{"id":8680,"date":"2024-12-19T18:24:20","date_gmt":"2024-12-19T18:24:20","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=8680"},"modified":"2025-01-15T19:16:29","modified_gmt":"2025-01-15T19:16:29","slug":"cuba-e-um-canhao-de-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2024\/12\/19\/cuba-e-um-canhao-de-futuro\/","title":{"rendered":"Cuba \u00e9 um canh\u00e3o de futuro"},"content":{"rendered":"\n<p>Em 1960, a Casa Branca declarava que \u00abo \u00fanico meio previs\u00edvel de alienar o apoio interno [\u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o cubana] \u00e9 atrav\u00e9s (\u2026) da insatisfa\u00e7\u00e3o e das dificuldades econ\u00f3micas\u00bb. O <a href=\"https:\/\/history.state.gov\/historicaldocuments\/frus1958-60v06\/d499\">Memorando Mallory<\/a>, como ficou conhecido o documento secreto, marcava o azimute para asfixiar na inf\u00e2ncia o exemplo da primeira revolu\u00e7\u00e3o socialista no \u00abp\u00e1tio traseiro\u00bb dos EUA, a Am\u00e9rica Latina, \u00abConclui-se\u00bb, continuava, \u00abque todos os meios poss\u00edveis devem ser rapidamente implementados para enfraquecer a vida econ\u00f3mica de Cuba. (\u2026) Uma linha de ac\u00e7\u00e3o que, sendo t\u00e3o h\u00e1bil e discreta quanto poss\u00edvel, cause as maiores dificuldades, negando dinheiro e abastecimentos a Cuba, para diminuir os sal\u00e1rios monet\u00e1rios e reais, provocar a fome, o desespero e a queda do governo\u00bb. Sessenta e quatro anos volvidos, as sucessivas administra\u00e7\u00f5es dos EUA s\u00f3 se podem orgulhar de terem atingido um objectivo parcial: provocar sofrimentos indescritivelmente cru\u00e9is a milh\u00f5es de cubanos, mas, computo geral,&nbsp; a estrat\u00e9gia falhou: a Revolu\u00e7\u00e3o vive e, contra todas as probabilidades hist\u00f3ricas, o seu povo resiste.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A poucas semanas do in\u00edcio do mandato de Trump, multiplicam-se as d\u00favidas sobre que direc\u00e7\u00e3o dar\u00e1 a nova oligarquia ao imperialismo: paz na Ucr\u00e2nia ou guerra no Ir\u00e3o? D\u00e9tente na Coreia ou escalada na China? Guerra comercial ou guerra nuclear? Revolu\u00e7\u00f5es coloridas ou intervencionismo por procura\u00e7\u00e3o? No que a Cuba diz respeito, contudo, a \u00fanica d\u00favida que resta \u00e9 o que mais poder\u00e1 fazer Trump que n\u00e3o tenha ainda feito. Infelizmente, o leque das poss\u00edveis respostas \u00e9 estreito: j\u00e1 n\u00e3o restam muitas balas na pistola do imperialismo e, se \u00e9 verdade que as \u00faltimas muni\u00e7\u00f5es podem ser as mais perigosas, tamb\u00e9m s\u00e3o, historicamente, mesmo as \u00faltimas.<\/p>\n\n\n\n<p>Recentemente percorri quase toda a ilha e pude constatar em primeira m\u00e3o os efeitos de 64 anos de bloqueio, ass\u00e9dio e terrorismo contra o povo cubano. Falei com pessoas que agonizam com dores insuport\u00e1veis porque n\u00e3o h\u00e1 medicamentos. Dormi em dezenas de casas de fam\u00edlias humildes infernizadas por constantes apag\u00f5es e falta de alimentos b\u00e1sicos. Conheci investigadores, cientistas e artistas impedidos de partilharem o seu trabalho com o resto do mundo. Vi como at\u00e9 as coisas mais simples, como apanhar um transporte para ir trabalhar, comprar um pacote de leite ou cozinhar o jantar, se convertem em aut\u00eanticas odisseias para a imensa maioria dos cubanos. Conheci centenas de pessoas separadas dos seus filhos, pais e irm\u00e3os por uma emigra\u00e7\u00e3o imposta a partir do exterior. Que n\u00e3o sobrem