{"id":8581,"date":"2024-11-14T11:45:41","date_gmt":"2024-11-14T11:45:41","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=8581"},"modified":"2024-12-19T18:25:01","modified_gmt":"2024-12-19T18:25:01","slug":"israel-e-uma-fabrica-de-crimes-de-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2024\/11\/14\/israel-e-uma-fabrica-de-crimes-de-guerra\/","title":{"rendered":"Israel \u00e9 uma f\u00e1brica de crimes de guerra"},"content":{"rendered":"\n<p>Depois de divulgar as \u00faltimas imagens de Yahya Sinwar, moribundo, a resistir a um drone israelita com um pau, Israel semeou um her\u00f3i em todo o mundo \u00e1rabe. N\u00e3o estava escondido num t\u00fanel usando ref\u00e9ns como escudos humanos, segundo a propaganda israelita, mas a combater ao lado dos seus homens no sul da Faixa de Gaza.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de 43 mil mortos, a barb\u00e1rie estende-se ao L\u00edbano, onde o Hezbollah havia come\u00e7ado uma campanha de ataques, h\u00e1 um ano, em solidariedade com a resist\u00eancia palestiniana. \u00c9 em Beirute que entro no t\u00e1xi, j\u00e1 de madrugada, onde o motorista me pede 10 d\u00f3lares. Aceito sem negociar. Atravessamos o perigoso Dahieh, o sub\u00farbio a sul de Beirute, onde Israel despeja todos os dias bombas em ataques que diz serem cir\u00fargicos. Ali Shaib vira-se para tr\u00e1s e diz que at\u00e9 h\u00e1 pouco estava a dormir junto \u00e0 embaixada francesa em Beirute. \u201cA minha casa n\u00e3o \u00e9 segura para viver. Sou de Dahieh. No meu pr\u00e9dio, h\u00e1 muitas janelas e portas rebentadas pela for\u00e7a das explos\u00f5es\u201d, descreve. H\u00e1 dias, escolheu as proximidades da Universidade Americana de Beirute para dormir. Noutros dias, \u00e9 na Rua Hamra. \u201cOs meus pais est\u00e3o na aldeia da minha m\u00e3e. Embora, a tenham bombardeado tr\u00eas vezes \u00e9 mais seguro. Ali, 80% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 crist\u00e3\u201d. Atrav\u00e9s do espelho retrovisor, o reflexo dos poucos candeeiros em funcionamento fazem-me descobrir l\u00e1grimas no seu rosto de 24 anos. Conta-me que 16 familiares seus a viver no Vale do Bekaa foram assassinados por Israel. Um bombardeamento destruiu o pr\u00e9dio onde moravam. Apenas uma crian\u00e7a de dois anos sobreviveu. \u201cAcordou no hospital a perguntar onde estava a m\u00e3e e o pai. A perguntar pela fam\u00edlia\u201d. Diz que lhe importa pouco a religi\u00e3o. A fam\u00edlia \u00e9 xiita mas sente-se, sobretudo, liban\u00eas. \u201cEstamos a viver muito, muito mal, aqui no L\u00edbano. A guerra \u00e9 muito m\u00e1 para todas as pessoas, n\u00e3o apenas para a Palestina. Mais de 43 mil palestinianos foram mortos. \u00c9 um n\u00famero assombroso. Ningu\u00e9m quer saber deles\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Israel ataca centros m\u00e9dicos<\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c0 espera da chegada de Kamel Mohana, a secret\u00e1ria aponta para a fotografia do presidente da associa\u00e7\u00e3o Amel com o Papa Francisco no Vaticano. Fundada em 1979 como resposta \u00e0 invas\u00e3o israelita do L\u00edbano do ano anterior, esta organiza\u00e7\u00e3o abriu hospitais de campanha, maternidades, escolas e centros m\u00e9dicos para dar apoio \u00e0 popula\u00e7\u00e3o mais carenciada, independentemente de credos religiosos ou pol\u00edticos. Durante a guerra civil que afetou o L\u00edbano, a Amel conseguia estar nos diferentes campos em confronto. Hoje, com 40 centros e 12 unidades m\u00e9dicas m\u00f3veis, \u00e9 uma das maiores associa\u00e7\u00f5es do pa\u00eds a dar resposta a um cen\u00e1rio, uma vez mais, terr\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Sentado na sua secret\u00e1ria, Kamel Mohana explica que \u00e9 pediatra, professor universit\u00e1rio e, para al\u00e9m da presid\u00eancia da Amel, assume a coordena\u00e7\u00e3o geral da Rede de Organiza\u00e7\u00f5es N\u00e3o-Governamentais Libanesas e \u00c1rabes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTemos 1.800 trabalhadores para enfrentar esta cat\u00e1strofe humanit\u00e1ria, uma verdadeira cat\u00e1strofe humana, porque temos 1,2 milh\u00f5es de deslocados internos no L\u00edbano. Todas estas pessoas vieram do sul para Beirute, de Bekaa para Beirute, para as montanhas do L\u00edbano e para a S\u00edria\u201d, explica. \u201cTentamos desenrascar-nos sozinhos. Infelizmente, temos a tradi\u00e7\u00e3o de trabalhar em emerg\u00eancias no L\u00edbano. Estamos a trabalhar h\u00e1 55 anos em situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia. Temos