{"id":8693,"date":"2025-01-14T18:46:37","date_gmt":"2025-01-14T18:46:37","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=8693"},"modified":"2025-01-14T18:46:38","modified_gmt":"2025-01-14T18:46:38","slug":"ras-tata-kongo-o-legado-do-reggae-e-a-luta-pela-solidariedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2025\/01\/14\/ras-tata-kongo-o-legado-do-reggae-e-a-luta-pela-solidariedade\/","title":{"rendered":"Ras Tata Kongo: O legado do reggae e a luta pela solidariedade"},"content":{"rendered":"\n<p>Com o seu amor pela m\u00fasica e pela cultura africana, Ras Tata Kongo ajudou a difundir o reggae em festas no Teatro da Comuna, n\u2019A Voz do Oper\u00e1rio e em v\u00e1rios festivais de world music que marcavam a cena cultural portuguesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de ser um grande impulsionador da m\u00fasica reggae, Ras Tata Kongo teve tamb\u00e9m uma enorme import\u00e2ncia na introdu\u00e7\u00e3o do conceito de VJ (Video Jokey) em Portugal. Na altura, ainda sem plataformas como o YouTube e as redes sociais, DJs como ele n\u00e3o s\u00f3 tocavam discos, mas tamb\u00e9m projetavam videoclipes de m\u00fasica reggae, gravados em videocassetes. Esta inova\u00e7\u00e3o ajudou a cimentar o reggae como parte fundamental da cultura musical em Lisboa, criando uma liga\u00e7\u00e3o entre os jovens e a m\u00fasica que atravessava gera\u00e7\u00f5es e continentes.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"473\" height=\"591\" src=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/imagereggaebob-2_300cmyk.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8695\" srcset=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/imagereggaebob-2_300cmyk.jpg 473w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/imagereggaebob-2_300cmyk-240x300.jpg 240w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/imagereggaebob-2_300cmyk-144x180.jpg 144w\" sizes=\"(max-width: 473px) 100vw, 473px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Com fortes la\u00e7os ao Reino Unido, Ras Tata Kongo tornou-se tamb\u00e9m uma figura importante para muitos DJs de reggae e dub que come\u00e7aram a despontar em Portugal, sendo uma refer\u00eancia naquilo que diz respeito \u00e0 troca e venda de vinis. Ele trouxe preciosos discos de Londres para os jovens da cena reggae portuguesa, numa \u00e9poca em que a informa\u00e7\u00e3o musical n\u00e3o estava t\u00e3o acess\u00edvel como hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2017, Ras Tata Kongo e Ras Damula concretizaram um grande sonho: constru\u00edram a sua casa no Bico do Mexilhoeiro, no Barreiro, onde criaram o Mbaza Kongo, um espa\u00e7o cultural que se tornou um ponto de encontro para eventos de m\u00fasica reggae, festas e conviv\u00eancia comunit\u00e1ria. No Mbaza Kongo, a m\u00fasica, a comida e as bebidas africanas se entrela\u00e7avam com a viv\u00eancia cultural de uma comunidade que respirava reggae. O espa\u00e7o tornou-se um s\u00edmbolo da resist\u00eancia cultural e da preserva\u00e7\u00e3o da m\u00fasica e das tradi\u00e7\u00f5es africanas.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, a vida de Ras Tata Kongo, que j\u00e1 enfrentava problemas de sa\u00fade desde 2020, quando ficou com apenas um pulm\u00e3o, sofreu uma reviravolta em 2024. Em maio desse ano, a sua sa\u00fade deteriorou-se de forma dram\u00e1tica e ele entrou em coma, tendo sido internado durante 13 dias. Quando acordou, recebeu a not\u00edcia devastadora de que o Mbaza Kongo tinha sido demolido pela C\u00e2mara Municipal do Barreiro, para dar lugar a um projeto de hotel \u2013 embora esse projeto tenha sido, posteriormente, vetado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a perda do seu espa\u00e7o cultural, Ras Tata Kongo encontrou abrigo numa roulotte emprestada por um amigo, situada num quintal em Rio de Mouro. No entanto, essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 tempor\u00e1ria, pois a fam\u00edlia propriet\u00e1ria da casa onde est\u00e1 a roulote ir\u00e1 regressar em breve e precisar\u00e1 do espa\u00e7o para viver. Sem uma solu\u00e7\u00e3o de habita\u00e7\u00e3o, Ras Tata Kongo candidatou-se a uma habita\u00e7\u00e3o social, aguardando resultados do concurso para encontrar um lugar onde possa viver com mais dignidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste momento dif\u00edcil, a solidariedade da comunidade reggae tem sido fundamental. Diversos amigos, artistas e f\u00e3s t\u00eam organizado festas beneficentes, chamadas \u201cTukinas solid\u00e1rias\u201d, em Lisboa e no Barreiro. O objetivo dessas festas \u00e9 angariar fundos para ajudar Ras Tata Kongo neste momento complicado da sua vida. Estas iniciativas t\u00eam mostrado o poder da uni\u00e3o e da ajuda m\u00fatua.