d\u00favidas: a principal explica\u00e7\u00e3o para o complexo quadro que Cuba enfrenta \u00e9 o injustific\u00e1vel e ilegal bloqueio que os EUA continuam a imp\u00f4r a Cuba e que j\u00e1 mereceu a condena\u00e7\u00e3o de 30 resolu\u00e7\u00f5es da Assembleia-Geral da ONU. Um bloqueio que \u00e9 manifestamente ilegal segundo a Carta da ONU, a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos, o Pacto Internacional sobre os Direitos Pol\u00edticos, Econ\u00f3micos e Sociais e \u00e0 luz de toda a legisla\u00e7\u00e3o internacional vigente aplic\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 dif\u00edcil conceber a dimens\u00e3o estratosf\u00e9rica do bloqueio contra Cuba. Numa entrevista recente, o economista Jeffrey Sachs, insuspeito de simpatias comunistas, calculava que o bloqueio estado-unidense seja respons\u00e1vel por uma redu\u00e7\u00e3o de 75% do potencial econ\u00f3mico cubano. Em 64 anos, o bloqueio custou a Cuba mais de 150 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares. Traduzido por mi\u00fados, o preju\u00edzo causado por apenas 25 dias de bloqueio equivale ao custo de todos os medicamentos b\u00e1sicos oferecidos pelo Estado \u00e0 popula\u00e7\u00e3o durante um ano inteiro; oito horas de bloqueio correspondem ao custo de todos os materiais did\u00e1cticos da Escola p\u00fablica num ano; 18 dias de bloqueio perfazem o custo anual da manuten\u00e7\u00e3o do sistema el\u00e9ctrico e as perdas causadas por quatro meses de bloqueio dariam para alimentar toda a popula\u00e7\u00e3o da ilha durante um ano.<\/p>\n\n\n\n<p>O bloqueio dos EUA contra Cuba \u00e9 um complexo emaranhado de 30 de leis unilaterais, coercivas e extra-territoriais em que se incluem a lei Torricelli, de 1992, a lei Helms-Burton, de 1996 e a inclus\u00e3o de Cuba na Lista dos Pa\u00edses Patrocinadores do Terrorismo, desde 2021. No seu conjunto, estas leis est\u00e3o desenhadas para impedir Cuba de se financiar e de comprar e de vender seja o que for, a quem quer que seja. Qualquer empresa ou banco, independentemente da sua origem, que decida forjar rela\u00e7\u00f5es comerciais normais com Cuba arrisca-se a perder o direito de permanecer no mercado, no territ\u00f3rio dos EUA, a perder o direito a usar os seus instrumentos financeiros ou mesmo a ser alvo de san\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas. Por exemplo, de acordo com o t\u00edtulo III da Helms-Burton, qualquer empresa do mundo que venda combust\u00edvel a Cuba deve ser alvo de san\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas dos EUA. Por isso, a grande maioria dos fornecedores mundiais de mat\u00e9rias-primas, alimentos, medicamentos, energia e software v\u00eam-se impedidos de vender ou comprar em Cuba. Quem aterre ou atraque em Cuba \u00e9 alvo de san\u00e7\u00f5es: qualquer navio que zarpe de Cuba fica impedido de voltar a aportar nos EUA; mesmo um turista portugu\u00eas que hoje visite Cuba fica banido do sistema de isen\u00e7\u00e3o de vistos, na pr\u00e1tica, impedido de visitar os EUA. Corol\u00e1rio directo deste castigo colectivo, o pre\u00e7o de tudo o que chega a Cuba \u00e9 o dobro, o triplo e, em alguns casos o qu\u00e1druplo, do pre\u00e7o que teria se n\u00e3o existisse o bloqueio. Um exemplo pr\u00e1tico: o pre\u00e7o do contentor num cargueiro rumo \u00e0 Europa ronda os 1300 euros se sair de Santo Domingo, na Rep\u00fablica Dominicana, e 2500 se sair de Havana.