cerca de 200 mil deslocados em escolas. No L\u00edbano, estamos a viver, desde a explos\u00e3o no Porto de Beirute em 2020, uma esp\u00e9cie de colapso econ\u00f3mico\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Kamel Mohana, \u00e9 urgente um cessar-fogo e pede \u00e0 comunidade internacional para \u201cexercer press\u00e3o\u201d e \u201cse ponha fim a esta agress\u00e3o\u201d. Tamb\u00e9m pede apoio para o L\u00edbano. \u201cA situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito grave e as possibilidades agora s\u00e3o muito modestas\u201d, antecipando os problemas que podem surgir no inverno. Para j\u00e1, as necessidades s\u00e3o enormes: medicamentos, alimentos, cobertores, entre tantas outros objetos. \u201cTudo o que fazemos n\u00e3o \u00e9 suficiente\u201d, garante.<\/p>\n\n\n\n<p>A meio de graves acusa\u00e7\u00f5es contra Israel por atacar centros m\u00e9dicos e trabalhadores de emerg\u00eancia, o presidente da associa\u00e7\u00e3o Amel denuncia que os seus centros foram j\u00e1 atingidos cinco vezes. Tamb\u00e9m v\u00e1rias escolas. Uma delas com 600 crian\u00e7as em Nati foi alvo da artilharia israelita. Isto coincide com relatos das amea\u00e7as de Israel contra ambul\u00e2ncias no sul do pa\u00eds, alegando que estariam a ser utilizadas indevidamente pelo grupo armado liban\u00eas Hezbollah. Segundo a Al Jazeera, o porta-voz do ex\u00e9rcito israelita, Avichay Adraee, afirmou que \u201celementos do Hezbollah est\u00e3o a utilizar ambul\u00e2ncias para transportar combatentes e armas\u201d. N\u00e3o apresentou qualquer prova da sua acusa\u00e7\u00e3o. \u201cApelamos \u00e0s equipas m\u00e9dicas para que evitem o contacto com os membros do Hezbollah e n\u00e3o cooperem com eles\u201d, afirmou. O ex\u00e9rcito israelita \u201cafirma que ser\u00e3o tomadas as medidas necess\u00e1rias contra qualquer ve\u00edculo que transporte indiv\u00edduos armados, independentemente do seu tipo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o mais grave s\u00e3o os ataques que Israel desfere contra os trabalhadores de emerg\u00eancia. At\u00e9 ao fecho desta edi\u00e7\u00e3o, 178 m\u00e9dicos e outros trabalhadores do setor sanit\u00e1rio foram mortos no L\u00edbano desde o in\u00edcio do conflito entre Israel e o Hezbollah h\u00e1 um ano. No total, h\u00e1 quase 3 mil pessoas em todo o pa\u00eds, entre as quais 183 crian\u00e7as, que perderam a vida devido aos ataques israelitas.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Kamel Mohana, Israel trata os hospitais e centros m\u00e9dicos no L\u00edbano como alvos militares, algo que \u00e9 considerado crime de guerra. \u201cQuerem fazer o mesmo que fizeram em Gaza\u201d, denuncia. \u201cA \u00fanica resolu\u00e7\u00e3o definitiva para o conflito \u00e9 o reconhecimento dos direitos do povo palestiniano. \u201cEsta \u00e9 a causa de todos os problemas na nossa regi\u00e3o\u201d, explica. \u201cH\u00e1 que reconhecer as resolu\u00e7\u00f5es das Na\u00e7\u00f5es Unidas\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A morte de Yahya Sinwar, l\u00edder do Hamas, e de quase toda a lideran\u00e7a do Hezbollah n\u00e3o faz Israel parar a agress\u00e3o \u00e0 Palestina e ao L\u00edbano porque o objetivo \u00e9 implementar o seu projeto colonial e supremacista. Depois de violar milhares de vezes as leis do direito internacional, as for\u00e7as israelitas atacam capacetes azuis das Na\u00e7\u00f5es Unidas de forma deliberada. Ningu\u00e9m est\u00e1 a salvo da barb\u00e1rie. Os Estados Unidos j\u00e1 n\u00e3o escondem o apoio \u00e0s opera\u00e7\u00f5es de Israel e, para l\u00e1 dos protestos formais, a maioria dos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia, incluindo Portugal, parecem ter pouca ou nenhuma vontade de impor limites a Telavive.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":8441,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[47],"tags":[],"coauthors":[71],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8581"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8581"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8581\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8684,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8581\/revisions\/8684"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8441"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8581"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8581"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8581"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=8581"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}