Eu fiquei no isolamento at\u00e9 21 ou 22 de abril. Obviamente, fui interrogado pelo Inspetor Tinoco [da PIDE] e a certa altura, numa noite, desatei a gritar que eu tinha estado em \u00c1frica na guerra e que tinha as marcas e que n\u00e3o podia estar a fazer ali a est\u00e1tua. E um dos dois agentes da PIDE que estavam a vigiar durante todo o dia e noite saiu da sala e quando voltou, depois de ver o meu historial, mandou sentar-me. E eu disse para mim: \u201cpronto, j\u00e1 n\u00e3o levais nada\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque o meu medo era ser torturado de tal maneira que a certa altura pudesse p\u00f4r em causa aquilo de que eu era detentor, o conhecimento que eu tinha de como as coisas estavam a andar. Eu tinha recebido por parte de um oficial da Marinha, nessa altura, um documento j\u00e1 com algumas ideias desenvolvidas sobre aquilo que tinha sa\u00eddo do Congresso da Oposi\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica, em Aveiro, em 1973. Participei com o Herberto Goulart numa reuni\u00e3o com oficiais e sargentos milicianos dos quart\u00e9is de Lisboa, e tamb\u00e9m nos explicaram numa casa, numa reuni\u00e3o completamente clandestina, o que se estava ali a preparar. Portanto, o nosso medo nos interrogat\u00f3rios n\u00e3o era pertencermos ao PCP. Disso n\u00e3o nos acusariam. O meu medo \u00e9 que eu estava a par, com mais alguns como o Carvalho, o Tengarrinha e o Herberto Goulart, de tais planos.<\/p>\n\n\n\n<p>Tive a sorte de sair no dia 24 \u00e0s 20 horas de Caxias. E nessa noite ainda fui reunir numa cooperativa e fazer o ponto da situa\u00e7\u00e3o. Fui-me deitar e eram 5 da manh\u00e3 [do dia 25 de abril] quando tocou o telefone e uma voz feminina disse-me: \u201cOlha, temos reuni\u00e3o [da CDE] na [Avenida] Infante Santo, n\u00famero tal, a partir das 9 da manh\u00e3\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">E o que significou para si o processo revolucion\u00e1rio?<\/p>\n\n\n\n<p>Eu trabalhei na publicidade at\u00e9 1975. Para al\u00e9m de assumir as minhas responsabilidades, fazer as sess\u00f5es, fazer a agita\u00e7\u00e3o, coordenar com todos, em 1969, houve duas palavras de ordem fundamentais da CDE: ir para as coletividades ou para o sindicalismo. Eu escolhi as coletividades. Estive sempre ligado ao associativismo. Tinha publicado quatro livros antes do 25 de Abril. Ent\u00e3o, em 1975, fui \u00e0 Rua Castilho ter com os militares da CODICE e ofereci-me para trabalhar com eles. J\u00e1 l\u00e1 estavam o Carlos Paredes, o [Marcelino] Vespeira e outros e eu fui integrar uma equipa desse trabalho cultural em que resultou fazer a cobertura das campanhas de dinamiza\u00e7\u00e3o, primeiro no distrito de Viseu. Fiz entrevistas nas aldeias. Levavam, por exemplo, um doente, na Serra da Gralheira, durante 6 km at\u00e9 \u00e0 estrada nacional para o poder levar para Castro Daire ou para outro hospital no Porto. E n\u00e3o havia estrada, havia um caminho. Foi com os militares que eles constru\u00edram a estrada, para poderem tirar os doentes das pr\u00f3prias aldeias. Tudo isto foi um fervilhar de movimento. Quando o S\u00e1 Carneiro e o Freitas do Amaral disseram \u201ccom os militares n\u00e3o se trabalha\u201d, entrevistei um homem que era Presidente de Junta do PSD que dizia \u201cera s\u00f3 o que faltava, ent\u00e3o eles \u00e9 que nos est\u00e3o a abrir as estradas e trazem as m\u00e1quinas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Publiquei tamb\u00e9m outro livro chamado \u201cPerspetivas de Liberta\u00e7\u00e3o no Nordeste Transmontano\u201d tamb\u00e9m sobre as Campanhas de Dinamiza\u00e7\u00e3o do MFA e fui requisitado pelos militares na CODICE,na Rua Castilho, ao Minist\u00e9rio da Comunica\u00e7\u00e3o Social e passei de criativo e publicit\u00e1rio para animador, escritor, intervindo nas realidades como era poss\u00edvel. T\u00ednhamos equipas de teatro, t\u00ednhamos m\u00fasica, t\u00ednhamos artes pl\u00e1sticas. Eu fiz desde logo um livro chamado \u201cDas \u00e1rvores mortas \u00e0 reforma agr\u00e1ria\u201d, foi a primeira incurs\u00e3o que eu fiz no Alentejo, no distrito de Beja. E depois vim a fazer a \u201cMem\u00f3ria Alentejana\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Teve um papel destacado na vida aut\u00e1rquica da cidade como presidente da Assembleia Municipal de Lisboa. Como \u00e9 que olha para a cidade hoje?