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta tremenda injusti\u00e7a resulta-se em contradi\u00e7\u00f5es insuport\u00e1veis: no Centro de Engenharia Molecular de Cuba, um dos melhores do mundo, as m\u00e1quinas que avariam n\u00e3o podem ser substitu\u00eddas; Cuba produziu cinco vacinas contra a Covid-19, mas n\u00e3o consegue comprar seringas. Os cientistas cubanos v\u00eaem-se impedidos de registar patentes e publicar em revistas cient\u00edficas. Em Cuba h\u00e1 crian\u00e7as que morrem por que o pa\u00eds est\u00e1 impedido de importar medicamentos oncol\u00f3gicos. \u00c9 isto o bloqueio.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s uma t\u00edmida abertura durante a administra\u00e7\u00e3o Obama, o bloqueio endureceu-se exponencialmente sob a \u00e9gide do primeiro mandato de Trump, que aprovou 243 novas medidas para destruir a economia da ilha. Entre elas, merece destaque a inclus\u00e3o de Cuba na infame Lista dos Pa\u00edses Patrocinadores do Terrorismo, uma mentira t\u00e3o absurda que seria ris\u00edvel, n\u00e3o fosse t\u00e3o tr\u00e1gica. Ao contr\u00e1rio dos EUA, Cuba nunca exportou terrorismo. Cuba \u00e9, sim, exportador de paz, afirmando-se como capital regional de negocia\u00e7\u00f5es de paz; m\u00e9dicos, que partem para todas as geografias do mundo, de Portugal \u00e0s regi\u00f5es mais remotas do Brasil para devolver a sa\u00fade e a vis\u00e3o a milh\u00f5es e conhecimento, na forma da investiga\u00e7\u00e3o e pessoal docente que tem ensinado milh\u00f5es de pobres a ler e a escrever.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de todos os obst\u00e1culos, Cuba continua a poder orgulhar-se de garantir \u00e0 sua popula\u00e7\u00e3o o que, 90 milhas a Norte, nos EUA, \u00e9 ainda um privil\u00e9gio dos ricos: sa\u00fade, cultura, educa\u00e7\u00e3o. Mesmo ao lado do Haiti, onde a vida humana n\u00e3o vale nada e os cad\u00e1veres apodrecem nas ruas, Cuba \u00e9 um dos pa\u00edses mais seguros, cultos e saud\u00e1veis do mundo. A Revolu\u00e7\u00e3o criou um povo generoso, que visita museus, toca instrumentos musicais, pratica desporto, vai ao teatro e discute pol\u00edtica nas pra\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto percorria o pa\u00eds de autocarro, perguntava-me ami\u00fade quantos dias aguentaria Portugal naquelas circunst\u00e2ncias: bloqueado, assediado, cercado, com falta de comida, sem electricidade, sem materiais de constru\u00e7\u00e3o, sem combust\u00edvel. Cuba aguenta assim h\u00e1 mais de sessenta anos. Devo aqui confessar a minha inveja: Cuba \u00e9 um pa\u00eds a s\u00e9rio e a ilha pertence aos cubanos. Cuba n\u00e3o est\u00e1 nas m\u00e3os de nenhum senhor colonial e est\u00e1 a pagar pela verdadeira independ\u00eancia, como canta S\u00edlvio, a teimosia de viver sem ter um pre\u00e7o. J\u00e1 Portugal\u2026 \u00e0s vezes n\u00e3o sei se ser\u00e1 mesmo um pa\u00eds ou s\u00f3 um pretexto para um Estado nas m\u00e3os de outros Estados.<\/p>\n\n\n\n<p>O que podemos fazer n\u00f3s, portugueses, do nosso lado desta muralha de mar, para devolver aos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s cubanos, um pouco da generosidade e solidariedade que sempre ofereceram a todo o mundo, de Angola \u00e0 \u00c1frica do Sul, da Bol\u00edvia a It\u00e1lia? Podemos fazer planos para visitar Cuba, o pa\u00eds mais bonito, seguro, culto e surpreendente do mundo: ir a Cuba \u00e9 toda uma li\u00e7\u00e3o sobre como se pode fazer muito com muito pouco e construir um pa\u00eds mais humano e justo que o nosso, onde as crian\u00e7as s\u00e3o mais felizes porque delas fizeram a prioridade absoluta do Estado: uma terra onde e a vida humana vale mais que o lucro. Tamb\u00e9m podemos fazer chegar donativos e contributos \u00e0 <a href=\"https:\/\/associacaoamizadeportugalcuba.pt\/\">Associa\u00e7\u00e3o de Solidariedade Portugal-Cuba<\/a> que se encarrega de fazer a nossa ajuda chegar a Cuba.