<\/p>\n\n\n\n<p>A pr\u00f3xima Tukina Solid\u00e1ria ser\u00e1 no dia 8 de fevereiro de 2025, coincidindo com o 80\u00ba anivers\u00e1rio de Bob Marley, um dos maiores \u00edcones do reggae. O evento ser\u00e1 um tributo a Bob Marley e, ao mesmo tempo, uma nova oportunidade para apoiar Ras Tata Kongo. A festa decorrer\u00e1 no sal\u00e3o das festas d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio, em Lisboa, e ser\u00e1 totalmente sem fins lucrativos. Todos os envolvidos \u2013 organizadores, artistas, DJs, t\u00e9cnicos de som, cozinheiros, barmen e outros \u2013 trabalhar\u00e3o gratuitamente, com o \u00fanico objetivo de arrecadar o maior n\u00famero poss\u00edvel de fundos para ajudar Ras Tata Kongo a superar as dificuldades em que se encontra.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o esp\u00edrito de \u201cOne Love\u201d, que caracteriza a filosofia do reggae, este evento ser\u00e1 mais uma express\u00e3o de solidariedade e de apoio \u00e0 cultura que Ras Tata Kongo tanto defendeu. A Tukina Solid\u00e1ria do dia 8 de fevereiro come\u00e7ar\u00e1 \u00e0s 18h00 e ir\u00e1 at\u00e9 \u00e0s 4h00 da madrugada, oferecendo m\u00fasica reggae, comida africana e uma atmosfera de alegria e fraternidade. Toda a ajuda, por menor que seja, ser\u00e1 importante para garantir que Ras Tata Kongo possa, finalmente, encontrar uma solu\u00e7\u00e3o para a sua situa\u00e7\u00e3o de habita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como as Tukinas anteriores, que ocorreram em locais como o Jardim da Cerca, na Gra\u00e7a, e em centros culturais do Barreiro, este evento ser\u00e1 mais um momento de uni\u00e3o, onde todos se juntam para apoiar quem precisa. A luta de Ras Tata Kongo \u00e9 tamb\u00e9m uma luta pela preserva\u00e7\u00e3o da cultura reggae, pela valoriza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os culturais independentes e pela for\u00e7a da comunidade em momentos de adversidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem puder, deve comparecer ao evento e contribuir da forma que puder \u2013 seja comprando o bilhete de entrada, uma bebida ou uma refei\u00e7\u00e3o africana. Cada gesto de solidariedade ser\u00e1 um passo importante para apoiar Ras Tata Kongo nesta fase t\u00e3o dif\u00edcil da sua vida. \u201cOne Love\u201d \u2013 A uni\u00e3o faz a for\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ras Tata Kongo, uma das figuras mais emblem\u00e1ticas do reggae e da cultura africana em Portugal, nasceu em Angola na d\u00e9cada de 1960 e chegou a Lisboa nos anos 80. Foi a\u00ed que, junto com Ras Damula e Janelo da banda Kussundulola, formou o Funkareggae, um projeto pioneiro que se destacou por espalhar a m\u00fasica reggae em Lisboa.<\/p>\n","protected":false},"author":139,"featured_media":8694,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[48],"tags":[],"coauthors":[236],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8693"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/139"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8693"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8693\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8697,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8693\/revisions\/8697"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8694"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8693"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8693"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8693"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=8693"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}