<\/p>\n\n\n\n<p>Acho que a cidade come\u00e7ou a ser destru\u00edda depois da experi\u00eancia dos anos 90 da nossa coliga\u00e7\u00e3o [PCP] com o PS com a qual a cidade ganhou muito. Havia da parte da direita a ambi\u00e7\u00e3o imensa de conquistar o poder e, de facto, devido a algumas fragilidades nossas na condu\u00e7\u00e3o das coisas, nomeadamente com Jo\u00e3o Soares, abriu-se portas para a direita ganhar e perdemos com Santana Lopes a maioria na C\u00e2mara Municipal. O neg\u00f3cio na cidade foi apoiado e desenvolvido pelo PSD e pelo PS. Com a altera\u00e7\u00e3o nas Juntas de Freguesia que eram 53 e passaram a ser 24, com a concentra\u00e7\u00e3o de poder de meios e, sobretudo, atrav\u00e9s do turismo\u2026 Foi o in\u00edcio dos grandes neg\u00f3cios, foi de facto a usurpa\u00e7\u00e3o, a ocupa\u00e7\u00e3o da cidade. A expuls\u00e3o dos mais velhos, nomeadamente, mas depois tamb\u00e9m dos mais novos. Ganha-se muito dinheiro, ganharam muito dinheiro. Muita corrup\u00e7\u00e3o. Tudo isso passou pelas m\u00e3os do Medina, tinha passado por Ant\u00f3nio Costa. E continua a passar pelos presidentes que est\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Dentro de uma vida sempre ligada ao associativismo como \u00e9 que se d\u00e1 o seu contacto com A Voz do Oper\u00e1rio?<\/p>\n\n\n\n<p>Com o conhecimento da ind\u00fastria tabaqueira e dos tabaqueiros, do jornal A Voz do Oper\u00e1rio. Para n\u00f3s era um exemplo extraordin\u00e1rio de associativismo e de desenvolvimento pol\u00edtico. Aquela frase c\u00e9lebre de Cust\u00f3dio Gomes, soubesse eu escrever e fazia um jornal, marcou a nossa vida. E tamb\u00e9m, no outro associativismo onde eu andava, no Imparcial por exemplo, na Maria Pia, na Meia Laranja, conheci muitos oper\u00e1rios, carregadores e descarregadores do porto de Lisboa. Preferi sempre trabalhar com a popula\u00e7\u00e3o, fosse nas freguesias, fosse nas empresas, eu optei pelo associativismo, mas nunca larguei a escrita sobre a vida oper\u00e1ria e a vida do trabalho, com essas entrevistas e com a criatividade dos romances e com a poesia, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Tinha contactos com A Voz do Oper\u00e1rio ainda antes do 25 de Abril. Depois, em fevereiro de 2007, fui eleito presidente da dire\u00e7\u00e3o d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio. Foi um desafio imenso. Creio que a a\u00e7\u00e3o que desenvolvemos acabou por ser positiva. Aquilo que A Voz do Oper\u00e1rio significou e continua a significar, e bem, com Manuel Figueiredo e com outros eleitos que entraram. A Voz do Oper\u00e1rio tem-se desenvolvido bem. E \u00e9 profundamente necess\u00e1ria a n\u00f3s, todos n\u00f3s. E \u00e0 cidade de Lisboa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">E o que acha de ser distinguido como s\u00f3cio honor\u00e1rio?<\/p>\n\n\n\n<p>Eu n\u00e3o estava \u00e0 espera de nada. Nunca andei atr\u00e1s de pr\u00e9mios. Aquilo que era para mim fundamental era ter vindo de uma regi\u00e3o de pobreza em que metade ou mais de metade da popula\u00e7\u00e3o \u00fatil que trabalhava no distrito de Bragan\u00e7a emigrou, naqueles anos. E, portanto, para mim, que conheci muito bem a pobreza e conheci muito bem o que era passar fome e o que era viver em muito m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es, o importante era entrar na luta. Sinto que h\u00e1 um reconhecimento da minha postura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos 83 anos, o escritor Ant\u00f3nio Modesto Navarro vai ser homenageado pel\u2019A Voz do Oper\u00e1rio pela sua trajet\u00f3ria cultural, social e pol\u00edtica. Com mais de 40 obras publicadas, dedicou boa parte da sua vida \u00e0 interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, aderindo ao PCP em 1971 pela m\u00e3o de Jos\u00e9 Saramago e Areosa Feio, tendo sido preso pela PIDE semanas antes da revolu\u00e7\u00e3o de Abril. Foi presidente da Assembleia Municipal de Lisboa entre 2003 e 2005 e, dois anos depois, seria eleito presidente da dire\u00e7\u00e3o d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio, institui\u00e7\u00e3o pela qual sempre nutriu admira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":8789,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[44],"tags":[],"coauthors":[71],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8788"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8788"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8788\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8895,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8788\/revisions\/8895"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8789"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8788"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8788"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8788"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=8788"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}