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas voltemos a Trump: durante a campanha, o oligarca multiplicou amea\u00e7as contra Cuba e, uma vez eleito, nomeou fan\u00e1ticos da extrema-direita anti-cubana para posi\u00e7\u00f5es chave. O exemplo mais significativo \u00e9 Marco Rubio, um \u00abfalc\u00e3o\u00bb anti-comunista, rec\u00e9m-nomeado secret\u00e1rio de Estado. N\u00e3o faltar\u00e1 \u00e0 administra\u00e7\u00e3o Trump vontade de apertar ainda mais o garrote vil do bloqueio, mas surgir\u00e3o dois problemas: n\u00e3o s\u00f3 est\u00e3o praticamente esgotadas as san\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas e financeiras contra Cuba porque, muito simplesmente, j\u00e1 est\u00e1 praticamente tudo bloqueado, como, por outro lado, as san\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas dos EUA exigem tend\u00eancia a perder relev\u00e2ncia. Os EUA mant\u00eam san\u00e7\u00f5es contra cerca de 25 pa\u00edses de todo o mundo e come\u00e7aram a surgir redes de com\u00e9rcio alternativas ao seu poder hegem\u00f3nico. A entrada de Cuba nos BRICS e a intensifica\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas com China e R\u00fassia s\u00e3o prova disso.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00faltima bala no tambor do imperialismo \u00e9, portanto, o terrorismo. Durante muitos anos, o terrorismo estado-unidense coexistiu com o bloqueio econ\u00f3mico contra Cuba. Na sequ\u00eancia da falhada tentativa de invas\u00e3o de Cuba atrav\u00e9s da Ba\u00eda dos Porcos, os EUA organizaram dezenas de atentados terroristas contra a ilha. Durante muitos anos, avi\u00f5es da for\u00e7a a\u00e9rea dos EUA sobrevoaram as cidades cubanas, disparando indiscriminadamente rajadas de tiros, bombardeando f\u00e1bricas e incendiando planta\u00e7\u00f5es. Entre 1961 e 1963, os EUA mantiveram a Opera\u00e7\u00e3o Mangusto, com o objectivo expl\u00edcito de aterrorizar, mutilar e torturar civis na ilha, especialmente professores e os estudantes. O governo dos EUA chegou mesmo a aprovar a <a href=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20080813000407\/http:\/media.nara.gov\/media\/images\/36\/15\/36-1469a.jpg\">Opera\u00e7\u00e3o Northwoods<\/a> para organizar atentados terroristas em solo dos EUA, contra civis e militares, para depois culpar o governo cubano e justificar a invas\u00e3o da ilha. J\u00e1 na d\u00e9cada de 80, <a href=\"https:\/\/en.escambray.cu\/2016\/cuba-confirms-that-us-introduced-dengue-fever-in-cuba-in-1981\/\">os EUA introduziram uma variante de dengue hemorr\u00e1gica em Cuba<\/a>, levando \u00e0 morte de 101 crian\u00e7as, bem como <a href=\"https:\/\/www.cia.gov\/readingroom\/docs\/CIA-RDP90-01208R000100220002-7.pdf\">a febre su\u00edna africana<\/a> entre muitas outras doen\u00e7as e pragas para destruir a agricultura e a pecu\u00e1ria cubanas. S\u00e3o incont\u00e1veis os exemplos de bombas americanas que explodiram em avi\u00f5es e navios, como o da Cubana de Aviaci\u00f3n 455 que, em 1976, matou 78 civis inoventes, ou a bomba colocada no navio La Coubre, em 1960, que vitimou mais de uma centena de pessoas. O terrorismo dos EUA contra Cuba matou pelo menos 3478 pessoas e deixou outras 2099 com sequelas para o resto da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 previs\u00edvel que Trump procure regressar a esta linha, aumentando brutalmente o financiamento e raio de ac\u00e7\u00e3o da \u00aboposi\u00e7\u00e3o\u00bb de extrema-direita sediada em Miami e infiltrada na ilha. Mas o gui\u00e3o das \u00abguarimbas\u00bb e das \u00abrevolu\u00e7\u00f5es coloridas\u00bb enfrenta outro enorme problema: Cuba j\u00e1 n\u00e3o pode ser surpreendida nem apanhada desprevenida. \u00c9 certo que h\u00e1 uma parte da popula\u00e7\u00e3o que est\u00e1 zangada, cansada e vulner\u00e1vel ao canto da sereia do neocolonialismo, mas a maioria social cubana continua com a Revolu\u00e7\u00e3o. Isto \u00e9 verific\u00e1vel dando um simples passeio por qualquer rua de Cuba: a absoluta liberdade de express\u00e3o leva ningu\u00e9m se acanhe na hora de dizer o que pensam sobre o governo e a revolu\u00e7\u00e3o. A estrat\u00e9gia terrorista contra Cuba falhar\u00e1 pelas mesmas raz\u00f5es que falhou sempre durante os \u00faltimos 60 anos: Cuba \u00e9 indom\u00e1vel e n\u00e3o voltar\u00e1 a ser col\u00f3nia. Cuba vencer\u00e1 mais um presidente imperial porque o governo e o povo est\u00e3o unidos e apostados num ambicioso conjunto de medidas de actualiza\u00e7\u00e3o do modelo econ\u00f3mico socialista que aposta na produ\u00e7\u00e3o de alimentos, na diversifica\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria, no investimento em energias renov\u00e1veis, na bancariza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio e na correc\u00e7\u00e3o dos muitos erros e distor\u00e7\u00f5es que, numa demonstra\u00e7\u00e3o de enorme maturidade pol\u00edtica, s\u00e3o publicamente reconhecidos. Cuba vencer\u00e1 porque a democracia socialista \u00e9 real: dos conselhos populares \u00e0 presid\u00eancia, os representantes do povo est\u00e3o com o povo que agora atravessa o momento mais dif\u00edcil de sempre.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas Cuba vencer\u00e1. Mais depressa secar\u00e1 o Malec\u00f3n de Havana do que a revolu\u00e7\u00e3o Cubana. Cuba n\u00e3o cabe na boca de nenhuma serpente de mar que canta S\u00edlvio, por mais largas e transparentes que sejam os seus ventre, por mais infernos que tenham em digest\u00e3o, por mais que apare\u00e7a sempre outra maior. Cuba vencer\u00e1 porque \u00e9, como tamb\u00e9m canta S\u00edlvio, um canh\u00e3o de futuro que ainda mata canalhas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 dif\u00edcil conceber a dimens\u00e3o estratosf\u00e9rica do bloqueio contra Cuba. Numa entrevista recente, o economista Jeffrey Sachs, insuspeito de simpatias comunistas, calculava que o bloqueio estado-unidense seja respons\u00e1vel por uma redu\u00e7\u00e3o de 75% do potencial econ\u00f3mico cubano.<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":8681,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[47],"tags":[],"coauthors":[90],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8680"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8680"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8680\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8752,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8680\/revisions\/8752"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8681"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8680"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8680"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8680"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=8680"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}